José Boto não poupou críticas à imprensa brasileira. O diretor de futebol do Flamengo afirmou que jornalistas inventam histórias sobre o clube sem qualquer base verídica, e citou o interesse em Messi como o exemplo mais absurdo dessa prática. A denúncia veio em entrevista ao jornal A Bola, de Portugal, onde o dirigente português explicou o desafio de lidar com a cobertura sensacionalista desde sua chegada ao Mais Querido.
“Há algo aqui no Brasil a que não estava habituado. Que é, por exemplo, sei lá, tu, como jornalista, inventas. Escreves ‘Flamengo está interessado no Messi’. Portanto, sem nenhuma base verídica”, apontou Boto. O português não se conteve e completou o relato de sua frustração: “E depois cria-se uma discussão quase nacional à volta de um assunto que não tem qualquer veracidade. E isso é só o princípio. Acabava por provocar um desgaste…”
O cenário pintado por Boto é real no cotidiano do Rubro-Negro. Um rumor lançado sem fundação ganha proporções, alimenta redes sociais, vira pauta de debate em programas esportivos e, ao fim, compromete a reputação do clube. O dirigente revelou ainda uma consequência pessoal dessa dinâmica: “Mas como é possível eles estarem a discutir algo que não corresponde à realidade. E eu passava na rua e as pessoas ‘Você não traga o Messi!'”
A crítica de Boto reflete uma realidade estrutural do jornalismo esportivo brasileiro, onde o engajamento — positivo ou negativo — move a máquina de conteúdo. O Mengão, por sua dimensão e pela paixão da torcida, é especialmente vulnerável a essa dinâmica. Uma afirmação infundada sobre qualquer atleta de renome ganha vida própria e exige desmentidos formais, o que, paradoxalmente, amplifica ainda mais a repercussão.
Os movimentos reais do diretor português
Apesar da frustração com o ruído mediático, Boto tem atuado de forma concreta desde sua chegada ao Flamengo em janeiro de 2025. Sua gestão já marcou o clube com decisões importantes: a contratação de Lucas Paquetá e a demissão de Filipe Luís, que havia sido técnico da equipe antes do português chegar.
A chegada de Leonardo Jardim em março de 2026 foi outra marca do trabalho de Boto. O dirigente elogiou o treinador português como “camaleônico”, ressaltando sua versatilidade tática e capacidade de adaptação — qualidades essenciais para um projeto em reconstrução. Jardim assinou contrato até dezembro de 2027 e assumiu o Rubro-Negro com o mercado fechado, o que limitou os reforços imediatos. A próxima janela de transferências abre em 20 de julho de 2026.
Mesmo com essas restrições, o trabalho do técnico começou a render bons resultados. Samuel Lino, atacante do Mengão, foi um dos beneficiados pela mudança. Com Filipe Luís, Lino registrou apenas 2 gols e 3 assistências em toda a temporada anterior. Sob o comando de Jardim, em pouco mais de dois meses, o atleta marcou 4 gols e deu 6 assistências. O desempenho melhorado, porém, não foi o suficiente para Lino ser convocado para a Copa do Mundo de 2026, quando a CBF divulgou sua lista em 18 de maio — Ancelotti optou por Vinicius Júnior e Gabriel Martinelli para a ponta esquerda.
A vitória por 3 a 0 do Flamengo sobre o Coritiba no Maracanã, em 30 de maio, exemplificou a evolução tática sob Jardim. Lino marcou dois gols e deu uma assistência naquela noite, sinalizando a adaptação do elenco ao novo projeto.
Prioridades e o futuro de Boto
Boto já listou as prioridades para o mercado: um centroavante de referência, um volante e um meio-campista. Esses reforços deverão chegar após a reabertura da janela em julho, quando o dirigente terá mais flexibilidade para negociações internacionais.
O português não descartou, em sua conversa com A Bola, a possibilidade de retornar ao futebol grego caso surja uma oportunidade atraente. Por enquanto, porém, Boto segue focado em estruturar o Flamengo e em lidar com a pressão mediática que todo diretor europeu enfrenta ao trabalhar no futebol brasileiro — uma realidade que, segundo ele, extrapola qualquer expectativa anterior.

Edmilson Lani é o responsável editorial do Flamengo RJ. Atua na curadoria, revisão e publicação de conteúdos do site, acompanhando de perto o noticiário do clube, os bastidores, o mercado da bola, os jogos e as análises do dia a dia. O site também utiliza fluxos de automação e ferramentas de apoio editorial no processo de produção, sempre sob supervisão humana sobre o conteúdo publicado.