Bap ironiza Palmeiras e avisa: Flamengo não cede a pressões políticas

Luiz Eduardo Baptista não perde a oportunidade de deixar claro: o Flamengo não vai mudar de postura por causa de birra política de rival. Em entrevista ao jornalista Rodrigo Capelo no programa Sport Insider, gravado na Mercado Livre Arena Pacaembu, o presidente do clube minimizou a saída do Palmeiras da Libra e ironizou a reação de Leila Pereira aos bastidores da Liga do Futebol Brasileiro.

Quando questionado sobre a ruptura e a insatisfação do time paulista com os rumos das negociações de direitos de transmissão, Bap foi direto. “O efeito prático é nenhum”, disparou, classificando o movimento como “jogo de cena”. O presidente garantiu que nenhuma liga brasileira será montada sem Flamengo ou Palmeiras, mas alertou que o Mais Querido não se deixará influenciar por comportamentos infantis nos corredores da entidade.

“O que acontece dentro de campo deveria ficar dentro de campo. Agora, alguém achar que vai fazer birra, que vai fazer biquinho, que vai reclamar, que vai espernear e que, por qualquer razão, eu vá tratar de maneira diferente, vou mudar o que penso ou que vou fazer por conta disso… boa sorte”

A declaração expõe o racha definitivo entre os dois gigantes brasileiros que vêm dominando títulos no continente. A crise começou quando a Libra discutia os valores das cotas de transmissão com a Rede Globo até 2029. O Palmeiras, presidido por Leila Pereira, queria receber os mesmos valores que o Flamengo. O Mengão, por sua vez, pleiteava uma quantia maior por registrar mais audiência.

O acordo de R$ 150 milhões que dividiu a Libra

O Flamengo conseguiu convencer a maioria dos clubes a aceitar a proposta de R$ 150 milhões fixados com a emissora. Inicialmente, Leila Pereira havia assinado o documento favorável ao rubro-negro. Mas recuou da decisão, se revoltou com os moldes e optou por abandonar o bloco. Logo após o Flamengo e o Grêmio emitirem um comunicado conjunto celebrando o acordo, o Palmeiras reagiu publicamente com ataques às duas equipes.

A estratégia do Flamengo segue focada em valorizar sua marca e gerar novas receitas para manter a hegemonia técnica no cenário nacional. O presidente deixou evidente que essa postura não será alterada por pressões externas ou movimentos políticos de rivais. Para Bap, o futebol disputado dentro das quatro linhas deveria ser o ponto de encontro entre os clubes, não o motivo de desavenças nos bastidores.

A resposta de Bap vem em momento em que a novela ganha novos capítulos. Depois das críticas de Leila Pereira sobre lances específicos da final da Libertadores 2025 — quando o Flamengo conquistou seu tetracampeonato na competição com o gol de Danilo em Lima — o presidente rubro-negro reforçou que não haverá concessões por questões extra-campo.

Flamengo apoia reforma tributária e reafirma liderança

Enquanto negocia os direitos de transmissão, o Mais Querido também se posiciona como liderança em outras frentes institucionais. O clube divulgou nota celebrando a aprovação pela Câmara dos Deputados do Regime Especial de Tributação para Associações Desportivas (RETAD), projeto que reduzirá a carga tributária de clubes associativos de 11,4% para menos de 5% sobre o total da receita. A votação terminou em 421 votos a 3, e o projeto segue para votação no Senado Federal para virar lei definitiva.

O Flamengo se posicionou como uma das lideranças do movimento pela mudança tributária, reforçando sua atuação institucional além dos campos de jogo. Essa atuação em múltiplas frentes — das negociações de TV às reformas legislativas — marca o estilo de gestão de Bap, que não hesita em confrontar rivais quando necessário e também em buscar soluções estruturais para o futebol brasileiro.

Com a Libra travada politicamente e o projeto de uma liga nacional unificada ainda distante de uma resolução, o Flamengo mantém sua linha firme. Bap deixou a mensagem clara: o clube não cede a pressões políticas, não muda de opinião por birra de rival e continua focado em seus objetivos institucionais e de competição. A novela dos bastidores segue, mas o rubro-negro segue seu caminho.