Defesa de Bruno Henrique recorre ao STJ e STF contra denúncia de estelionato

A defesa de Bruno Henrique apresentou novos recursos ao Tribunal de Justiça do Distrito Federal e dos Territórios (TJDFT) na segunda-feira (30 de junho) pedindo que o Superior Tribunal de Justiça (STJ) e o Supremo Tribunal Federal (STF) analisem a denúncia por estelionato que recai sobre o atacante do Flamengo. Os advogados apontam erro processual no recebimento da acusação e argumentam que não há base jurídica para o processo continuar.

O ponto central da contestação é uma exigência legal que a defesa considera fundamental: para investigar um suspeito por estelionato nesse tipo de caso, as casas de apostas precisam registrar uma reclamação oficial. Segundo os defensores, isso nunca ocorreu, o que tornaria a acusação nula desde o princípio.

O TJDFT, porém, já se posicionou contrário a esse argumento. O tribunal rebateu afirmando que a reclamação oficial é desnecessária neste caso porque as empresas de apostas emitiram alertas de fraude para órgãos internacionais de integridade. Para a corte, esses comunicados deixam claro que as operadoras querem o jogador investigado, dispensando a formalidade de uma reclamação direta.

O cartão amarelo que virou investigação

O caso originou-se em setembro de 2023, na reta final do Brasileirão. Bruno Henrique recebeu um cartão amarelo em partida disputada contra o Santos em Brasília. O detalhe que chamou atenção dos sites de apostas foi o número elevado de palpites apostados especificamente para que o camisa 27 recebesse aquela advertência.

Após emissão de comunicados de fraude, o Flamengo enfrentou a acusação de que o atacante teria praticado manipulação esportiva. A situação foi séria o suficiente para que Bruno Henrique precisasse de efeito suspensivo judicial apenas para se manter em campo pelo Rubro-Negro durante esse período.

Conforme as investigações avançaram, a defesa conquistou uma vitória importante: conseguiu atenuar a pena sob o argumento de que o atleta não se beneficiou financeiramente da ação. Adicionalmente, ficou documentado que o próprio Flamengo havia orientado o jogador a levar o terceiro cartão amarelo naquele momento para evitar uma suspensão em partida mais decisiva na sequência do campeonato.

A multa de R$ 100 e as mensagens trocadas

Ainda assim, Bruno Henrique recebeu multa de R$ 100 pela Justiça. A decisão se baseou no entendimento de que o ponta havia passado informação privilegiada que beneficiou financeiramente seu irmão de sangue, Wander Junior, e outros apostadores.

As mensagens trocadas entre os dois ajudaram a desmontar a tese de manipulação intencional. Segundo análise feita durante o processo, quando Wander questionou o irmão sobre o cartão, Bruno Henrique chegou a se irritar com a pergunta, evidenciando que não havia combinação prévia para tal. Nas mensagens fica claro como o atleta não tinha a menor intenção de uma suposta manipulação esportiva.

Essa defesa amparada em fatos concretos das conversas contrasta com narrativas mais superficiais que surgiram na época. Rivais aproveitaram para rotular o jogador genericamente, sem acompanhar as etapas processuais. Para alguns é fácil chamar o camisa 27 de malandro sem ter visto os detalhes do que realmente aconteceu, o que evidencia como o caso polarizou opiniões sem fundamentação jurídica sólida.

Bruno Henrique segue em campo pelo Mais Querido

Enquanto o processo segue sua marcha pelo sistema judicial brasileiro, Bruno Henrique mantém-se ativo no elenco. O atacante embarcou junto aos demais companheiros para Portugal no final de junho, onde participa de amistosos pelo Troféu do Algarve.

O Flamengo enfrenta River Plate no dia 3 de julho, Lausanne-Sport no dia 8 e Benfica no dia 11, em calendário de manutenção física durante a pausa da Copa do Mundo. Nove jogadores do elenco principal não viajaram para Europa por estarem convocados à competição internacional: Arrascaeta, Varela, De La Cruz, Léo Pereira, Alex Sandro, Lucas Paquetá, Danilo, Plata e Carrascal.

Antes de embarcar, Bruno Henrique participou da última atividade do clube em solo brasileiro: um jogo-treino contra o Bonsucesso no CT George Helal, onde marcou o gol da vitória em cobrança de pênalti. O atacante vem rendendo bem na temporada, com participação importante nas rodadas iniciais da Libertadores 2026.

Na competição continental, Bruno Henrique e seu parceiro Arrascaeta somam 58 participações em gols pelo Rubro-Negro. O ponta já entrou em campo duas vezes nas fases iniciais da Libertadores, contabilizando dois gols e uma assistência. Marcou de cabeça em Cusco contra o Sporting Cristal em 8 de abril e, no Maracanã, balançou a rede contra o Independiente Medellín no primeiro tempo, além de ter iniciado a jogada que resultou no segundo gol de Arrascaeta.

Enquanto os recursos tramitam pela Justiça, o jogador segue cumprindo seu papel no elenco da Nação rubro-negra, lutando em campo pelos objetivos da temporada mesmo com a questão processual ainda em aberto nos tribunais superiores.