A fratura na costela sofrida por Everton Cebolinha em abril redefiniu completamente a estratégia de mercado do Flamengo. A lesão do camisa 11, que deixará o jogador afastado por tempo indeterminado, funcionou como catalizador para uma reavaliação clara das prioridades de reforço. O clube descartou formalmente a contratação de Paulo Dybala e agora concentra esforços em duas demandas específicas: mais velocidade e profundidade pelas pontas e a busca por um centroavante para disputar posição com Pedro.
O descarte de Dybala representa uma mudança tática significativa nas ambições rubro-negras. Mesmo com as especulações dos últimos meses envolvendo o meia-atacante argentino, a diretoria optou por não avançar em negociações com um jogador de salário elevado nos padrões europeus. A decisão leva em conta questões estruturais: Dybala tem 31 anos, passou por cirurgia no joelho esquerdo no início de março com retorno previsto para meados de abril, e seu vínculo com a Roma se encerra em junho. Para o Flamengo, o investimento em um centroavante jovem com histórico clínico favorável se alinha melhor com a visão de médio prazo da comissão técnica.
A ausência prolongada de Cebolinha expôs uma fragilidade que a diretoria não pode ignorar. O camisa 11 estava em fase de redução de participação sob o comando de Leonardo Jardim nesta temporada, acumulando apenas 15 partidas, 3 gols e 1 assistência. Mesmo assim, sua saída do elenco abre um vazio nas opções de ataque pelos lados do campo. O contrato de Cebolinha não será renovado ao fim de 2026, o que intensifica a urgência de uma reposição imediata. Ele pode deixar o clube gratuitamente ao término do vínculo ou sair na janela do meio do ano se surgir uma proposta adequada, cenários que a diretoria já considera como altamente prováveis.
O investimento que o clube fez em Cebolinha em 2022 — 16 milhões de euros — não se converteu na rentabilidade esperada. A combinação entre a lesão atual e a trajetória abaixo das expectativas reforça a necessidade de repensar o setor ofensivo. A comissão técnica entende que o elenco carece de mais velocidade e profundidade pelas pontas, qualidades que poderiam dar mais dinâmica ao jogo rubro-negro e oferecer alternativas diferentes àquelas que o elenco atual proporciona.
Atualmente, o Flamengo conta com Luiz Araújo, Samuel Lino, Gonzalo Plata e Bruno Henrique como opções para os lados do campo. Embora o grupo tenha qualidade, a avaliação interna é de que o conjunto ainda precisa de mais peças para manter o nível competitivo ao longo de uma temporada longa e exigente. O clube monitora nomes de forma discreta, sem negociações avançadas até o momento. A tentativa de trazer Luiz Henrique exemplifica as dificuldades enfrentadas: o clube russo que o detém exigiu valores proibitivos, inviabilizando qualquer movimento concreto.
Além das pontas, a diretoria também pretende buscar um centroavante para aumentar a competitividade interna no ataque. A ideia é oferecer uma alternativa de peso a Pedro, atual artilheiro da equipe, garantindo rotatividade em um calendário denso. O perfil buscado é claro: um centroavante de ofício com menos de 28 anos e sem histórico de lesões recorrentes. Essa especificidade reflete a cautela com que o clube quer agir no mercado.
O mercado, porém, continua inflacionado. O Flamengo reconhece essa realidade e adota uma postura ainda mais cuidadosa, priorizando contratações pontuais e estratégicas. Não há pressa em negociações, mas existe clareza sobre o que é necessário. A janela do meio do ano será decisiva para testar se a diretoria conseguirá transformar essas prioridades em reforços concretos que devolvam ao clube a profundidade ofensiva que a lesão de Cebolinha evidenciou estar faltando.

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