José Boto retornou da Argentina e deixou clara a postura do Flamengo na negociação por Thiago Almada: o clube não participará de leilões. O diretor de futebol desembarcou no Aeroporto do Galeão na manhã de terça-feira e explicou que a viagem não teve o objetivo de convencer o atleta, mas de deixar explícitas as limitações financeiras rubro-negras diante da concorrência.
“Não fui à Argentina para convencer o Almada, porque seria estúpido da parte dele se eu tivesse que ir lá convencê-lo”, afirmou Boto. O dirigente foi direto ao reforçar a linha do clube no mercado: “Fui lá deixar claro para eles que nós não entraríamos em leilões.”
A declaração ganha peso em um cenário onde o River Plate já apresentou proposta oficial de 20 milhões de euros ao Atlético de Madrid antes mesmo do Flamengo intensificar as tratativas. O clube argentino detém 50% dos direitos econômicos de Almada e tenta convencer o jogador com apelo familiar, criando um triângulo de negociação complexo e sensível.
Boto associou a postura à necessidade de preservar a realidade financeira rubro-negra. “Pode vir o Almada, pode vir outro, pode não vir ninguém, mas o Flamengo não vai quebrar”, disse o diretor. Para sustentar a avaliação, citou números do futebol brasileiro: apenas quatro clubes realizaram transferências acima de 20 milhões de euros nos últimos anos, um recorte usado para justificar o limite de investimento do Flamengo nas contratações.
Almada em Ibiza enquanto River Plate avança
A negociação por Almada envolve valores iniciais de 27 milhões de euros, podendo chegar a 30 milhões com metas e bônus. O Atlético de Madrid já liberou o jogador para viajar ao Brasil, sinalizando abertura para o desfecho, mas Almada segue de férias em Ibiza enquanto as conversas avançam nos bastidores.
A preferência do meia é retornar ao futebol argentino caso não consiga uma proposta europeia satisfatória. Com o River Plate fazendo pressão através de sua oferta de 20 milhões de euros e mantendo laços familiares com o atleta, o cenário favorece uma eventual volta à Argentina. O Flamengo trabalha com otimismo, mas ciente de que a decisão pode não se estender indefinidamente.
Boto deixou claro que essa é uma negociação em que o clube não pode forçar a barra financeira. A recusa em participar de leilões reflete essa realidade: o Flamengo tem limites orçamentários bem definidos e não está disposto a entrar em disputa de preço aberto contra concorrentes. A estratégia é trabalhar com números pré-definidos e cumprir o que promete, sem escalações descontroladas.
Urgência pela Libertadores define prazos
O diretor também deixou implícita a urgência interna. O Flamengo precisa inscrever reforços na Libertadores até 7 de agosto, às 18h (horário de Brasília)—prazo que reduz as possibilidades de negociação prolongada. Com Almada como prioridade máxima e o triângulo River Plate-Atlético de Madrid-Almada definindo o ritmo das conversas, o clube carioca trabalha contra o relógio.
A viagem de Boto à Argentina, as reuniões com o empresário Agustín Jiménez e as declarações públicas reforçam que o Flamengo já teve uma força-tarefa montada para viabilizar o negócio. Mas sem flexibilidade financeira e sem disposição para leilões, o desfecho dependerá da vontade do jogador e de suas prioridades pessoais.
Enquanto isso, o clube segue monitorando alternativas secundárias como David Romero, do Tigre, e Luiz Henrique, mas Almada permanece como alvo central. A postura de Boto é clara: o Flamengo chegou com seu melhor número e aguarda uma resposta. Não há espaço para disputas de preço ou rodeios burocráticos. A bola está no campo de Almada.

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