Leonardo Jardim deixou claro, após a vitória do Flamengo sobre o Bahia no domingo (19), que o rodízio entre Guillermo Varela e Emerson Royal nas laterais direitas não é apenas uma opção tática, mas uma necessidade estratégica para manter a equipe operacional. Em entrevista coletiva pós-jogo no Maracanã, o treinador explicou a lógica por trás da rotatividade e elogiou as características complementares de ambos os laterais, reforçando como a frescura física é determinante para o desempenho no modelo de jogo rubro-negro.
A vitória por 2 a 0 sobre o Bahia consolidou o Flamengo na vice-liderança da Série A com 23 pontos, resultado que permitiu a Jardim abordar com propriedade a questão do rodízio nas laterais. O treinador não poupou elogios a ambos os jogadores, mas deixou evidente que não abre mão de ter duas soluções de qualidade para o setor. “O Varela é extremamente importante. Além da capacidade de profundidade, ele é capaz de associar num espaço mais curto. O Royal tem movimento agudo muito mais forte, melhor jogo aéreo. O Varela é mais técnico, mais de associação. É um dos grandes jogadores que temos”, destacou.
O que diferencia a abordagem de Jardim é a preocupação explícita com a manutenção do rendimento físico dos atletas. O técnico apontou que a rotatividade não é luxo, mas necessidade imposta pelo modelo tático adotado. “Mas não abdico de ter duas soluções, como temos também do lado esquerdo. Quero rotatividade com qualidade. O Varela hoje fez 11 km, mas se ele jogasse jogos seguidos não ia fazer isso. Os jogadores percebem isso. É preciso frescura para a forma que queremos jogar. Mais fresco, o jogador consegue cumprir a tarefa”, finalizou em coletiva.
Varela mantém protagonismo no Brasileirão; Royal reforça presença nas competições mata-mata
Os números da temporada refletem a estratégia de Jardim. Guillermo Varela soma 14 jogos pelo Flamengo no ano, consolidando-se como presença frequente, especialmente no Brasileirão, onde sua capacidade de associação curta e regularidade técnica são determinantes. O uruguaio foi titular na vitória sobre o Bahia e cumpriu as expectativas do treinador em termos de volume físico e qualidade na distribuição de bola.
Emerson Royal, por sua vez, disputou 13 partidas em 2026 e começou como titular nas duas primeiras atuações do Flamengo na Libertadores, evidenciando que Jardim o utiliza estrategicamente conforme o torneio e o contexto físico. Embora o treinador não estabeleça uma regra fixa para o uso em cada competição, a alternância entre os dois demonstra planejamento claro e colhe resultados positivos. O Royal traz um tipo de movimento mais incisivo nas laterais, qualidades aéreas superiores e uma agressividade que complementa o perfil de Varela.
A defesa rubro-negra, que não sofreu gols contra o Bahia, mantém uma média impressionante de 0,7 gols sofridos nos últimos dez jogos, indicando que a rotatividade nas laterais não compromete a solidez defensiva. Pelo contrário, a alternância entre jogadores descansados parece contribuir para a consistência do sistema.
Saúl e frescura: o Flamengo roda e mantém qualidade
O compromisso de Jardim com a rotatividade se estende além das laterais. Contra o Bahia, Saúl reestreou pelo Flamengo após quase cinco meses afastado por cirurgia no calcanhar esquerdo realizada em janeiro. O experiente meio-campista entrou aos 33 minutos do segundo tempo e, em seu primeiro toque, desviou de letra um escanteio de Nico De la Cruz para Lucas Paquetá marcar o segundo gol. Sua volta, após ausência desde 17 de dezembro, quando atuou na final da Copa Intercontinental contra o Paris Saint-Germain, reforça que Jardim pode contar com soluções alternativas no elenco.
O aproveitamento tático de Saúl demonstra confiança do treinador em rotacionar sem perder qualidade. O Flamengo, apesar de ter registrado posse de bola de 52% contra o Bahia — abaixo da média sazonal de 57,5% — e eficiência de finalização de 10% (menor que os 14,6% da temporada), conseguiu converter as oportunidades que criou. Os gols de Arrascaeta no primeiro tempo e Paquetá no segundo foram suficientes para a vitória confortável.
Com 561 passes executados com 88% de precisão, o Flamengo também demonstrou consistência na circulação de bola apesar de não ter dominado as estatísticas de posse. Isso alinha-se com a filosofia de Jardim de priorizar frescura e execução sobre volume de jogo prolongado.
O próximo compromisso do Flamengo é a estreia na Copa do Brasil, marcada para esta quarta-feira (22), contra o Vitória, no Maracanã, às 21h30. A partida é válida pela ida da quinta fase da competição. A rotatividade nas laterais, consolidada após a vitória sobre o Bahia, deverá seguir como ferramenta estratégica de Jardim para manter o desempenho em um calendário que promete ser intenso até o final da temporada.

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