Fomos eficazes!
Clássico é clássico e vasco-versa.
Mas há quanto tempo não há uma troca de placares entre Flamengo e Vasco?! Creio que há, pelo menos, uns dez anos, quando o processo de botafoguização do Vasco começou a se acentuar.
Na transmissão do Clássico dos Milhões, Edmundo deu a entender que o Vasco não jogou para perder de 4×1. E eu concordo com o Edmundo: o Vasco não jogou para perder de 4×1. O problema é que o Flamengo, sim, jogou para vencer por 4×1. Como o Flamengo é bastante superior, o resultado foi justo.
Os Vices estavam escalados e armados para jogar no contra-ataque. E até empataram o jogo e ameaçaram fazer uma palhaçadinha ou outra. Só que, por outro lado, cometeram um erro crucial: deram espaços ao Mengão. Este erro não só mata como enterra e ainda abre o inventário do adversário. Quem deixa Arrascaeta, Samuel Lino, Plata e até Léo Ortiz criar, geralmente é punido com uma derrota severa.
Pedro, finalmente, desencantou. Não que vinha jogando mal. Longe disso. Só que o Pedrão estava numa zica terrível. Resolveu isso ontem. Além dele, Lino mostrou que é o jogador mais importante do time desses últimos jogos. Encaçapou logo duas e fez justiça à belíssima jogada do Léo Ortiz ao fazê-la terminar em gol.
Minha confiança no decacampeonato é real! Se fizermos o dever de casa direitinho, podemos ser campeões lá na casa do Palmeiras, o que teria um sabor de manjar dos deuses.
Fomos eficientes!
O resumo da partida contra o Atlético/MG foi a de um jogo muito esquisito, com uma boa dose de sorte em meio a um tropeço imerecido, que parecia certo.
Flertamos com o inesperado perigosamente. Em certo momento da partida, eu achei que o Mengo deslancharia e faria logo o terceiro e até o quarto gol. Mas o tal do Renan Lodi meteu um golaço e aí veio um momento curioso: o técnico deles melhorou o time, o nosso técnico piorou o time.
É inacreditável que o Flamengo seja recheado de opções, com o melhor elenco do Brasil, e o Leonardo Jardim consegue piorar o time sem saber usar as peças que tem!
Carrascal, Paquetá e, principalmente, a Avenida Ayrton Lucas entraram mal; em contrapartida, Plata, sempre bem contra o Galo, saiu cedo demais. Está devendo horas no trabalho por culpa da chefia o nosso querido baladeiro equatoriano. Arrascaeta fez uma partida boa também e só não digo que saiu cedo porque está voltando da inatividade. E lá vem data-Fifa de novo! Oh, céus!
Léo Pereira, como diz meu amigo Lemos, com razão, é um injustiçado. Até por mim. Sempre joga bem, é nosso melhor zagueiro e erra pouco. Mas, quando erra, apontam-lhe o dedo. A torcida, eu inclusive, demorou para digerir o Léo Pereira e ele mostrou que ninguém é recomendado por Jorge Jesus à toa.
Se o namorado da Karol pastelou no primeiro gol dos caras, foi a partir dele que nasceu o pênalti redentor, no último lance da partida. Um pênalti em que ocorreu uma situação rara: o infrator admitiu que fez a falta. Parabéns ao Lodi, pela sinceridade! Pena que essa sinceridade não foi suficiente para alguns comentaristas antis duvidarem do acerto da marcação. É brincadeira, viu…
Carrascal converteu a penalidade com perfeição (eu tremi quando ele pegou a bola para cobrar) e, depois, o assoprador de apito inventou mais um minuto de acréscimo indevido.
Enfim: vitória justa, suada e de campeão!
Isso aqui não é Fluminense!
Felizmente, a Conmebol rejeitou a ação do Flamengo e manteve o Estudiantes na final da Libertadores. Vergonhoso nosso Mengão Doutrinador ter ao menos cogitado essa ideia.
Sempre fui terminantemente contrário ao tapetão e, como decorrência, à alteração de um resultado de campo nos tribunais. Existe um princípio no direito desportivo chamado “pro competitione”, isto é, “a favor da competição”, em que os campeonatos esportivos devem seguir seu curso regular, priorizando que os resultados sejam decididos em campo, e não nos tribunais.
Se houve escalação irregular, que, no caso, não me parece, pois foi amparada por uma liminar, que se puna o jogador e o clube. Multa, suspensão, perdas e danos ou sei lá que diabos, mas jamais alterar na toga o que foi definido no estádio – situação diversa, claro, é quando o jogo não acontece, como entre Ind. Medellín x Flamengo, na fase de grupo.
Isso aqui não é Fluminense! Isso aqui é Flamengo, ora bolas!
Isto posto,
Saudações Rubro-Negras!

Ricardo Santoro Nogueira, 39 anos, casado, nascido em Brasília/DF, é advogado e exageradamente flamenguista. Herdou de seu pai este viciante hábito de ocupar 90 min. assistindo ao Mais Querido. É fã de Zico, Adriano, Arrascaeta e Bruno Henrique, entre outros que também mereceriam destaque. Quase morreu em 2019, mas passa bem.