Sorriso de orelha a orelha
Às vezes, eu me pego perguntando: por que diabos a gente sempre pega pedreira em sorteios?! Enquanto o Fluminense, fazendo uma Libertadores meia-boca, está perto da semifinal e o Palmeiras sempre cai em um grupo mamão com açúcar, com o Flamengo é paulada atrás de paulada. A resposta: trata-se de uma provação para o Mengo sair mais fortalecido e mostrar aos “cegos que não querem ver” quem é o manda-chuva da bagaça toda.
Mas ser o manda-chuva da bagaça toda não nos faz vencedores automaticamente. É apenas um indicativo ou, como dizem os juízes quando decidem sobre uma liminar, uma “prova perfunctória”. Para o Mengo vencer, sabedor de que é superior ao adversário, é necessário combinar técnica, tática, segurança defensiva, uma dose de “não-azar” e bola no pé (“não-azar” é diferente de sorte). Quando a partida tem condições externas adversas, como altitude, é necessário um elemento extra: inteligência.
E foi justamente o que mostramos ontem, em Quito, contra o Suco Del Valle: inteligência, letalidade. A inteligência passa pela escolha dos jogadores certos e o momento adequado de dar o bote, de recuar, de avançar, de ver onde o adversário está dando espaços, de cansá-lo e de não se cansar. E até mesmo inteligência emocional, para não cair na esparrela do oponente nem nos “causos” da arbitragem. Ora, o Flamengo não é mais aquele bobinho da Libertadores de alguns anos. Somos o maior campeão no continente do maior país do continente. Arrisco dizer, sem êxtase do momento, que é questão de tempo superarmos Boca Jrs., Penãrol e Independiente: eles pararam no tempo, enquanto o Flamengo cresce ao longo do tempo. Em 2040, a gente volta a tocar neste assunto. Me lembrem, por favor!
Não à toa, escrevo esta coluna com um sorriso de orelha a orelha. Confesso que não esperava um resultado tão bom: 0x2 na casa dos caras, na altitude, um adversário cascudo, liderando com o triplo de voltas o Equatorianão (grandes coisas…). Bem que o Eboli, na CBN, enquanto eu dirigia para assistir ao jogo na casa do meu pai, aniversariante de amanhã, disse: se o Flamengo jogar o que sabe, vence, sim, senhor. A parada era complicada, mas, quando a parada é complicada, sabemos há sete anos quem entra em ação: Bruno Henrique, que nos ajudou a “levar os três pontos” de ontem. De mais a mais, torci o nariz quando li a presença do Emerson Royal na escalação, sobretudo porque o ala-esquerdo deles é perigoso e poderia deitar e rolar por ali, mas, veja só, apesar de alguns errinhos básicos, o Royal deu um passe perfeito para o Léo Pereira matar a peleja. Ayrton Lucas, a meu ver, foi super bem defensivamente. Na parte de frente, uma certa galera deixou a desejar, porém, como eu disse, o que definiu a partida não foi a overdose de jogadas de ataques e, sim, a letalidade.
Nada tá definido. Não vamos “americadomexicozar”. Estamos com um pé e meio na semifinal, e não os dois. Tudo ao seu tempo – tempo, este, que só vem corroborando nossa dinastia.
Remo x Regatas
Antes de sermos a potência no futebol que somos, lá no princípio do século passado, o Flamengo teve em seu nascedouro os esportes aquáticos. Por isso temos a palavra “Regatas” em nosso nome. Uma regata de remo, certamente, exige muita força física.
A partida em Belém contra o adversário que não é homônimo porque não é Regatas, mas é Remo, exigiu força física e muita noção de como lidar em esportes aquáticos. Isto porque sabemos que chove bastante na região amazônica brasileira. E ainda assim insistem em marcar o jogo para o chamado “horário da chuva”. Felizmente, o Flamengo é calejado, Belém não chega a ser Caxias do Sul (onde as condições climáticas costumam nos atrapalhar muito) e, já que água era em demasia por ali, água mole em pedra dura tanto bate até que fura. E furou: Samuel Lino, o cara do momento!
Outra pedra dura, mas que anda molenga e perdendo seus golzinhos, é o Pedrão. Tá certo que todo goleiro vira Neuer contra a gente, porém, no último domingo, virou Gordon Banks. Que defesaça! Mas que o Pedro finalizou todo torto, finalizou sim!
Como já era esperado, assumimos a liderança do campeonato em vitória típica de pontos corridos, combinada com o tropeço da concorrência. O osso pode até ser largado e recuperado, mas meu otimismo só aumenta: o ano de 2026 tá cada vez mais ficando à feição rubro-negra. E sabemos bem como isso termina.
Isto posto,
Saudações Rubro-Negras!
Obs.: Créditos do título da coluna ao meu amigo Lemos!

Ricardo Santoro Nogueira, 39 anos, casado, nascido em Brasília/DF, é advogado e exageradamente flamenguista. Herdou de seu pai este viciante hábito de ocupar 90 min. assistindo ao Mais Querido. É fã de Zico, Adriano, Arrascaeta e Bruno Henrique, entre outros que também mereceriam destaque. Quase morreu em 2019, mas passa bem.