Boto defende Arrascaeta e explica por que uruguaio nunca saiu para Europa

José Boto colocou o Flamengo acima do Crystal Palace ao explicar a permanência de Arrascaeta na América do Sul. Em entrevista à ESPN, o diretor de futebol chamou a não ida do uruguaio à Europa de “inexplicável” e defendeu que, no auge físico, o meio-campista estaria entre os cinco maiores clubes do continente europeu.

A declaração surpreende porque toca num ponto sensível do Mengão: como um jogador de tanta qualidade nunca saiu para o mercado europeu. Boto não evita a questão, pelo contrário, a traz para si.

“Essa é uma pergunta que eu me faço várias vezes e também tenho essa responsabilidade, pois trabalhei em clubes europeus, por não ter enxergado o valor de Arrascaeta. Ele é um dos maiores jogadores de descobrir espaços que eu já vi. Talvez ele nunca teve muita mídia, talvez a idade. No futebol europeu, jogadores com 24, 25 anos, já não vale mais tantos milhões. É um pouco inexplicável um jogador com a classe que ele tem não ter atuado na Europa. Ele já teve algumas possibilidades, mas não é fácil contra o Flamengo, com todo respeito ao Cristal Palace, fazer uma troca justa dessa. No auge físico dele, Arrascaeta jogaria nos cinco maiores clubes da Europa”, afirmou Boto.

O ponto de Boto é direto: ainda que o Crystal Palace tenha feito uma aproximação, a janela de oportunidade pode ter fechado por conta da idade e porque o Flamengo não abre mão facilmente de um de seus principais ativos. O uruguaio tem 30 anos e está no auge da carreira, circunstância rara no futebol moderno.

A trajetória que mantém Arrascaeta na América do Sul

Desde a chegada ao Flamengo em 2019, o camisa 10 do Mais Querido empilhou títulos que o consolidaram como um dos maiores jogadores da história rubro-negra. Duas Libertadores, duas Copas do Brasil e três Brasileirões definem um período de dominância no continente.

Antes de chegar ao Rio de Janeiro, Arrascaeta passou por Defensor, no Uruguai, e depois pelo Cruzeiro entre 2015 e 2019. Uma carreira inteira na América do Sul, sem passagem europeia — um trajeto incomum para um jogador de seu calibre.

Nesta temporada, o uruguaio foi convocado para a segunda Copa do Mundo como representante do Uruguai, novo destaque em um currículo que mistura clube e seleção. Mas o caminho até Chapecó não foi simples.

Recuperação encerrada e volta à disposição

Arrascaeta retornou de uma lesão muscular sofrida nos treinamentos da seleção uruguaia. Após a pausa da Copa do Mundo, o meio-campista deu continuidade ao trabalho de recuperação e agora treina normalmente junto aos companheiros do elenco rubro-negro.

A tendência, segundo os fatos de contexto, é que comece como opção no banco. Um retorno gradual para um jogador que, quando em campo, transforma os números do Flamengo no Brasileirão. Com Arrascaeta, o aproveitamento sobe para 70%; sem ele, cai para 43%. É um acréscimo de 27 pontos percentuais que mostra o peso real do uruguaio na engrenagem ofensiva do Mengão.

Os números são ainda mais eloquentes quando se olha para gols. Nos dez jogos em que atuou, o time marcou 21. Nos sete sem ele, apenas 10. Entre 17 partidas do Brasileirão, foram sete vitórias com Arrascaeta e três sem ele.

Essa diferença explica por que Boto não flexibiliza negociações com clubes europeus. Arrascaeta não é apenas um jogador de qualidade; é um multiplicador de eficiência ofensiva que o Flamengo não pode deslocar com facilidade.

O confronto desta quarta-feira (22) em Chapecó, na Arena Condá, marca o retorno do Flamengo à briga pelo Brasileirão. A bola rola às 21h30, com transmissão da Rede Globo e Premiere. Mesmo que Arrascaeta saia do banco, sua presença na delegação sinaliza que o rubro-negro recupera uma de suas principais peças para o segundo semestre.