Bap alerta que proibição de apostas pode comprometer pagamento de Paquetá

Luiz Eduardo Baptista, presidente do Flamengo, criticou a proibição das casas de apostas no Brasil e alertou que a medida pode levar o clube a dificuldades financeiras que afetarão diretamente o pagamento das parcelas da contratação de Lucas Paquetá. As declarações foram feitas em entrevista ao Jornal O Globo.

Baptista classificou o banimento como “unilateral” e questionou o momento da decisão. “Banimento unilateral, da forma que foi, no momento que foi, é difícil de entender, a uma semana de uma eleição. Isso causa espécie”, afirmou o dirigente, ressaltando a proximidade com o período eleitoral como um fator que torna a medida ainda mais intrigante.

O impacto potencial é significativo. O Flamengo antecipou recebíveis com a Betano, empresa de apostas que mantém contrato de patrocínio master até 2028, garantindo R$ 268 milhões por temporada. A Betano sinalizou informalmente a possibilidade de rescindir o contrato diante da proibição, o que representaria uma perda de receita considerável para o clube.

Paquetá e as parcelas futuras em risco

A contratação de Lucas Paquetá custou 42 milhões de euros ao Mengão, totalizando cerca de R$ 315 milhões. O pagamento está estruturado em parcelas: 12 milhões de euros devem ser pagos em janeiro de 2027 e mais 12 milhões de euros em janeiro de 2028. Essas obrigações financeiras agora enfrentam incerteza.

Baptista relacionou o impacto da proibição diretamente aos compromissos contratuais do clube. A redução ou ausência de receitas vindas do setor de apostas colocaria em cheque a capacidade do Flamengo de honrar esses pagamentos nos prazos previstos. Para o presidente, o cenário é grave o suficiente para exigir mudanças estratégicas imediatas.

Internamente, o clube estima impacto de até 20% de sua receita total, sendo 15% pelo contrato direto com a Betano e 5% por desdobramentos indiretos. Essa projeção se alinha com alertas de que o Flamengo pode perder até R$ 400 milhões em receitas caso a Medida Provisória restrinja ou proíba completamente as apostas esportivas.

O dirigente já tinha deixado claro em conversas internas que o clube não possui um plano B consistente para enfrentar essa possível perda. Os efeitos diretos e indiretos podem comprometer compromissos do Mais Querido para 2027, incluindo não apenas contratações, mas também o cumprimento de obrigações já assumidas.

Busca por alternativas e receitas menores

Diante do cenário, Baptista indicou que o Flamengo precisará mudar suas prioridades. “Vamos deixar de contratar jogadores e contratar advogados”, afirmou, em tom que mistura crítica à medida com preocupação genuína sobre as consequências.

O presidente também apontou que o clube buscará alternativas e novos patrocinadores para compensar a perda, mas com valores significativamente abaixo dos atuais. “Vamos buscar alternativas e novos patrocinadores, mas os valores serão muito abaixo dos atuais”, alertou.

O Flamengo já iniciou conversas com possíveis substitutos, com empresas como Lubrax e Banco BRB sendo citadas informalmente. Porém, qualquer novo acordo dificilmente chegará próximo aos valores oferecidos pela Betano, consolidando um cenário de receitas reduzidas para o clube.

Baptista também mencionou que a medida pode afetar a dinâmica de receitas do futebol brasileiro como um todo. Segundo o dirigente, clubes brasileiros podem sofrer enfraquecimento competitivo em comparação com rivais argentinos, que contam com estruturas de receitas diferentes. Além disso, a proibição pode prejudicar também os esportes olímpicos, ampliando o alcance negativo da decisão governamental.

O presidente ainda alertou que o Flamengo pode ser obrigado a devolver valores já recebidos da Betano caso a proibição seja retroativa, agravando ainda mais a situação financeira. Esse cenário tornaria impossível cumprir obrigações contratuais sem buscar alternativas drásticas de financiamento ou renegociação de dívidas já assumidas.