Sonoros três a zero
Virou lugar-comum metermos três no Foguinho. Em verdade, fora aquela tenuidade do atípico ano de 2024 de Soldado Severiano, o Botafogo continua seu processo de “vasconização”. Ou talvez o Vasco esteja em “botafoguização”, ainda não sei ao certo… Bom, é curioso como o Botafogo e o Vasco se tornaram fregueses do Flamengo neste recente passado de soberania rubro-negra no Rio e no Brasil. Aqueles 0x3 no Engenhão e agora os 3×0 no Maracanã mostram bem isso, placar que novamente se repetiu em 2025.
A partida do último domingo me deixou aflito no intervalo. Será que iríamos repetir a dose contra o Cruzeiro, de voltar mal pro 2º tempo e tomar a virada? De fato, não voltamos essa Coca-Cola toda na etapa final, o que não impediu de matarmos o jogo de modo “bem matado”.
E é aí que entra a força do nosso elenco, sobretudo no terceiro gol. Nele, tocaram na bola Carrascal, Jorginho, Carrascal de novo, Samuel Lino, Cebolinha e Carrascal pro gol. Um golaço de videogame! Há muito tempo que o conceito de titular e reserva, no Flamengo, é fluido – eu já disse isso aqui. Temos, na verdade, 15 titulares, que se revezam em campo e entram quase todo jogo. Na Copa de 70, Zagallo escalou cinco “camisas 10”, provando que todos podiam jogar no mesmo time titular. Penso que é a hora de o Léo Jardim se virar para fazer o mesmo no Flamengo, inclusive achando uma brecha pro polivalente Lucas Paquetá.
Não posso deixar de destacar a – mais uma – excelente partida do Samuel Lino, com dois belos gols, assistências e dribles. Ousei dizer que temia que o Samuca virasse o “novo Vitinho”, algo que, felizmente, parece que não vai acontecer.
Carrascal redivivo
Eu quero mais é que os jogadores que criticamos queimem nossa língua. Carrascal tem feito isso. Gols e assistências nos últimos jogos, como anteontem, contra o Mirassol. Parece que nosso colombiano com cabelo de calopsita parou de perder gols feitos e ser expulso, assumindo o local que lhe cabe no elenco.
Uma vitória tranquila, com certo brilho dos gols coletivos, sem sustos e controlada, como muito bem destacado na transmissão pelo Renato Augusto, em contraponto ao comentário capcioso da Ana Thaís, o que, aliás, lhe é praxe.
Foi uma partida para rodar elenco. Até o “Better Call Saul” entrou em campo. Em dado momento, a saída do Evertton Araújo, que tinha acabado de entrar no lugar do Pulgar, fez com que o Flamengo ficasse com um meio-campo que muito me agrada, com dois “segundos volantes”, Jorginho e Paquetá, este mais recuado. Não precisava um cão de guarda contra o Mirassol, com dois gols a favor, a não ser que uma reação mirassolense começasse a se implantar, o que inocorreu.
Agora… Cá pra nós… Que falta fez aquele pontinho que deixamos escapar contra o Cruzeiro, há dois sábados, no último lance da partida, após uma defecada do Ayrton Lucas e azar do Léo “Bigode” Ortiz. Esse pontinho que escapuliu nos impediu de assumir, anteontem, a liderança do campeonato, cujo curso natural parece estar sendo o Ninho do Urubu em questão de tempo.
Assim, sem lamúrias. Vamos seguir nossa rota, tentar evitar perrengues e continuar jogando o futebol mais bonito das Américas!
A volta dos que foram e não chegaram
E não é que nosso Gonzalo Jordy Plata Jiménez foi reprovado lá no Dínamo de Moscou?! Tá aí uma reprovação que eu gostei, até porque isso certamente desagradou a recalcada torcida do Atlético/MG, cujo neo-estádio foi rebatizado algumas vezes pelo querido Plata.
Com isso, as noites cariocas voltarão a ter a presença do equatoriano, que, se não for bobo nem nada, entre a apresentação, o cancelamento do contrato e o retorno ao Brasil, deve ter dado tempo para aproveitar, brevemente, a luxúria moscovita.
Isto posto,
Saudações Rubro-Negras!

Ricardo Santoro Nogueira, 39 anos, casado, nascido em Brasília/DF, é advogado e exageradamente flamenguista. Herdou de seu pai este viciante hábito de ocupar 90 min. assistindo ao Mais Querido. É fã de Zico, Adriano, Arrascaeta e Bruno Henrique, entre outros que também mereceriam destaque. Quase morreu em 2019, mas passa bem.