CBF levará gramados sintéticos à pauta de reunião com clubes da Liga

A CBF deve levar à próxima reunião com os clubes sobre a Liga a discussão sobre limitar ou até proibir gramados sintéticos nas competições nacionais. O encontro, marcado inicialmente para terça-feira (3 de novembro), foi adiado porque seis equipes participarão de uma audiência pública no Supremo Tribunal Federal sobre casas de apostas. A pauta pode resultar em mudanças significativas para cinco estádios da Série A de 2026.

Segundo informações da ESPN, o tema interessa especialmente ao Flamengo, que desde novembro de 2025 defende o fim do piso artificial. Luiz Fux, ministro e relator das ações relacionadas à medida provisória que proibiu as bets, marcou a sessão para as 10h na sala da Segunda Turma do STF. A lista de clubes convocados inclui Flamengo, Fluminense, Botafogo, Cruzeiro, São Paulo e Corinthians.

O Mais Querido foi protagonista da articulação interna sobre o tema. Em novembro de 2025, apresentou à CBF sugestões para o fair play financeiro que incluíam a eliminação dos gramados artificiais. Três semanas depois, em 8 de dezembro, entregou um documento técnico pedindo o fim do sintético na Série A, a definição de um padrão de qualidade para campos naturais e uma transição gradual até o fim de 2027.

No Conselho Técnico, três dias após a apresentação do documento, a maioria dos clubes apoiou a suspensão da homologação de novos gramados sintéticos. O Flamengo comemorou a decisão em nota oficial. Em sentido contrário, os cinco clubes que utilizam o piso divulgaram uma manifestação conjunta defendendo essa tecnologia como solução para a manutenção de campos em bom estado.

Cinco estádios seriam atingidos por eventual restrição

Uma eventual limitação ou proibição do sintético atingiria diretamente os estádios de Athletico-PR, Atlético-MG, Botafogo, Chapecoense e Palmeiras, que jogam em campos artificiais na Série A de 2026. A mudança demandaria regras específicas para adaptação dessas equipes, incluindo prazos e investimentos necessários para a substituição dos pisos.

O debate sobre o tema ganhou força após ações recentes envolvendo técnicos. Na quinta-feira (29 de outubro), o Mengão optou por não escalar De La Cruz no clássico com o Vasco, disputado no gramado sintético do Estádio Nilton Santos, e venceu por 4 a 1. Após a partida, Leonardo Jardim declarou que prefere um campo natural de boa qualidade e relacionou o piso artificial a um maior desgaste físico dos atletas.

No domingo (1º de novembro), Abel Ferreira, técnico do Palmeiras, contestou a posição de Jardim em declaração pública. Para ele, a condição ruim de muitos campos naturais explica por que há preferência pelo sintético entre diversos clubes brasileiros. O embate entre os técnicos reflete a divisão que existe na Série A sobre o tema.

Cronograma de discussões sobre a Liga continua

A discussão sobre os gramados deve ser retomada após a audiência pública no STF, em data ainda a ser marcada pela CBF. A entidade não anunciou decisão sobre os pisos nem prazos para eventuais mudanças. A reunião faz parte de um cronograma mais amplo de discussões iniciado em 6 de abril de 2026, quando a CBF reuniu equipes das Séries A e B com federações estaduais para debater a formação de uma liga única.

Desde então, as reuniões passaram a abordar assuntos específicos da futura competição. Em agosto, CBF e clubes aprovaram regras de arbitragem adotadas na Copa do Mundo. Em 21 de setembro, os clubes decidiram reduzir, de nove para cinco até 2030, o número máximo de estrangeiros por partida. O Flamengo, Bahia e Londrina foram contrários à alteração, mas não conseguiram impedir sua aprovação.

A agenda de discussões mostra que a CBF busca padronizar regras e condições para a competição nacional. A questão dos gramados sintéticos representa um dos temas mais divisivos, com posições antagônicas entre clubes que investiram em pisos artificiais e aqueles que defendem campos naturais de qualidade. A Nação rubro-negra segue atenta ao desfecho dessas negociações, que devem moldar as condições competitivas da Série A nos próximos anos.