Flamengo estampa ‘Proibir não é proteger’ contra Santos em protesto às bets

O Flamengo vai além do bloqueio imposto pela Medida Provisória nº 1.394/2026. Em vez de aparecer com a camisa vazia ou com fita cobrindo a marca da Betano, o Rubro-Negro estampará a frase “PROIBIR NÃO É PROTEGER” no espaço do patrocinador master durante o jogo contra o Santos, na quinta-feira (08), na Vila Belmiro, às 19h30. A ação integra um movimento coordenado entre clubes do Campeonato Brasileiro para protestar contra a proibição das apostas esportivas.

A decisão do Flamengo representa uma escalada no confronto institucional com o Governo Federal. Desde que as plataformas de bets saíram do ar na terça-feira (06), após o encerramento do prazo da Medida Provisória, o clube vem se posicionando publicamente contra a restrição. O presidente Luiz Eduardo Baptista criticou duramente os efeitos financeiros em entrevista à FlamengoTV, apontando os compromissos já assumidos com jogadores e os impactos imediatos no orçamento do futebol brasileiro.

O espaço em questão pertence à Betano, parceira comercial do Flamengo desde 2023 com contrato válido até dezembro de 2028. A casa de apostas injeta aproximadamente R$ 268,5 milhões por temporada nos cofres rubro-negros, uma receita que agora está suspensa pela força da lei. Embora a Betano tenha anunciado que mantém a parceria até uma definição concreta na Justiça, o acesso à plataforma permanece bloqueado conforme ordenado pela Medida Provisória.

O protesto de toda a Série A

O Flamengo não age sozinho. A frase “proibir não é proteger” já começou a aparecer em placas de publicidade de estádios, como no Morumbi durante o jogo entre São Paulo e Santos na sexta-feira (02). Agora, a mensagem alcança novo patamar: estampada nas camisas dos jogadores, onde os olhos de todo o país podem ver. A expectativa é que o Santos, que também é patrocinado por uma plataforma de apostas, siga o mesmo caminho.

A medida representa uma comunicação direta com autoridades públicas e a sociedade. O clube argumenta que a proibição não resolve o problema do endividamento das famílias brasileiras nem enfraquece o vício em apostas — apenas concentra o mercado ilegal e retira investimento legítimo do futebol nacional. Para o Flamengo especificamente, a perda é dramática: a diretoria estima um impacto de R$ 400 milhões a R$ 430 milhões em 2027.

Impacto no futebol e na Série A

Os contratos de bets movimentam aproximadamente R$ 1 bilhão por temporada na Série A, segundo estimativas do próprio Flamengo. A ausência dessa receita representa um vazio considerável no orçamento dos clubes, afetando desde folhas de pagamento até investimentos em estrutura de treinos e contratações.

Diante desse cenário, o Flamengo entrou no Supremo Tribunal Federal como amicus curiae na ADI nº 8.027, se posicionando como interessado direto na questão. O ministro Luiz Fux, relator do processo, pode decidir nos próximos dias se concede uma liminar que reestabeleceria o funcionamento das plataformas. Enquanto isso, o Congresso Nacional avalia a Medida Provisória em comissão mista, mas o regime de urgência só tem início em 9 de novembro — tempo suficiente para que a proibição já tenha afetado toda uma rodada do campeonato.

Sequência do Flamengo ainda com desfalques

O Flamengo entra em campo contra o Santos no comando da Série A, com 60 pontos, enquanto o Santos ocupa a oitava posição com 41 pontos. Mas o clube segue lidando com desfalques importantes. Arrascaeta, que sofreu fratura no punho esquerdo, passará por cirurgia e fica afastado durante todo o mês de outubro. Evertton Araújo também segue fora por lesão muscular grau 3 no adutor da coxa esquerda.

A transmissão da partida será feita pelo Premiere e pelas redes sociais do Flamengo. A venda de ingressos ocorreu segunda-feira (05) pela plataforma do sócio-torcedor. O Mengão aguarda, em paralelo, uma possível intervenção do STF, mas, por enquanto, entra em campo com sua mensagem política estampada onde deveria estar o logo de seu principal parceiro comercial.