Flamengo enfrenta Estudiantes em duelo equilibrado: o que diz o histórico recente

O Flamengo entra em campo amanhã na Argentina com um saldo equilibrado contra o Estudiantes: uma vitória e uma derrota nos últimos dois encontros. O duelo de quarta-feira, no Estadio Jorge Luis Hirschi em La Plata, pela segunda rodada da fase de grupos da Libertadores 2026, chega carregado de memória recente — e de tensão.

Há apenas sete meses, o Mengão eliminou o time argentino nas quartas de final da Libertadores 2025 em um confronto que marcou história. A ida terminou 2 a 1 para o rubro-negro no Maracanã, em 18 de setembro. A volta, em 25 de setembro, virou para o Estudiantes, que venceu 1 a 0 em La Plata. Tudo foi decidido nos pênaltis: 4 a 2 para o Clube da Gávea.

Esse reencontro não é uma coincidência da sorte. Flamengo e Estudiantes integram o mesmo grupo na fase de grupos de 2026, ao lado de Cusco FC e Independiente Medellín. O confronto de amanhã já começa com vantagem numérica do rubro-negro — o time carioca lidera o grupo com 6 pontos e o Estudiantes é o segundo com 4.

Domínio histórico do Mengão, mas com ressalvas

O retrospecto amplo dos dois clubes conta outra história. Nos 8 encontros oficiais disputados desde as décadas de 1980, o Flamengo venceu 3 vezes, empatou 4 e perdeu apenas 1. Marcou 9 gols e sofreu 5. O padrão, porém, revela um detalhe estratégico: o Mengão historicamente domina no Brasil. No Maracanã, jamais perdeu para o Estudiantes em 4 confrontos disputados — foram 2 vitórias e 2 empates.

Em La Plata, o jogo muda de cara. O Estudiantes é outro adversário quando joga em casa. A vitória de 1 a 0 de 25 de setembro é sintomática desse padrão. O clube argentino sabe explorar o fator campo e a tradição do seu estádio. Historicamente, o time de La Plata conquistou títulos importantes em confrontos fora de casa contra rivais brasileiros aproveitando essa força doméstica.

Rossi e os pênaltis contra o Estudiantes

A classificação do Flamengo à semifinal da Libertadores 2025 tem nome e sobrenome: Agustín Rossi. No dia 25 de setembro, em La Plata, o goleiro argentino viveu uma noite de altos e baixos — e escolheu o melhor momento para brilhar. O Estudiantes precisava virar o placar agregado e, empurrado pela torcida, abriu o placar com Benedetti no fim do primeiro tempo. O gol nivelou o agregado em 2 a 2 e levou a decisão para os pênaltis. Rossi havia falhado no lance.

Foi ali que a noite virou. O goleiro se redimiu defendendo dois pênaltis — as cobranças de Benedetti e Ascacibar — e garantiu a classificação do Rubro-Negro. O Mengão venceu a disputa por 4 a 2 e avançou à semifinal.

O detalhe que torna a cena ainda mais carregada: Rossi defendeu as cores do Estudiantes entre 2014 e 2016, antes de passar pelo Boca Juniors e chegar ao Flamengo. Naquela noite em La Plata, ele parou os pênaltis que eliminaram o clube onde já vestiu a camisa — da forma mais cruel possível para a torcida argentina.

O Estudiantes de hoje e sua força na Argentina

O Estudiantes não é apenas um rival do passado. Em abril de 2026, o clube de La Plata segue como competidor relevante no futebol argentino, bem colocado na disputa do Torneo Apertura 2026. A contratação do goleiro veterano Fernando Muslera reforça a ambição da equipe. O plantel inclui jogadores de experiência como Santiago Núñez, Ezequiel Piovi e Guido Carrillo.

Historicamente, o Estudiantes é tetracampeão da Copa Libertadores (1968, 1969, 1970 e 2009) e conquistou a Copa Intercontinental em 1968. O DNA copero do clube está vivo. Em 1969, a campanha foi perfeita — o Estudiantes conquistou todos os pontos da edição e marcou época. Essa tradição pesa quando enfrenta o Mengão em casa.

Números que equilibram o confronto

Nos últimos dois jogos, o saldo é 2 a 2 em gols e 1 a 1 em vitórias. Nenhum dos dois clubes conseguiu impor domínio claro no confronto recente. O Flamengo marcou 2, o Estudiantes marcou 2. Ambos venceram uma vez. Essa paridade é rara em duelos que decidem competições, e agora reaparece em um compromisso de fase de grupos.

O Flamengo chega com vantagem de pontos na tabela e com a memória fresca de uma classificação heroica. O Estudiantes joga em casa, onde historicamente é mais forte, e busca vingança do mata-mata. Amanhã, na La Plata, o confronto dirá se a tendência do Mengão de dominar no Brasil — e sofrer na Argentina — permanece viva na Libertadores 2026.