Jardim assume culpa pelo empate e critica falta de maturidade do Flamengo

“O responsável sou eu.” Leonardo Jardim não fugia da culpa após o Flamengo desperdiçar uma vantagem de 2 a 0 e empatar em 2 a 2 com o Vasco no Maracanã, neste domingo. O técnico se irritou durante a coletiva pós-jogo e apontou para si mesmo como o principal responsável pelo resultado que custou aos rubro-negros a chance de encurtar distância do Palmeiras.

O Mengão abriu dois gols de vantagem com precisão: Pedro marcou aos 8 minutos do primeiro tempo, e Jorginho converteu pênalti aos 15 do segundo. Tudo sob controle. Tudo perdido nos acréscimos. Robert Renan cabeceou para diminuir aos 39 do segundo tempo, e Hugo Moura completou o empate já aos 53 minutos dos acréscimos, deixando o Maracanã em silêncio.

A frustração de Jardim era compreensível. E ela apareceu clara na sua análise: “Tivemos 30, 35 minutos aceitáveis, com dois gols, algumas situações. Depois entregamos o jogo ao adversário.” O treinador não poupou críticas ao desempenho, mas dirigiu a responsabilidade para si próprio e não para os atletas. Reconheceu que não conseguiu manter a equipe no mesmo nível durante toda a partida.

Escalações e decisões táticas questionadas

Jardim admitiu que a escolha dos atletas que entraram em campo não foi suficiente para garantir consistência. “Temos que ter mais responsabilidade. Guardar resultado também”, afirmou, apontando para a imaturidade do Mengão em proteger uma vantagem conquistada nos minutos iniciais. A sequência de quatro vitórias consecutivas foi interrompida exatamente quando parecia que o time havia encontrado o caminho.

O técnico também especificou onde errou taticamente. As bolas aéreas foram um ponto crítico. “Existe sempre a ideia de evitar a bola na área, facilitamos, não reduzimos. E os duelos. Temos que ter atenção”, destacou. O Vasco, mais fresco e desesperado, aproveitou justamente isso: escanteios e cruzamentos. Robert Renan marcou de cabeça em cobrança de escanteio, e Hugo Moura também saiu de uma bola parada.

As estatísticas revelaram o domínio inicial rubro-negro rapidamente cedido. O Flamengo finalizou 12 vezes (6 no gol) com 49% de posse de bola. O Vasco, porém, atacou mais: 20 finalizações (6 no alvo) e 51% de posse. Isso traduz exatamente o que Jardim criticou: a entrega progressiva do jogo ao adversário.

Desgaste, maturidade e Libertadores à frente

O comandante não usou o desgaste físico como desculpa total, mas reconheceu que o time estava mais pesado conforme o jogo avançava. “A gente sabia que a equipe do Vasco estava mais fresca e ia tentar o tudo ou nada no final, mas tínhamos que dar uma demonstração de maturidade e controle e não conseguimos”, explicou. Foi a admissão clara de um técnico que viu sua equipe falhar justamente onde deveria ser mais forte: na gestão de vantagem.

O resultado manteve o Flamengo em segundo lugar no Campeonato Brasileiro, com 26 pontos, empatado com o Fluminense. O Palmeiras segue na liderança com 33 pontos, mas com um jogo a mais. A chance de aproximação havia sido perdida em dois tempos de bola parada.

O Mais Querido agora se vira para a Libertadores. Na quinta-feira, às 21h30, enfrenta o Independiente Medellín em Medellín, pela quarta rodada do torneio continental. Não há margem para deslizes. Não há espaço para entregar o jogo no intervalo final. Jardim sabia disso quando deixou a zona mista do Maracanã, carregando sozinho o peso de um empate que custou mais do que apenas os três pontos: custou a confiança momentânea de um time que havia encontrado ritmo e sucesso.