Luiz Eduardo Baptista foi direto na reunião com a CBF: o Flamengo não apoia nenhuma das mudanças propostas para o Campeonato Brasileiro. O voto do Mais Querido foi contra todas as novas regras, principalmente a redução do limite de jogadores estrangeiros e a implementação de cota mínima de atletas sub-23 a partir de 2027.
A confederação aprovou as propostas nesta segunda-feira, mesmo com a rejeição do clube. A decisão será implementada gradualmente: o teto de estrangeiros cai de nove para oito em 2027, depois sete em 2028, seis em 2029 e cinco em 2030. No Maracanã e em todos os estádios, o limite por partida segue essa mesma progressão.
A cota de sub-23 também aumentará a cada ano. Em 2027, serão obrigatórios 20 atletas menores de 23 anos na lista de inscritos, subindo para 25 em 2030. Essa mudança impõe uma reestruturação profunda da formação de elenco dos clubes, mexendo com a estratégia de contratações internacionais que marcou a era de presidências anteriores no Mengão.
A situação do Flamengo com dez estrangeiros
O impacto imediato atinge o Flamengo em cheio. O clube tem atualmente dez jogadores estrangeiros no elenco e precisará deixar um fora da lista de relacionados para o Brasileirão já em 2027. Para um clube que investiu pesadamente em contratações internacionais nos últimos anos, a medida representa uma restrição significativa ao poder de compra e à liberdade na montagem do elenco.
A declaração de Baptista foi categórica: “O Flamengo decidiu não levar nenhuma proposta em conta e votou contra todas.” Não houve margem para negociação ou posição intermediária. A Nação rubro-negra terá de se adaptar a um cenário onde menos estrangeiros circulam pelo campeonato.
O voto contrário do clube não anula a decisão da CBF, já que a maioria votou a favor. Mas reflete a posição estratégica do Flamengo, que vê essas mudanças como limitadoras da competitividade imediata. A confederação, por outro lado, argumenta que as medidas buscam equilibrar a utilização de jogadores brasileiros sub-23.
CBF quer elevar minutagem de jovens brasileiros
Os números mostram por que a CBF agiu. A minutagem de sub-23 no Campeonato Brasileiro caiu de 28,3% em 2020 para apenas 11,5% na edição atual. A média de idade dos jogadores inscritos nos clubes é de 28,5 anos, mais alta do que a das cinco principais ligas europeias. Para a confederação, essa é uma questão de desenvolvimento do futebol brasileiro a longo prazo.
As cotas de sub-23 forçam os clubes a investirem em formação de base e a darem minutos para jovens talentos. É uma medida que afeta não apenas o Flamengo, mas todos os 20 clubes da Série A. Porém, quem tem mais estrangeiros consolidados no elenco — como o Mengão — sente mais o impacto.
A progressão das mudanças até 2030 permite que os clubes se reorganizem, mas a realidade é que o período de transição será marcado por ajustes na formação de elenco. Alguns atletas experientes perderão espaço. Outros, mais jovens, ganharão oportunidades.
Posicionamento institucional do Flamengo
O posicionamento do Flamengo reflete uma visão de que a competitividade imediata não pode ser sacrificada por metas de longo prazo. A história recente do clube mostra investimentos agressivos em contratações internacionais de qualidade — uma estratégia que trouxe títulos, mas que agora encontra barreiras regulatórias.
Baptista, como presidente, tem o poder de articular voto e discurso institucional. A decisão de rejeitar todas as propostas sem tentar negociar mudanças menores sinaliza que o clube não vê espaço para concessão. É um voto de protesto tanto quanto uma posição tática.
A CBF aprovou as mudanças e elas entram em vigor. O Flamengo terá de cumprir as novas regras, independentemente do voto contrário de hoje. O que fica registrado é a resistência do Mais Querido a essa agenda de restrição, uma posição que marcará a relação institucional do clube com a confederação nos próximos anos.

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