Flamengo 2026: dois vices, elenco contestado e um Paquetá que ainda não encaixou — o que está acontecendo no Ninho do Urubu?

O Flamengo entrou em 2026 como campeão brasileiro, da Libertadores e do Carioca. Dois meses depois, o cenário é de crise aberta. Dois vices em decisões, protestos da torcida organizada no CT e até na porta de festas de jogadores, um técnico sob pressão crescente e a contratação mais cara da história do clube ainda sem render. O que parecia ser uma temporada de consolidação virou uma novela de incertezas — e a Nação quer respostas.

O Flamengo entrou em 2026 como campeão brasileiro, da Libertadores e do Carioca. Dois meses depois, o cenário é de crise aberta. Dois vices em decisões, protestos da torcida organizada no CT e até na porta de festas de jogadores, um técnico sob pressão crescente e a contratação mais cara da história do clube ainda sem render. O que parecia ser uma temporada de consolidação virou uma novela de incertezas — e a Nação quer respostas.

Supercopa e Recopa: duas finais, nenhum título

O primeiro tropeço veio cedo. Em janeiro, o Flamengo perdeu a Supercopa do Rei para o Corinthians, desperdiçando a chance de abrir a temporada com taça. Um mês depois, a Recopa Sul-Americana contra o Lanús escancarou os problemas.

Após perder por 1 a 0 na Argentina, o Rubro-Negro precisava de uma virada no Maracanã. E quase conseguiu: Arrascaeta e Jorginho, ambos de pênalti, viraram o jogo para 2 a 1. Mas uma falha bizarra de Rossi e Ayrton Lucas no primeiro tempo — que resultou no gol de Castillo com o gol vazio — e o apagão na prorrogação selaram o vice. Canale e Aquino marcaram nos minutos finais do tempo extra, calando os mais de 64 mil torcedores presentes.

O placar agregado de 4 a 2 para o Lanús expôs fragilidades que não combinam com um elenco avaliado em centenas de milhões de reais.

Filipe Luís: de herói a questionado

Filipe Luís chegou à marca de 100 jogos como treinador do Flamengo justamente na final da Recopa. O presente foi uma vaia ensurdecedora. Após uma temporada 2025 brilhante — com Brasileirão, Libertadores e Carioca —, o técnico enfrenta as primeiras cobranças pesadas.

As críticas se concentram em dois pontos. Primeiro, a gestão do meio-campo: com Paquetá, Arrascaeta, Jorginho, De la Cruz, Carrascal, Pulgar e Evertton Araújo disputando espaço, a escalação muda a cada jogo e ninguém sabe ao certo quem é titular. A falta de uma formação definida gera desconforto no elenco e imprevisibilidade tática. Segundo, a demora nas substituições nas decisões — especialmente a insistência em não começar com Pedro como referência de área, algo que a torcida exigiu durante toda a Recopa.

Paquetá: R$ 260 milhões e ainda sem encaixe

Lucas Paquetá foi a contratação-bomba do Flamengo para 2026. O investimento de 42 milhões de euros — cerca de R$ 260 milhões — consumiu boa parte do orçamento da janela e gerou expectativa altíssima. Até agora, porém, o retorno não veio.

A imprensa argentina chegou a ironizar o desempenho do meia após a Recopa, comparando a derrota a um “Maracanazo moderno”. Nas redes sociais, a torcida flamenguista está dividida: parte pede paciência para a adaptação, outra questiona se o jogador conseguirá render no esquema de Filipe Luís. O fato é que Paquetá ainda não encontrou sua posição ideal — ora aparece no meio, ora é deslocado para a ponta — e a obrigatoriedade de escalá-lo por causa do investimento comprime as opções do treinador.

Torcida ultrapassa o limite: protestos no CT e em festas

O clima esquentou fora de campo. No sábado após a eliminação na Recopa, torcedores organizados fizeram protesto na porta do CT Ninho do Urubu, cobrando jogadores e comissão técnica. Mas a situação escalou quando integrantes da Torcida Jovem cercaram um condomínio no Rio de Janeiro durante uma festa do volante Evertton Araújo, tentando confrontar jogadores como Plata e Carrascal.

A mensagem era clara: enquanto o time perde finais, a torcida não aceita ver jogadores comemorando. A diretoria fechou os treinos para a imprensa na semana seguinte, tentando blindar o elenco e reduzir a pressão externa.

Cebolinha de saída, Evertton Araújo na mira da Europa

Em meio ao caos, o mercado da bola agita o Ninho. Everton Cebolinha declarou publicamente que não pretende renovar com o Flamengo ao fim de 2026, e o Palmeiras já monitora a situação para uma possível contratação sem custos de transferência.

Na direção oposta, Evertton Araújo — um dos poucos destaques individuais neste início de temporada — despertou o interesse do Bayer Leverkusen. A multa rescisória do volante é de 60 milhões de euros (cerca de R$ 363 milhões), e a diretoria sinalizou abertura para negociar na janela do meio do ano, desde que os valores sejam satisfatórios. Perder a joia da base no meio de uma crise seria mais um baque para a torcida.

Janela fechou sem centroavante

Para completar o cenário, a primeira janela de transferências de 2026 se encerrou sem que o Flamengo trouxesse o centroavante que era tratado como prioridade. O clube fez propostas por Kaio Jorge, conversou com Taty Castellanos e sondou Richarlison, mas o investimento pesado em Paquetá apertou o orçamento. Com apenas três reforços — o goleiro Andrew, o zagueiro Vitão e o próprio Paquetá —, a novela do camisa 9 fica para julho.

Carioca, Brasileirão e Libertadores: dá tempo de reagir?

Apesar da turbulência, a temporada está apenas começando. Nesta segunda-feira (02), o Flamengo enfrenta o Madureira pela volta da semifinal do Campeonato Carioca, com vantagem de 2 a 0 construída na ida. Uma classificação tranquila — com possível final contra o Fluminense — seria o primeiro passo para acalmar os ânimos.

Pela frente, Brasileirão a partir de março (com estreia contra o Cruzeiro dia 11), Copa do Brasil e Libertadores compõem um calendário pesado que exigirá não só qualidade técnica, mas estabilidade emocional. O elenco é forte. A questão é se a gestão do vestiário e as escolhas táticas conseguirão extrair o melhor de um grupo que, no papel, é candidato a tudo.

Para quem acompanha cada capítulo dessa temporada e gosta de apostar em futebol, o Flamengo oferece um dos cenários mais imprevisíveis do futebol brasileiro. Odds altas, reviravoltas constantes e um elenco capaz de surpreender para qualquer lado. Quem é da Nação sabe: no Mengão, nunca é entediante.

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