Flamengo registra investimento recorde de R$ 667,7 milhões em atletas até setembro

O balancete divulgado pelo Flamengo até setembro registra investimento recorde de R$ 667,7 milhões em atletas na temporada. O número consolida a estratégia agressiva de reforços do clube após a janela de transferências, apesar das projeções mais conservadoras para 2027. Os dados dos três meses finais do ano ainda não estavam disponíveis no documento.

Paquetá figura como o maior investimento do exercício, com custo total de R$ 315,7 milhões. A contratação do meia-atacante no início da temporada concentrou a maior parte do orçamento de reforços. No terceiro trimestre especificamente, o clube desembolsou R$ 172,6 milhões com atletas, período em que Freitas e Anthony Valencia chegaram ao Ninho do Urubu.

Freitas, trazido do River Plate, custou R$ 66,7 milhões, incluindo luvas, pagamento ao clube argentino e intermediação. Anthony Valencia, contratado do Royal Antwerp, da Bélgica, totalizou R$ 43,9 milhões em despesas diretas. Essas duas contratações representaram o grosso do investimento trimestral do Mengão.

A diretoria rubro-negra deixou registrado no balancete uma declaração política sobre as escolhas: “A Nação Rubro-Negra pode seguir contando com um Flamengo que investe para vencer, sem abrir mão da responsabilidade e disciplina financeira que garantem sua solidez e sustentam sua grandeza, dentro e fora de campo”. A afirmação contrasta com sinalizações posteriores sobre contenção orçamentária para 2027.

Receitas recorrentes crescem enquanto vendas ficam abaixo da meta

As receitas recorrentes do clube — aquelas geradas por operações contínuas, excluindo vendas de atletas — cresceram 11,3% nos nove meses e atingiram R$ 1,17 bilhão, recorde na comparação com o mesmo período de outros anos. Ao considerar receitas totais, incluindo transferências, o faturamento bruto somou R$ 1,34 bilhão até setembro.

Licenciamento, patrocínio e publicidade avançaram 42,9% no período. As operações de jogos subiram 27,6%, com destaque para bilheteria (20,6%), programa de sócio-torcedor (28,4%) e receitas do estádio (37,3%). Esses números refletem melhor ocupação do Maracanã e expansão da base de receitas contratuais.

No entanto, as vendas de jogadores geraram R$ 174,7 milhões de receita bruta nos nove meses, abaixo da meta inicial de cerca de R$ 250 milhões estimada pela administração. Desse total, R$ 67,8 milhões foram registrados no terceiro trimestre. Wallace Yan foi negociado com o Bragantino por R$ 30,7 milhões — a transação mais lucrativa do período, apesar de ter deixado margem para debate sobre oportunidade perdida. Lorran rendeu R$ 6,7 milhões ao se transferir para o Sharjah FC, dos Emirados Árabes. O clube ainda recebeu R$ 27,8 milhões por mecanismo de solidariedade, participações em revendas e empréstimos.

Superávit trimestral e caixa livre de R$ 84,1 milhões

O Mais Querido registrou superávit de R$ 38,3 milhões no terceiro trimestre e reverteu o déficit acumulado de R$ 33,8 milhões do primeiro semestre. Com esse resultado, o clube encerrou setembro com R$ 4,5 milhões em posição positiva. A melhora nas receitas recorrentes foi decisiva para o equilíbrio operacional, ainda que a previsão para o encerramento do ano seja de fechamento no vermelho.

O caixa livre consolidado do clube somava R$ 84,1 milhões em setembro. Desse total, R$ 50,8 milhões estavam sob controle direto do Flamengo e R$ 33,3 milhões eram administrados pela Fla-Flu Serviços S.A., entidade responsável pela operação do Maracanã. A dívida operacional líquida fechou o período em R$ 376,1 milhões, valor 23% abaixo do pico de R$ 488,1 milhões registrado em março, mas 25,5% acima dos R$ 280,2 milhões do segundo trimestre.

O documento financeiro consolida um ciclo de investimento pesado que o Flamengo encerrou em setembro, quando o mercado de transferências também se fechou. Com receitas recorrentes em alta e dívida em trajetória descendente, o clube construiu uma base sólida para o exercício. No entanto, o balancete também marca o ponto final de uma estratégia de agressividade que não será repetida na próxima janela de transferências de 2027.