Leonardo Jardim não vê problema na maratona de jogos fora do Rio de Janeiro que se aproxima. Em coletiva de imprensa na quinta-feira (23), o técnico português afirmou que a torcida do Flamengo faz qualquer partida disputada longe do Maracanã ser como um compromisso doméstico. Segundo o treinador, a presença rubro-negra nos estádios adversários nivela o campo de jogo e mantém a equipe operando dentro de sua identidade tática.
O contexto é claro: cinco dos próximos seis compromissos do Mengão serão em outros estados, entre 26 de abril e 14 de maio. Apesar de ser uma sequência desafiadora logisticamente, Jardim não cedeu ao argumento convencional de que jogar longe de casa representa desvantagem competitiva.
Costumo a dizer aos meus jogadores nas equipes que trabalho, o jogo fora de casa e dentro de casa o que difere é o apoio do público, mas lá dentro temos que continuar a desenvolver nossas formas de jogar e nossas competências. Por isso, a ideia de desenvolver um jogo em casa ou fora de casa não vai mudar. No Flamengo temos uma coisa boa, temos sempre nossos torcedores conosco, e isso vai permitir sempre estarmos em casa. Os torcedores, pelo que eu senti quando estava em outro clube, o Flamengo arrasta sempre muitas pessoas. Em casa ou fora, temos que ser Flamengo.
A declaração de Jardim não é meramente motivacional. Ela reflete a estratégia do técnico desde sua chegada ao clube: manter o desempenho ofensivo e a qualidade na posse de bola independentemente da localização do compromisso. Nos últimos dez jogos sob seu comando, o Flamengo acumulou sete vitórias, dois empates e uma derrota, totalizando um aproveitamento de 77%. No Campeonato Brasileiro especificamente, em sete partidas, conquistou cinco vitórias, um empate e uma derrota, marcando 14 gols com média de dois por partida.
Esse desempenho não é aleatório. Jardim implementou mudanças táticas e um rodízio de escalação nos primeiros dez jogos, com cinco alterações já no compromisso seguinte à goleada de 3 a 0 para o RB Bragantino em 3 de abril. A adaptação surtiu efeito: o Flamengo conquistou uma vitória convincente de 4 a 1 sobre o Independiente Medellín no Maracanã entre 16 e 17 de abril, com 62% de posse de bola, 23 finalizações (11 no alvo) e 504 passes (448 corretos).
Calendário repleto: sete compromissos em três semanas
A sequência que preocuparia a maioria dos técnicos começa no domingo (26 de abril). O Flamengo enfrenta o Atlético-MG na Arena MRV, em Belo Horizonte, às 20h30 (horário de Brasília), pela 13ª rodada do Campeonato Brasileiro. Três dias depois, na quarta-feira (29), viaja para a Argentina para enfrentar o Estudiantes no Estádio Jorge Luis Hirschi, pela Libertadores. Volta ao Maracanã apenas em 3 de maio, contra o Vasco, em um clássico pelo Brasileirão.
Depois segue para a Colômbia, enfrentando o Independiente Medellín no Estádio Atanasio Girardot em 7 de maio, novamente pela Libertadores. Na sequência, joga contra o Grêmio na Arena do Grêmio em 10 de maio e retorna a Belo Horizonte para o confronto de volta contra o Vitória no Barradão em 14 de maio, fechando a volta da Copa do Brasil.
Dos seis próximos jogos, apenas um será no Rio de Janeiro. A carga é pesada, mas Jardim confia na estrutura defensiva e ofensiva que vem construindo. Nos sete jogos sob seu comando no Brasileiro, o Flamengo cedeu apenas seis gols e permitiu apenas sete grandes chances, dados que sugerem solidez na retaguarda mesmo com rodízios de escalação.
Vitória recente alimenta confiança
O triunfo de 2 a 1 sobre o Vitória na quarta-feira (22), pela ida da quinta fase da Copa do Brasil, chegou na hora certa. A partida no Maracanã funcionou como laboratório para o desempenho fora de casa: mostrou que Jardim consegue vencer sob pressão e mantendo sua filosofia tática. O Flamengo criou oportunidades, foi eficiente na finalização e administrou bem a partida nos momentos decisivos.
A narrativa do técnico português é coerente com os números. O Mengão precisa de menos de sete finalizações para converter em um gol durante o período sob seu comando, refletindo eficiência ofensiva. Com 16 grandes chances criadas em sete jogos, o time tem criatividade e profundidade nas ações ofensivas. A posse de bola superior a 50% em todos os compromissos garante controle do jogo independentemente do adversário ou do local.
O próximo teste é o Atlético-MG. A Arena MRV será cheia de torcida local, mas se a análise de Jardim estiver correta, a torcida rubro-negra fará diferença. O técnico credita ao Flamengo uma capacidade de “arrastar muitas pessoas”, mesmo quando o palco não é o Maracanã. Domingo saberemos se a minimização da sequência fora reflete confiança bem calibrada ou otimismo desmedido.

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