O Flamengo protestou contra a proibição de exibir a marca da patrocinadora master Betano no uniforme e começou a usar a frase “Proibir não é proteger” a partir do jogo contra o Santos, em 8 de outubro. O tema agora converge para um debate no Supremo Tribunal Federal, onde a regulamentação do mercado de apostas esportivas será questionada publicamente.
A audiência pública será realizada em 3 de novembro, às 10h (horário de Brasília), convocada pelo ministro Luiz Fux. Nela serão discutidas seis ações diretas de inconstitucionalidade (ADIs) que questionam as regras do setor de apostas esportivas no Brasil e as consequências que elas geram para o funcionamento do mercado.
Mais Querido leva protesto para o STF
O Mengão não comparecerá sozinho à audiência. A Confederação Brasileira de Futebol (CBF) também participará do debate, junto com diversos clubes que enfrentam os mesmos dilemas jurídicos. Corinthians, São Paulo, Fluminense, Botafogo, Cruzeiro, Ponte Preta, Vitória, Guarani e Portuguesa foram citados como possíveis participantes.
A presença de tantas equipes reforça que a discussão no STF envolve diretamente o futebol. Nos últimos anos, clubes passaram a depender de receitas ligadas ao mercado de apostas, transformando patrocínios esportivos em questão central para a saúde financeira das instituições.
O protesto do Mengão começou modesto, mas ganhou força rapidamente. Com a impossibilidade de exibir a marca da Betano — sua patrocinadora master — o clube elegeu a frase “Proibir não é proteger” para levar sua mensagem aos estádios. A mensagem apareceu na camisa durante o confronto contra o Santos e acompanha a pauta que será levada à corte suprema.
O debate sobre apostas e receitas dos clubes
A regulamentação das apostas esportivas tornou-se foco de conflito entre órgãos do Estado, confederações e clubes. O Flamengo, como um dos maiores geradores de receita do futebol brasileiro, tem interesse direto no resultado dessa discussão. A Betano é uma das principais fornecedoras de recursos para o clube, e a proibição de exibição da marca representa perda financeira concreta.
O timing da audiência no STF coincide com o momento em que o Mengão enfrenta pressões comerciais crescentes. O clube tem mantido sua estratégia de protesto discreto, mas firme, usando o uniforme como ferramenta de comunicação política e jurídica.
A Nação rubro-negra acompanha o debate com atenção. Muitos torcedores entendem a questão como um embate entre regras impostas por órgãos reguladores e a sobrevivência financeira dos clubes. O slogan “Proibir não é proteger” não é apenas um protesto contra uma regra específica — é uma declaração sobre autonomia e poder de decisão das instituições esportivas.
Luiz Fux, ao convocar a audiência pública, criou um espaço onde argumentos técnicos, comerciais e jurídicos podem ser apresentados. Caberá ao tribunal decidir se as restrições ao mercado de apostas são constitucionais ou se ferem direitos das entidades esportivas.
A data de 3 de novembro marca um ponto de virada potencial. Até lá, o Flamengo seguirá com seu protesto nas camisas. Depois, a palavra será dos ministros do Supremo Tribunal Federal.

Edmilson Lani é o responsável editorial do Flamengo RJ. Atua na curadoria, revisão e publicação de conteúdos do site, acompanhando de perto o noticiário do clube, os bastidores, o mercado da bola, os jogos e as análises do dia a dia. O site também utiliza fluxos de automação e ferramentas de apoio editorial no processo de produção, sempre sob supervisão humana sobre o conteúdo publicado.