José Boto gravou um vídeo nesta segunda-feira (27) desabafando contra a arbitragem e o sistema semiautomático de impedimento após o empate por 1 a 1 entre Flamengo e São Paulo no Maracanã. O diretor de futebol do Mais Querido cobrou esclarecimentos da Comissão de Arbitragem da CBF e pediu critérios uniformes nas decisões, apontando dois lances controversos que o Mengão vivenciou durante a partida.
A crítica de Boto teve como foco principal o procedimento de checagem do gol anulado de Wallace Yan nos acréscimos, que resultou na anulação também de Samuel Lino. O dirigente questionou quando exatamente a linha de impedimento é traçada e apontou que as imagens exibidas não deixavam claro o momento do passe, que é quando a linha deve ser definida.
“Há um ponto que tem que ser esclarecido: quando é que aquela linha é traçada? Aquela linha deve ser traçada no momento do passe. E isso nunca é visível nas imagens”, afirmou Boto. Ele ressaltou que, nas transmissões de competições internacionais, é apresentada uma imagem com todo o campo, mostrando claramente a altura da bola no instante do passe. “Nós não temos a certeza, nem sabemos se aquela linha foi traçada na altura que o passe é feito”, completou.
O pênalti não marcado e a questão do braço
Além da controvérsia sobre o impedimento, Boto também questionou a não marcação de uma possível penalidade envolvendo Wendel, defensor do São Paulo, em um lance com toque de mão dentro da área. O dirigente cobrou transparência sobre a interpretação das regras e pediu que a Comissão de Arbitragem da CBF deixe claro se o uso ostensivo do braço, mesmo próximo ao corpo, constitui infração.
“É sempre claro que a utilização do braço ostensivamente, mesmo que o braço esteja perto do corpo, para tirar vantagem, é falta ou não é falta?”, indagou o dirigente. Boto destacou que ouviu especialistas de arbitragem afirmarem que tanto faria marcar como não marcar o pênalti, o que, segundo ele, impossibilita padronização.
A preocupação do diretor rubro-negro vai além do jogo específico. Ele alertou que a falta de critérios uniformes gera inconsistência entre diferentes campos e estados do país. “Num campo não vão marcar, num estado não vão marcar e noutro estado vão marcar. Isso gera polêmicas e faz com que a arbitragem não tenha tranquilidade suficiente”, avaliou Boto.
O árbitro da partida foi Anderson Daronco, com Rodrigo D’Alonso Ferreira no VAR. Boto ressaltou não culpar Daronco pela decisão do pênalti, pois a visão do árbitro de campo não era clara, mas questionou por que o VAR não marcou o lance. “A do VAR tem que ser clara. É essa, tem que ser essa para ser”, afirmou o dirigente.
O cenário do Flamengo na competição
O empate no Maracanã chegou com especial peso para o Mengão neste momento do Campeonato Brasileiro. Com 38 pontos após 20 rodadas, a Nação rubro-negra está seis pontos atrás do Palmeiras (44), reduzindo as chances de título. Léo Pereira, que marcou o gol do Flamengo no jogo, afirmou que o resultado atrapalha as ambições do time na competição.
Mais de 70 mil torcedores estiveram presentes no Maracanã para acompanhar a partida. O técnico Leonardo Jardim criticou a lentidão na construção do time no primeiro tempo e reconheceu que o adversário ocupou bem os espaços. No segundo tempo, porém, o Flamengo dominou amplamente, mas não converteu o domínio em vitória.
As dificuldades para o Mengão aumentam ainda mais com as ausências no elenco. De la Cruz está fora por problema muscular no joelho, com previsão de recuperação de 6 a 7 dias. Léo Ortiz também não jogou contra o São Paulo por questões físicas, deixando a defesa com opções reduzidas.
O próximo desafio do Flamengo é contra o Internacional, nesta quarta-feira (29), às 19h30, no Beira-Rio, em partida transmitida pelo Amazon Prime Vídeo. O resultado contra o São Paulo deixa clara a urgência por vitórias consecutivas se o Mengão quiser manter vivas as chances de disputar o título do Brasileirão.
A crítica de Boto reforça um debate cada vez mais presente no futebol brasileiro: a necessidade de transparência e padronização nas decisões arbitrais, especialmente com o uso de novas tecnologias. O pedido do diretor rubro-negro é que a CBF esclareça seus procedimentos e garanta que árbitros e VAR trabalhem com os mesmos critérios em todo o país.

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