Flamengo cobra R$ 42,7 milhões de Gerson na Justiça por rescisão irregular

O Flamengo protocolou manifestação à Justiça pedindo R$ 42,7 milhões de Gerson e da empresa FGM, alegando que o jogador assinou contrato com o Zenit antes de formalizar a rescisão com o time carioca. A ação judicial aprofunda a disputa contratual entre as partes e critica diretamente a conduta do atleta, seu pai Marcão e a representante.

Segundo o clube, a negociação com o clube russo teria começado enquanto o vínculo de Gerson com o Mengão ainda estava em vigor. O Flamengo sustenta essa tese como fundamental para caracterizar o que considera descumprimento de obrigações e reclama as consequências financeiras ligadas ao rompimento antecipado. A informação sobre o contrato com o Zenit foi divulgada pela ESPN.

A cronologia que o Flamengo apresenta

Na manifestação judicial, o Flamengo organiza o argumento em sequência clara: primeiro, a assinatura do contrato de Gerson com o Zenit; depois, a rescisão do contrato com o time carioca. Com essa ordem, o clube busca sustentar que a negociação com o clube russo ocorreu enquanto havia contrato válido em vigor no Brasil, o que violaria as obrigações contratuais entre as partes.

A peça judicial faz críticas diretas a Gerson, Marcão e à FGM, entendendo que os envolvidos teriam conduzido as tratativas de forma irregular enquanto o atleta permanecia vinculado ao Mais Querido. O Flamengo reforça a tese de que a assinatura do contrato com o Zenit teria ocorrido antes da formalização da rescisão, o que, na visão do clube, caracteriza uma negociação que descumpria as normas e compromissos estabelecidos.

A cobrança de R$ 42,7 milhões

O valor exigido está relacionado ao contrato de exploração de direitos de imagem de Gerson. O Flamengo alega que a rescisão antecipada gerou prejuízos financeiros não compensados e cobra essa quantia tanto do jogador quanto da FGM, que atuava como intermediária nas negociações. A ação contesta a forma como a saída foi conduzida e busca responsabilizar os envolvidos pelas perdas financeiras.

Na manifestação judicial, o clube também se volta contra a linha de defesa apresentada por Gerson e seus representantes. Em trecho contundente do documento, o Flamengo afirma: “É assustadora a naturalidade com que a FGM, sem corar, distribui mentiras e litiga contra fatos incontroversos.” A crítica aponta para inconsistências que o rubro-negro identifica na narrativa da defesa e demonstra o tom conflituoso que marca a disputa.

A situação de Gerson no Zenit, portanto, não encerra apenas um capítulo de sua trajetória no futebol europeu — abre uma batalha legal que pode se estender por meses nos tribunais brasileiros. O Flamengo busca não apenas recuperar o montante reclamado, mas também estabelecer precedente sobre como devem ser conduzidas rescisões e negociações futuras envolvendo seus atletas e intermediários.

A manifestação protocolada evidencia o desgaste nas relações entre o clube carioca, o jogador e a FGM. Enquanto a Nação rubro-negra acompanha o desenrolar da disputa contratual, a Justiça agora terá de analisar os argumentos de ambas as partes e decidir sobre a responsabilidade financeira pela saída antecipada e a forma como foi conduzida nos bastidores. O caso também reforça tensões recorrentes no futebol brasileiro entre clubes, jogadores e empresas de representação sobre os limites e obrigações contratuais em transações internacionais.