O Conselho Deliberativo do Flamengo aprovou, na noite de terça-feira, a renovação do contrato de patrocínio com a Shopee até o fim de 2027. A votação resultou em 287 votos favoráveis, dois contrários e duas abstenções. A marca continuará estampada nas mangas das camisas dos times masculino, feminino e sub-20.
O novo acordo eleva o investimento anual para R$ 14 milhões, um aumento de R$ 1 milhão em relação a 2026. A participação do Mais Querido nas vendas de produtos pela plataforma também sobe de 5% para 8%, reforçando a importância comercial da parceria para o clube.
A renovação reflete a solidez da relação entre o Mengão e a plataforma chinesa. Duas edições anteriores da terceira camisa desenvolvida em parceria já foram sucesso de vendas, segundo avaliação da diretoria. A mais recente peça é predominantemente preta, com listras tom sobre tom, acabamentos vermelhos e escudo náutico com remos e âncora. O verso traz a inscrição “Tua Glória é Lutar”, referência ao primeiro hino rubro-negro, e será vendida exclusivamente no aplicativo por R$ 89,90, o menor preço da parceria até agora.
Landim volta ao palco e confronta Bap sobre finanças
A reunião também marcou o retorno de Rodolfo Landim à vida política do Mengão, após conseguir na Justiça o direito de voltar depois de ter sido expulso pela atual gestão. Quando Landim subiu ao palco para discursar, o presidente Luiz Eduardo Baptista se levantou e deixou o salão, deixando explícito o clima de tensão entre os dois.
Landim retomou suas cobranças e questionou como a diretoria pagará as premiações aos jogadores caso conquistem o Campeonato Brasileiro. A provocação toca em um ponto sensível: a situação financeira do clube está mais apertada do que o esperado. Desde que Bap assumiu o comando no início de 2025, ele não havia deixado de discursar em uma reunião do Conselho Deliberativo até este momento.
A questão levantada por Landim ganha peso quando considerado o cenário projetado pela diretoria. Uma revisão orçamentária recente reduziu a previsão inicial de R$ 180 milhões positivos para um cenário de R$ 40 milhões negativos — uma diferença de aproximadamente R$ 220 milhões. Bap já havia sinalizado uma postura ultraconservadora para a primeira janela de transferências de 2027.
Déficit esperado e arrecadação com vendas de jogadores
O balancete do terceiro trimestre de 2026, divulgado na sexta-feira anterior, confirmou as dificuldades financeiras. Embora a atual gestão tenha afirmado que as receitas recorrentes avançaram e que a dívida segue em níveis considerados administráveis, houve frustração de receitas e investimentos no futebol. O cenário apontado pelo Conselho de Administração já havia sido criticado por conselheiros.
Para enfrentar o déficit esperado em 2026 e recuperar as finanças, o clube pretende arrecadar entre €40 e €45 milhões com a venda de jogadores. Essa estratégia é parte central do plano de recuperação financeira traçado pela diretoria. Na primeira janela de 2027, a postura será essencialmente defensiva: o Flamengo buscará apenas reforços livres, sem investir em direitos econômicos de atletas.
O próprio Bap admitiu erro na negociação de Wallace Yan com o Bragantino. O volante foi transacionado por €6 milhões mais um jogador da base, mas o presidente reconheceu que recusou uma oferta inicial de €10 milhões — uma perda significativa em momento de ajuste orçamentário.
A aprovação da renovação com a Shopee representa, portanto, um alento financeiro imediato, mas não resolve as tensões políticas internas nem a necessidade de saneamento das contas do Mais Querido nos próximos meses.

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