A Confederação Brasileira de Futebol (CBF) divulgou o áudio do VAR que explica a anulação do gol de Samuel Lino no jogo entre Flamengo e São Paulo, disputado em 26 de julho pelo Campeonato Brasileiro. Mais de duas semanas após o confronto, a entidade detalhou os critérios técnicos que levaram à decisão polêmica que custou a vitória ao Rubro-Negro no Maracanã.
Quando Samuel Lino balançou a rede nos acréscimos da partida, o árbitro Anderson Daronco acionou o VAR para validar o gol. Na cabine, os árbitros de vídeo iniciaram uma sequência de checagens. Primeiro, examinaram um possível toque de mão de Arrascaeta dentro da área. Em seguida, as imagens revelaram que a bola havia tocado no rosto do camisa 10 rubro-negro antes da jogada evoluir.
Após essa constatação, os profissionais consultaram o sistema de impedimento semiautomático. A tecnologia indicou que Wallace Yan estava centímetros à frente do defensor do São Paulo no momento do lance. Com base nessas três análises, a arbitragem confirmou a anulação do gol e manteve o placar em 1 a 1.
O contexto da decisão e as críticas posteriores
A anulação gerou repercussão imediata. José Boto, diretor de futebol do Flamengo, gravou um vídeo dois dias após a partida questionando os procedimentos da arbitragem. O dirigente cobrou esclarecimentos da Comissão de Arbitragem da CBF sobre quando exatamente a linha de impedimento é traçada e apontou que as imagens transmitidas não deixavam clara qual era o momento exato do passe, instante em que a linha deve ser definida.
Boto também apontou uma segunda controvérsia do jogo: a não marcação de um possível pênalti envolvendo Wendel, defensor do São Paulo, após toque de mão dentro da área. O dirigente questionou a interpretação uniforme das regras sobre o uso ostensivo do braço e reclamou da falta de transparência nos critérios aplicados pela arbitragem.
“Há um ponto que tem que ser esclarecido: quando é que aquela linha é traçada? Aquela linha deve ser traçada no momento do passe. E isso nunca é visível nas imagens”, afirmou Boto na ocasião. Ele ressaltou que em competições internacionais é apresentada uma imagem com todo o campo, mostrando claramente a altura da bola no instante do passe, o que não ocorre no futebol brasileiro.
O dirigente rubro-negro alertou ainda que a falta de critérios uniformes gera inconsistência entre diferentes campos e estados do país. “Num campo não vão marcar, num estado não vão marcar e noutro estado vão marcar. Isso gera polêmicas e faz com que a arbitragem não tenha tranquilidade suficiente”, avaliou Boto.
Impacto na campanha do Flamengo
O empate contra o São Paulo chegou em momento delicado para o Flamengo na competição. Com 38 pontos após 20 rodadas, a Nação rubro-negra estava seis pontos atrás do Palmeiras (44), reduzindo as chances de título. Léo Pereira, que marcou o gol do Flamengo na partida, reconheceu que o resultado prejudicava as ambições do time no Brasileirão.
O técnico Leonardo Jardim havia criticado a lentidão na construção do time no primeiro tempo, mas reconheceu que o Flamengo dominou amplamente no segundo tempo sem conseguir converter o domínio em vitória. Mais de 70 mil torcedores estiveram presentes no Maracanã para acompanhar o confronto.
A divulgação do áudio do VAR pela CBF encerra formalmente a análise da decisão, mantendo a anulação como válida conforme os protocolos técnicos da confederação. No entanto, o episódio reforça o debate crescente no futebol brasileiro sobre a necessidade de maior transparência nas decisões arbitrais e padronização de critérios, especialmente com o uso de novas tecnologias como o impedimento semiautomático.
A expectativa agora é que a CBF responda aos questionamentos levantados por Boto e outros dirigentes sobre os procedimentos de VAR, definindo com clareza como e quando as linhas de impedimento são traçadas, além de estabelecer critérios mais uniformes para interpretação de lances envolvendo uso de braços na defesa.

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