Danilo explica a fórmula brasileira que transforma meio-campistas em laterais históricos

Danilo explicou em entrevista ao The Athletic por que o Brasil produz tantos laterais históricos. O defensor do Flamengo, que segue para mais uma Copa do Mundo como lateral da Seleção Brasileira, apontou um padrão curioso na formação dos jogadores brasileiros da posição.

Segundo Danilo, a maioria dos laterais no Brasil começa a carreira como meio-campista ou atacante. Em algum momento da trajetória, alguém reconhece qualidade no atleta, mas não exatamente aquela necessária para o posicionamento original. É quando acontece o deslocamento para as pontas.

“A maioria dos laterais no Brasil começa a carreira como meio-campista ou atacante. Em algum momento, alguém diz: ‘Ok, você tem qualidade, mas não essa qualidade para jogar ali no meio’. Então esses jogadores são deslocados para a lateral, onde parece mais fácil porque há mais tempo e mais espaço. Isso acontece porque, no futebol atual, a maioria das equipes pressiona pelo centro do campo e acaba deixando os lados mais livres.”

A observação de Danilo toca num ponto fundamental da dinâmica do futebol moderno. Enquanto o meio-campo concentra pressão ofensiva e defensiva, as laterais ganham espaço pela forma como as equipes se organizam taticamente. Jogadores com habilidades diversas encontram ali um ambiente onde conseguem expressar suas qualidades sem a intensidade do setor central.

Os nomes que fizeram história na lateral brasileira

A história do Brasil na lateral é, de fato, repleta de jogadores que marcaram época. Pela direita, o país produziu Carlos Alberto Torres, Cafu, Djalma Santos, Leandro e Daniel Alves — nomes que atravessaram gerações e deixaram legado profundo no futebol mundial. Do lado esquerdo, a lista não é menor: Marcelo, Roberto Carlos, Júnior, Branco e Nilton Santos compõem um acervo que poucos países conseguem rivalizar.

Danilo segue essa tradição. Com 293 atuações como lateral-direito na carreira, o defensor rubro-negro consolidou-se como uma referência na posição. Sua experiência acumulada, incluindo passagens por grandes clubes europeus e agora pelo Mengão, o coloca entre os nomes de confiança da Seleção Brasileira para a Copa do Mundo.

Carlo Ancelotti, técnico do Brasil, demonstrou clara preferência por Danilo para a lateral-direita. O comandante considera o jogador um homem de confiança no elenco, escolha que reflete tanto a experiência quanto a versatilidade defensiva que o lateral oferece em torneios de alto nível.

A estreia contra Marrocos com Danilo e Alex Sandro nas laterais

A Seleção Brasileira estreia na Copa do Mundo neste sábado, 13 de junho, com Danilo na direita e Alex Sandro na esquerda. O duelo contra Marrocos acontece às 19h (horário de Brasília), em Boston, marcando o início da jornada do Brasil pelo torneio.

A dupla de laterais representa continuidade tática para o Mengão. Ambos chegam à Copa com rodagem internacional e entendimento claro de seus papéis nas estruturas defensivas e de transição que Ancelotti implementa. A escolha de manter esses nomes afasta possíveis experimentações com zagueiros convertidos — como foi cogitado antes do corte de Wesley por lesão muscular na coxa.

Ibañez, zagueiro de formação que atuou apenas oito vezes como lateral-direito na carreira, havia aparecido como alternativa após a saída de Wesley. Sua única experiência recente na posição ocorreu no segundo tempo do amistoso contra o Egito, em 6 de junho. A escolha de Danilo, porém, evidencia a confiança do técnico em nomes com trajetória consolidada e experiência comprovada em campeonatos decisivos.

A estreia contra o Marrocos será o primeiro teste do Brasil na Copa. Danilo, com sua leitura de jogo refinada e capacidade defensiva reconhecida internacionalmente, assumirá a responsabilidade de uma das laterais mais exigidas do torneio, numa posição que o Brasil transformou em marca registrada ao longo de suas vitórias históricas.