A Betano avisou o Flamengo, de forma informal, sobre a possibilidade de rescindir o contrato de patrocínio máster. O motivo seria uma eventual proibição das casas de apostas no Brasil. Até o momento, não houve notificação oficial. Contudo, o Rubro-Negro já começou a cogitar substitutos.
O vínculo entre Mengão e Betano foi assinado no ano passado e garante receita fixa de R$ 268 milhões por temporada. A duração inicial vai até o fim de 2028, marcando o maior acordo de patrocínio do futebol brasileiro. O acordo, porém, não é blindado contra mudanças na legislação.
O contrato entre as partes prevê diferentes cenários em caso de alteração na lei das apostas esportivas. Se houver aumento de imposto sobre as casas de apostas, o valor pago pela Betano pode cair. Da mesma forma, um veto ao jogo on-line, como o cassino virtual, também reduziria o montante repassado ao clube. A patrocinadora deixou claro que essas mudanças legais representam risco real para a continuidade do patrocínio.
Lubrax e setor bancário como alternativas
A Lubrax é apontada como uma alternativa forte para o posto principal. A empresa fechou contrato para a parte superior das costas do uniforme por cerca de R$ 24 milhões. Entretanto, a marca já avisou o Flamengo que tem interesse no espaço máster e pede prioridade na fila, caso a saída da Betano se confirme.
O Mais Querido também conversa com o setor bancário, de olho em uma possível troca no patrocínio das mangas, hoje com o Banco BRB. A instituição de Brasília atravessa uma crise financeira grave, mas manteve o contrato com o clube por mais um ano. Apesar disso, o acordo é questionado na Justiça, e o setor bancário aparece como outro candidato ao espaço máster.
Impacto financeiro de até 20% na receita
A avaliação interna do clube é de que o fim dos patrocínios ligados às apostas tiraria até 20% da receita prevista. Desse total, 15% vêm do contrato com a Betano, enquanto os outros 5% pertencem ao acordo com a Brax. Essa segunda parceria envolve placas ao redor do gramado, com forte relação com a publicidade de apostas. Perder ambas as receitas representaria um rombo significativo nas finanças rubro-negras.
O cenário deixa claro por que o clube está em movimento. Mesmo sem ter certeza de que a proibição virá, a possibilidade de perder R$ 268 milhões anuais da Betano, somada aos 5% da Brax, exige que o Flamengo tenha planos alternativos prontos. As conversas com Lubrax e o setor bancário não são apenas exploratórias — são preparação para uma crise de receita que pode chegar.
A questão do patrocínio máster é estratégica também para o mercado. Empresas que ocupam esse espaço ganham visibilidade global em toda transmissão de jogos. Perder a Betano significaria não apenas um vazio financeiro, mas também a necessidade de convencer outra marca a ocupar o lugar da maior casa de apostas do Brasil.
O debate sobre proibição das bets no Brasil
O debate sobre as apostas ganhou força depois de o presidente Luiz Inácio Lula da Silva sinalizar o fim das casas de apostas no país. Segundo apuração da imprensa, o Governo Federal prepara uma medida provisória para restringir ou banir a publicidade das bets, inclusive nos patrocínios esportivos. Mesmo assim, o texto final da proposta ainda não foi apresentado oficialmente.
A indefinição é justamente o que deixa o Flamengo em estado de alerta. Sem saber exatamente como a lei será formulada, o clube não pode calcular com precisão o impacto financeiro. Uma proibição total eliminaria a Betano. Uma restrição de publicidade poderia manter a patrocinadora, mas com montante reduzido. Uma medida com taxação mais alta seguiria o mesmo caminho.
O Rubro-Negro conhece bem o cenário internacional. Em outros países, restrições às apostas já causaram reestruturações em patrocínios de clubes. Aqui, o setor é mais recente, mas a preocupação é legítima. Flamengo não pode deixar sua estrutura financeira à mercê de uma decisão governamental que ainda está em elaboração.
A comunicação informal da Betano é sinal de que a patrocinadora também está preocupada e quer dar ao clube tempo para se preparar. Não é um rompimento anunciado, mas um aviso prévio. O Flamengo, por sua vez, entendeu o recado e começou a trabalhar as alternativas. Quanto mais rápido encontrar substitutos viáveis, melhor posicionado estará caso o pior cenário se concretize.

Edmilson Lani é o responsável editorial do Flamengo RJ. Atua na curadoria, revisão e publicação de conteúdos do site, acompanhando de perto o noticiário do clube, os bastidores, o mercado da bola, os jogos e as análises do dia a dia. O site também utiliza fluxos de automação e ferramentas de apoio editorial no processo de produção, sempre sob supervisão humana sobre o conteúdo publicado.