Flamengo descarta Matías Viña e prioriza lateral-esquerdo de qualidade para 2027

A diretoria do Flamengo finalizou sua avaliação sobre Matías Viña e definiu que o lateral-esquerdo uruguaio, atualmente cedido ao River Plate, não será reintegrado ao elenco. A decisão, apurada pelo jornalista Ian Gali, marca um ponto final em uma operação que o clube considerou não exitosa em termos de retorno desportivo e financeiro.

O desempenho modesto de Viña na Argentina fundamenta a escolha rubro-negra. Em oito meses de empréstimo, o jogador disputou apenas nove partidas pelo River Plate, sem marcar gols ou distribuir assistências. Números que ficam aquém das expectativas iniciais do Flamengo quando o lateral foi contratado, especialmente considerando o investimento realizado para sua aquisição junto à Roma.

A situação contratual do empréstimo, porém, guarda complexidades que o clube agora avalia. O acordo entre Flamengo e River Plate inclui uma cláusula de obrigação de compra fixada em 5 milhões de dólares—aproximadamente R$ 27,5 milhões—caso Viña atinja a marca de 50% de participação nos jogos da equipe portenha. Até o momento, com apenas nove partidas, essa meta está longe de ser alcançada.

Caso o River Plate opte por não exercer a compra, algo que parece provável dados os números atuais, o Flamengo deverá buscar alternativas para minimizar o prejuízo financeiro. A possibilidade de negociar o uruguaio com outro mercado ganha força nesse cenário, ainda que as limitações impostas pela sequência de empréstimos sucessivos possam complicar uma saída rápida.

Lateral-esquerda em prioridade máxima

A carência defensiva na lateral esquerda tornou-se uma das principais fragilidades do Flamengo durante toda a temporada de 2026. A indefinição na posição, com alternância entre Ayrton Lucas e Alex Sandro, ambos questionados pela torcida e pela comissão técnica, revelou as dificuldades estruturais do clube em encontrar um titular de qualidade para o setor.

Ayrton Lucas, que ocupa atualmente a vaga de reserva atrás de Alex Sandro, possui contrato até dezembro de 2027, mantendo presença no elenco. Alex Sandro, por sua vez, além de frequentes problemas físicos que o afastam dos gramados, tem vínculo apenas até o fim do ano, acrescentando urgência às movimentações da diretoria para reforçar essa região do campo.

Com a eliminação de Viña do projeto, a cúpula flamenguista estabeleceu a contratação de um lateral-esquerdo de peso como prioridade máxima para a próxima janela de transferências. O objetivo é claro: implementar uma “virada de chave” em um setor que sofreu com falta de equilíbrio defensivo e que compromete a estrutura tática do time nas competições.

O histórico de tentativas no mercado

O Flamengo já havia sondado o mercado em busca de alternativas para fortalecer a lateral esquerda. No início da temporada, a diretoria manifestou interesse por Caio Henrique, lateral do Monaco, movimento que partiu de solicitação de Filipe Luís nas conversas iniciais. A negociação, porém, não evoluiu. O clube decidiu manter Ayrton Lucas no elenco e posteriormente desistiu da negociação por Caio Henrique, que está lesionado e possui contrato com o Monaco até junho de 2027.

Essa hesitação inicial contrastava com a necessidade crescente de reforço na posição. Ao longo dos meses, ficou evidente que a aposta interna no desenvolvimento de Ayrton Lucas e na continuidade de Alex Sandro não seria suficiente para resolver os problemas defensivos crônicos da lateral esquerda rubro-negra.

A decisão de descartar Viña consolida uma mudança de estratégia. Enquanto o uruguaio disputava minutagem limitada no River Plate, o Flamengo enfrentava em tempo real os reflexos da falta de um lateral-esquerdo confiável. A escolha de não reintegrá-lo e de investir recursos em um novo reforço representa um reconhecimento da diretoria de que a solução para o setor passa por uma reformulação mais profunda do que ajustes internos poderiam oferecer.

O próximo passo será identificar e negociar com o mercado internacional em busca de um nome que reúna qualidade técnica, regularidade e estabilidade física—requisitos que Viña não conseguiu demonstrar durante seu período no River Plate e que o Flamengo buscará garantir em seu próximo reforço para a lateral-esquerda.