Gabigol aprova estreia de Lorran com a camisa 99 após golaço

Gabigol viu em Lorran o mesmo começo que ele próprio viveu com a camisa 99. Após o golaço marcado pelo cria na vitória por 4 a 0 sobre a Chapecoense, na Arena Condá, o atacante agora no Santos deixou um recado direto nas redes sociais: “Gostei, 99”. A mensagem vinha carregada de significado — aquele número, que brilhou nas mãos do ídolo rubro-negro nas finais da Copa do Brasil de 2024, agora segue seu caminho nas costas de um jovem que precisa provar seu valor.

Lorran publicou um álbum de fotos do jogo de quarta-feira (22) em seu perfil. A reação de Gabigol não foi apenas um elogio casual. Era uma brincadeira que carregava peso. Antes de sair do Mengão, o atacante defendeu aquela numeração em momentos decisivos — marcou dois gols na primeira partida da final contra o Atlético-MG, no Maracanã, antes de anunciar seu ciclo encerrado. Agora, com Lorran na 99, o legado segue.

Outros atletas também reagiram ao post. Matheus Gonçalves, ex-Flamengo e atualmente na Arábia Saudita, mandou coraçõezinhos para o jovem. João Victor, zagueiro do clube, escreveu “hack”, brincando com a comemoração de Rugal que Lorran fez após o gol. Wallace Yan, que também esteve em Chapecó, mandou foguinhos de apoio. No futebol, essas reações nas redes significam aceitação no elenco, confiança de quem já trilhou caminhos semelhantes.

Lorran em busca de sua volta por cima

O percurso de Lorran até aqui não foi fácil. Depois de um empréstimo ao Pisa, na Itália, onde praticamente não conseguiu espaço, o cria do Ninho retornou ao Flamengo buscando oportunidades. Agora, com Leonardo Jardim, as portas se abrem. Na goleada sobre a Chapecoense, além do golaço no segundo tempo, ele já tinha marcado contra o Lausanne, da Suíça, em amistoso da intertemporada.

Os números são promissores, mas o técnico preferiu manter os pés no chão. Em coletiva após a vitória, Jardim não apenas elogiou Lorran — destacou exatamente o que o jovem precisa melhorar para consolidar seu espaço no Mengão.

“O Lorran é um menino que tem qualidade técnica, mas em termos de jogo ele tem coisas a evoluir bastante. Nós temos trabalhado muito sobre isso. Hoje estou muito satisfeito com ele, não somente pelo gol, mas principalmente pela parte defensiva, que é uma coisa que ele tem certa dificuldade.”

O recado era claro: qualidade ofensiva existe, mas existe um abismo defensivo a ser fechado. Jardim continuou, reforçando a mensagem que já havia passado ao jogador pessoalmente: só há espaço no Flamengo para quem compreende o jogo em sua totalidade, quem sabe exatamente qual tarefa cumprir dentro da estrutura coletiva.

“Já disse a ele que só poderia jogar no Flamengo quando entendesse o jogo e quando percebesse qual a tarefa dele dentro da estrutura da equipe. Dar os parabéns não só pelo gol, porque já tinha feito na intertemporada, mas principalmente pelo comportamento dentro da estrutura da equipe”, completou o treinador.

A jornada de Gabigol com a 99

Quando Gabigol chegou ao Flamengo em 2019, começou com a camisa 9. Depois, em 2023, quando Diego Ribas se aposentou, herdou a 10 — aquela que já havia sido de Zico, um dos maiores da história do clube. Mas em 2024, uma série de eventos abalou sua relação com o Mengão. A suspensão por recusa em fazer exame antidoping, o churrasco com a camisa do Corinthians — tudo isso custou caro. Perdeu o manto mais tradicional.

Foi quando pediu a 99. E aquele número, longe de ser um prêmio de consolação, virou seu maior troféu. Com a camisa 99 nas costas, Gabigol deu a volta por cima. Na final da Copa do Brasil contra o Atlético-MG, no Maracanã, marcou dois dos três gols que levaram o Flamengo à vitória. Depois, na volta, na Arena MRV, confirmou que seu ciclo rubro-negro chegava ao fim — mas deixava sua marca impressa em um número que agora carrega história.

A vitória sobre a Chapecoense levou o Flamengo a 37 pontos no Campeonato Brasileiro, sete atrás do Palmeiras. Pedro marcou dois gols na partida, enquanto um gol contra de Rafael Thyere completou a goleada. No mesmo jogo, Arrascaeta retornou aos gramados após 54 dias afastado por lesões na clavícula e na panturrilha, entrando por 22 minutos para reencontrar o ritmo de competição.

Para Lorran, agora com a 99 nas costas e o elogio de Gabigol ecoando nas redes, o desafio é consolidar o que começou com brilho. Tem qualidade, marcou golaço, conquistou o elenco. Mas sabe que deve evoluir na defesa e na leitura do jogo. É assim que funciona o futebol de alto nível no Mengão — números prometem, mas apenas quem aprende a estrutura coletiva permanece.