Jardim explica saída do Cruzeiro e justifica Flamengo: “Ninguém pode dizer não”

Leonardo Jardim quebrou o silêncio sobre a saída do Cruzeiro e a mudança repentina de rumo para o Flamengo. Cobrado por repórteres mineiros na coletiva de imprensa após o empate por 1 a 1 no Mineirão, o técnico português revelou que nunca pretendia voltar ao futebol brasileiro — até o Mengão aparecer.

Com tranquilidade, Jardim detalhou as frustrações que o levaram a aceitar o convite rubro-negro. Explicou que seus planos envolviam uma nova experiência no Oriente Médio, mas a guerra naquela região impediu o prosseguimento das negociações. Quando a porta para o exterior se fechou, a porta maior de todas se abriu: a do clube que ele mesmo classificou como “o maior da América do Sul”.

— Já vos disse. Eu pensava que ficaria por mais um tempo no Brasil, acabou por não acontecer. As partes entenderam por não continuar. A minha ideia não era voltar ao Brasil, sinceramente. Era ficar talvez no Oriente Médio. Começou a guerra lá, acabei por não ter espaço lá, que era o que eu pretendia. Apareceu o Flamengo, e ninguém pode dizer não ao Flamengo. A gente queira ou não, é o maior clube da América do Sul. E ninguém pode dizer não ao Flamengo — disse, antes de continuar —

A declaração funciona como resposta às críticas que cercaram sua chegada ao Mais Querido. Meses antes, ainda em Belo Horizonte, Jardim havia prometido publicamente que não assumiria outra equipe no futebol brasileiro. A mudança de postura não passou despercebida pela torcida cruzeirense, que reagiu com força no confronto dessa quarta-feira.

A mágoa da torcida cruzeirense e a pressão no Mineirão

Desde o minuto de silêncio, o estádio respirava tensão. A torcida cruzeirense proferiu xingamentos direcionados ao ex-treinador. Notas falsas com o rosto de Jardim foram distribuídas entre os torcedores com frases de “100 vergonha” e “100 caráter”. Cartazes de protesto tomaram o Mineirão durante toda a partida, deixando claro o tamanho da frustração com o profissional que os deixou em dezembro de 2025.

Não foi uma saída tranquila. Jardim havia comandado o Cruzeiro por dez meses, totalizando 55 partidas. Nesse período, levou o clube até a terceira colocação no Campeonato Brasileiro antes de partir. À época, alegou desgaste na função e necessidades de ordem pessoal. Ninguém esperava que, poucos meses depois, ele voltasse ao Brasil para treinar justamente o rival histórico da região.

Na coletiva, Jardim tentou suavizar a situação. Pediu desculpas pela mudança de posição anterior, mas garantiu estar tranquilo com o que aconteceu nos bastidores — aquela zona cinzenta que às vezes é melhor deixar de lado.

— Por isso, aceitei voltar ao Brasil. Já pedi desculpas em relação a essa situação de ter dado uma opinião, mas em relação a outras situações estou muito tranquilo porque sei muito bem o que aconteceu. Muitos de vocês sabem, mas só que às vezes é melhor chutar para o lado e fechar os olhos.

O empate equilibrado e o reencontro no Maracanã

Apesar da tensão fora de campo, a partida em si foi equilibrada. Lucas Paquetá entrou no segundo tempo e marcou o gol de empate para o Flamengo, anulando a abertura de placar de Arroyo para o Cruzeiro. O 1 a 1 mantém tudo em aberto para a volta, marcada para a próxima quarta-feira, 19 de agosto, no Maracanã, a partir das 21h30.

Qualquer empate no jogo decisivo leva a eliminatória para os pênaltis. Jardim avaliou o resultado como positivo para sua equipe, citando o equilíbrio do confronto e a capacidade de recuperação do Rubro-Negro ainda no primeiro tempo de sua gestão. Explicou também as decisões táticas — como a disputa entre Varela e Royal na lateral — e os ajustes de substituição buscando “frescor” no meio e ataque.

Enquanto o foco agora se divide entre o Brasileirão — com confronto próximo contra o Mirassol — e a volta da Libertadores, Luiz Araújo segue ausente por problemas físicos. Jardim terá uma semana para preparar o Mengão para o duelo que pode definir o avanço na competição continental.

O reencontro entre Leonardo Jardim e a torcida cruzeirense está apenas começando. A volta no Maracanã promete ser carregada de emoção, com a magnitude de uma partida de mata-mata e o peso dos bastidores já desenhados.