Everton Cebolinha comunicou à diretoria do Flamengo que não pretende cumprir o contrato até dezembro. A movimentação do atacante abriu uma sequência de negociações confusas que expõe, em poucas horas, duas posições radicalmente opostas: primeiro, o clube negocia rescisão amigável para economizar R$ 7 milhões; depois, a mesma diretoria fecha a porta e reafirma que o jogador vai ficar.
De acordo com o jornalista Thiago Rodrigues, o Flamengo iniciou tratativas diretas com Cebolinha para uma saída em comum acordo. O objetivo era evitar o desembolso de R$ 7 milhões referentes aos salários restantes até o encerramento do vínculo. A estratégia da cúpula rubro-negra era minimizar prejuízo financeiro abrindo mão de compensação maior para aliviar a folha salarial nos próximos meses.
Porém, em apuração posterior realizada por reportagem que entrou em contato direto com membros da alta cúpula do departamento de futebol, a resposta foi enfática: “Tem contrato e vai cumprir”. A declaração nega qualquer processo de interrupção de vínculo entre o atacante e o Rubro-Negro. Cebolinha segue nos planos da instituição, frustrando expectativas de clubes que monitoravam a situação do jogador na esperança de uma liberação sem custos de transferência.
Queda de rendimento acelerou o desgaste
A situação de Cebolinha piorou drasticamente após a chegada de Leonardo Jardim ao comando técnico do Flamengo. O atacante perdeu espaço significativamente e teve seu rendimento questionado pela comissão técnica. Na temporada de 2026, o jogador acumula 18 partidas, 772 minutos em campo e média de 42 minutos por jogo, com apenas três gols e uma assistência. Os números estão longe da regularidade esperada para um investimento que custou aproximadamente R$ 73 milhões (16 milhões de euros) quando chegou ao clube em 2022.
O técnico Jardim se irritou especialmente com a exibição de Cebolinha na vitória por 2 a 1 sobre o Vitória, em 22 de abril, quando o atacante foi praticamente invisível defensivamente. Aquele confronto foi apontado internamente como ponto de ruptura entre o jogador e a comissão técnica. As sinalizações de redução de minutos que vieram depois ecoaram nos bastidores e chegaram aos ouvidos do atacante e seu entorno.
Diversos clubes brasileiros já monitoram a situação. Corinthians, Grêmio, Cruzeiro e Fluminense acompanham os desdobramentos para avaliar uma possível investida. O Corinthians surge como o destino mais provável para o camisa 11, identificando em Cebolinha o perfil ideal para suprir carência de velocidade pelos lados do campo. Para os interessados, a contratação representa uma oportunidade de mercado, uma vez que o jogador poderia chegar sem custos de transferência, dependendo apenas do acerto salarial.
Flamengo recoloca multa como barreira
O posicionamento final da diretoria é claro: para que Cebolinha deixe o Ninho do Urubu, o Corinthians ou outro clube interessado deverá arcar com os valores previstos na multa contratual. A alternativa de rescisão amigável foi descartada publicamente, reforçando que não há qualquer negociação em curso para facilitar a saída do atleta.
Dessa forma, uma transferência para rivais da Série A ou para o exterior torna-se improvável sem investimento financeiro direto. O Flamengo prefere uma venda ao exterior com compensação financeira do que uma rescisão doméstica que aliviasse apenas a folha de pagamento. A diretoria entende que, apesar das oscilações técnicas, Everton é um ativo importante do plantel e compõe o elenco para a sequência da temporada em fases decisivas da Libertadores e do Campeonato Brasileiro.
O vínculo de Cebolinha com o Flamengo vai até dezembro de 2026. Até julho, o clube mantém capacidade legal de exigir indenização por qualquer transferência; após esse prazo, há possibilidade de o jogador assinar pré-contrato com outro clube. A delegação rubro-negra embarca para a Argentina nas próximas horas para o duelo contra o Estudiantes de La Plata, nesta quarta-feira (29), pela terceira rodada da Copa Libertadores. Cebolinha segue integrado à rotina no CT Ninho do Urubu e terá, nos próximos meses, a oportunidade de provar seu valor técnico e justificar a confiança de uma diretoria que optou por bancar sua permanência mesmo diante do assédio de outros clubes brasileiros.

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