Enquanto Samuel Lino brilha com 6 assistências na Série A, há um criador de jogadas que passa despercebido nas laterais. Guillermo Varela registra 3 passes para gol no Brasileirão 2026 — número expressivo para um defensor e prova de que o uruguaio virou arma tática silenciosa do Mengão.
Duas delas saíram num único jogo. No triunfo por 3 a 0 sobre o Botafogo, em 14 de março, Varela foi creditado com duas assistências na ficha de atuação. Semanas depois, na goleada 4 a 0 diante do Atlético-MG, em 26 de abril, completou sua série ofensiva com o terceiro passe decisivo. Esses números revelam contribuição direta consistente num setor que, historicamente, não é prioridade de criação no clube.
A relevância ofensiva do lateral vai além dos dígitos. Com 1.069 minutos em campo e média de avaliação próxima a 7.13, Varela provou que consegue equilibrar defesa e criação sem comprometer segurança. A Nação rubro-negra viu seu desempenho ganhar peso tático exatamente quando o Mais Querido precisava de alternativas para desafogar o meio-campo.
Concorrência saudável que rende oportunidades ofensivas
A disputa aberta na lateral direita com Emerson Royal virou fator positivo. O próprio Emerson Royal reconheceu a qualidade do concorrente ao afirmar que “o professor sabe que se colocar o Varela, ele vai dar conta do recado” — declaração que circulou entre jornalistas em março e que resume a confiança técnica depositada no uruguaio.
Essa concorrência saudável funciona como catalisador de desempenho. No segundo semestre de 2025, Varela havia ofuscado o rival em sequência brilhante, registrando duas assistências e um gol em seis partidas. Agora, no Brasileirão 2026, mantém a produção ofensiva como diferencial tático, não como anomalia episódica.
O papel do lateral como criador de jogadas transcende a Série A. Participação decisiva em mata-matas e torneios internacionais — como as disputas de Libertadores em 2025 e 2026 — reforçam que a capacidade de Varela de gerar oportunidades é traço permanente, não circunstancial.
Uma arma que completa o sistema ofensivo do Flamengo
Historicamente, Giorgian de Arrascaeta é o exemplo máximo de criador no clube. O meia concentra holofotes e registros de recorde em assistências. Mas a contribuição de um lateral como Varela reposiciona a tática ofensiva: distribui a responsabilidade de criar para além do eixo central, oferecendo ao técnico opção de construção de jogadas pelo flanco direito.
Com vínculo regularizado até dezembro de 2027, o Flamengo estrutura aposta de médio prazo no uruguaio. Os números do Brasileirão comprovam que Varela não é luxo tático — é engrenagem essencial que trabalha silenciosamente nos bastidores da ofensiva rubro-negra. Enquanto os holofotes cobrem os principais nomes, ele segue fazendo o trabalho que o clube precisava: criar sem tirar responsabilidades defensivas da conta.

Edmilson Lani é o responsável editorial do Flamengo RJ. Atua na curadoria, revisão e publicação de conteúdos do site, acompanhando de perto o noticiário do clube, os bastidores, o mercado da bola, os jogos e as análises do dia a dia. O site também utiliza fluxos de automação e ferramentas de apoio editorial no processo de produção, sempre sob supervisão humana sobre o conteúdo publicado.