O Mengão segue mostrando números impressionantes em gramados sintéticos no Brasileirão 2026, mesmo sendo o principal crítico da adoção desse tipo de piso no futebol nacional. Após a goleada por 4 a 0 sobre a Chapecoense, na Arena Condá, quarta-feira (22), o time de Leonardo Jardim chegou ao terceiro triunfo em quatro jogos disputados sobre pisos artificiais.
Em quatro partidas em gramados sintéticos, o Rubro-Negro registra aproveitamento de 83,3% — três vitórias, um empate e nenhuma derrota. O diferencial, porém, vai além dos resultados: o ataque marcou 12 gols enquanto a defesa sofreu apenas um, mantendo uma superioridade ofensiva e consistência defensiva raramente vistas.
O retrospecto impecável do Mengão em pisos artificiais
Os números do Flamengo em gramados sintéticos no Brasileirão 2026 impressionam pela amplitude das goleadas. Botafogo foi derrotado por 3 a 0, Atlético-MG sofreu goleada de 4 a 0, e Chapecoense repetiu o placar de 4 a 0 na semana passada. O único tropeço chegou contra o Athletico Paranaense, que conseguiu arrancar um empate por 1 a 1 na Arena da Baixada.
Nem o detalhe de ter enfrentado adversários com realidades diferentes na tabela — alguns já fora da luta pelo título — explica totalmente a superioridade apresentada. O controle do jogo, a eficiência ofensiva e a solidez defensiva revelam uma equipe que sabe se adaptar e dominar em qualquer superfície.
A vitória mais recente, contra a Chapecoense, só confirmou um padrão já bem estabelecido. O time não apenas vence em sintético: vence de forma convincente, marcando muitos gols e permitindo poucos.
A postura institucional que transcende os resultados
Apesar desse desempenho extraordinário, a posição do Flamengo contra gramados sintéticos não muda. O clube oficializou proposta junto à CBF buscando banir o uso desse piso no futebol brasileiro, reafirmando que a discussão vai além de vantagens competitivas.
Em 2025, o presidente Bap explicou publicamente que a iniciativa nunca teve objetivo de conquistar vantagem esportiva. Segundo o dirigente, a adoção de gramados sintéticos em diversos estádios funcionou, em muitos casos, como alternativa para reduzir custos de manutenção — e não como solução voltada à qualidade do espetáculo ou à saúde dos atletas.
Essa coerência institucional ganhou reforço quando a Nação rubro-negra celebrou a decisão que suspendeu a instalação de novos gramados sintéticos até 2026. O clube emitiu nota salientando o compromisso com a excelência e a evolução do futebol brasileiro, ressaltando que a discussão envolve preservação ambiental e desenvolvimento técnico da competição.
A declaração oficial do Flamengo naquela ocasião sintetizou bem a filosofia: “O Clube de Regatas do Flamengo, fiel ao seu compromisso com a excelência e com a evolução do futebol brasileiro, saúda a decisão da maioria dos clubes da Série A, que, com visão de futuro e responsabilidade em relação ao espetáculo e à saúde dos atletas, decidiram pela suspensão imediata da homologação de novos gramados sintéticos na Série A.”
Por que a postura ganha ainda mais força
Justamente porque o Mais Querido possui um retrospecto extremamente favorável em pisos artificiais é que sua defesa pelo fim dos gramados sintéticos adquire peso moral. Se o objetivo fosse apenas obter vantagem competitiva, seria natural que o clube defendesse a manutenção desse tipo de superfície. Afinal, está comprovado que o time sabe jogar e vencer em sintético.
Contrasta com a tendência de diversos clubes que costumam ajustar suas narrativas conforme seus interesses individuais mudam. Aqui, não há contradição entre discurso e ação, entre convicção e conveniência. O Flamengo não muda de opinião porque está ganhando; mantém a postura porque acredita que ela beneficia o futebol como um todo.
Esse posicionamento também reflete uma visão maior sobre a infraestrutura nacional. Gramados de qualidade premium em todos os estádios, independentemente do tamanho financeiro de cada clube, elevaria o padrão técnico e a segurança dos jogadores em larga escala. A questão ambiental, igualmente importante, aponta para responsabilidade com gerações futuras.
O que vem pela frente
Com quatro jogos em pisos artificiais já disputados, o Flamengo segue sua campanha no Brasileirão 2026 mantendo tanto o desempenho em campo quanto a consistência institucional. Os próximos confrontos em gramados sintéticos, quando ocorrerem, continuarão sendo observados tanto pelos números quanto pela coerência que o clube demonstra manter.
Enquanto isso, a proposta apresentada à CBF segue em tramitação, e a suspensão de novas instalações até 2026 marca avanço na discussão sobre a qualidade dos pisos no futebol brasileiro. O Flamengo provou que domina em sintético — mas também provou que isso não o impede de defender que ninguém deveria precisar jogar em pisos artificiais.

Edmilson Lani é o responsável editorial do Flamengo RJ. Atua na curadoria, revisão e publicação de conteúdos do site, acompanhando de perto o noticiário do clube, os bastidores, o mercado da bola, os jogos e as análises do dia a dia. O site também utiliza fluxos de automação e ferramentas de apoio editorial no processo de produção, sempre sob supervisão humana sobre o conteúdo publicado.