Flamengo lucrou R$ 612 milhões com direitos de TV em 2025, aponta Sports Value

O Flamengo foi o clube do Brasileirão que mais lucrou com direitos de televisão em 2025. Segundo estudo da Sports Value, o Mengão faturou R$ 612 milhões, quase R$ 100 milhões acima do vice-líder Palmeiras. A maior audiência entre os clubes brasileiros se transformou em vantagem financeira clara nas negociações com os detentores dos direitos.

A lei da oferta e da procura funciona sem piedade no futebol. Dono da maior torcida do Brasil e principal gerador de audiência do Brasileirão, o Mais Querido consolidou sua supremacia econômica no setor de transmissões. O levantamento da Sports Value revelou ainda que os 20 clubes com maiores receitas do país somaram R$ 15 bilhões em arrecadação no período, estabelecendo um recorde no futebol nacional. O crescimento em relação a 2024 foi de 36%.

Ranking de lucros com direitos de TV em 2025

O posicionamento dos clubes na arrecadação com direitos televisionados reflete tanto a força de audiência quanto a participação em competições de maior visibilidade. O Flamengo liderou com folga. Palmeiras ficou em segundo lugar, mas com uma distância considerável: R$ 512 milhões. Fluminense aparece em terceiro, com R$ 526 milhões — situação que reposiciona o ranking original divulgado pela Sports Value, indicando que o Tricolor foi quem efetivamente ocupou a segunda colocação no levantamento completo.

Corinthians aparece com R$ 363 milhões, enquanto Grêmio somou R$ 156 milhões. Os quatro primeiros colocados têm um denominador comum: todos disputaram a Copa do Mundo de Clubes, novo torneio incluído no calendário do futebol internacional. O Botafogo, outro participante desse torneio, não aparece explicitamente no recorte apresentado, mas também se beneficiou da exposição global da competição.

A receita proveniente de direitos de televisão representa uma das principais fontes de arrecadação para os grandes clubes. Diferente do patrocínio, que depende da marca e da capacidade comercial, os direitos de TV fluem com base na audiência gerada. E ninguém gera audiência como o Mengão no futebol brasileiro.

Acordo na Libra amplia vantagem do Flamengo em 2026

Na última semana, o Flamengo fechou acordo com os demais clubes integrantes da Libra — o grupo de negociação dos direitos televisionados — para receber R$ 150 milhões adicionais ao longo de quatro anos. As parcelas serão de R$ 37,5 milhões anuais, corrigidas pelo IPCA a partir de 2027. O acordo também inclui o Grêmio, que também conquistou participações ampliadas nas receitas de audiência entre 2026 e 2029.

A decisão gerou reação imediata do Palmeiras. O clube paulista saiu da Libra e, no momento, não está vinculado a nenhum grupo para negociação das cotas de televisão. A insatisfação do Alviverde com os termos do acordo e a concentração de receita em favor do Flamengo levaram à ruptura que marca uma escalada nas negociações televisivas brasileiras.

O Grêmio, ao contrário, demonstrou apoio público à decisão. O tricolor gaúcho reconheceu que a audiência concentrada no Mengão justifica vantagens financeiras e preferiu integrar o acordo a confrontá-lo. Curiosamente, os dois clubes se enfrentam neste domingo (10), pela 15ª rodada do Brasileirão.

A força econômica do Flamengo já se reflete em outras áreas. O uniforme do clube é estimado como o mais valioso do futebol brasileiro, com receitas de patrocínio superiores a R$ 460 milhões. A Betano, patrocinadora máster com contrato vigente até 2028, e outros patrocinadores de peso — como BRB (R$ 42,6 milhões anuais), GAC Motors (R$ 12,5 milhões por temporada) e Ademicon, que adquiriu a barra frontal por cerca de R$ 14 milhões anuais — formam uma estrutura comercial robusta.

Quando somados, direitos de televisão e receitas comerciais criam uma margem financeira significativa sobre os concorrentes. O Flamengo não apenas vence dentro de campo — também domina a arena econômica do futebol brasileiro. O acordo selado com a Libra e a Globo consolida essa liderança para os próximos quatro anos, deixando o Palmeiras em situação incerta e o restante do Brasileirão ainda mais distante do poder de negociação do Mengão.