José Boto ironiza Abel Ferreira: “Muito choro, muito choro”

José Boto não deixou barato. Quando questionado sobre as reclamações de Abel Ferreira quanto a decisões arbitrais, o diretor técnico do Flamengo respondeu com uma ironia que ecoaria nos bastidores do futebol brasileiro. Em entrevista ao jornalista Gabriel Orfão, Boto comparou o comportamento do compatriota português ao fado — gênero musical tradicional de melancolia — e disparou: “muito choro, muito choro”.

A frase virou síntese de um conflito que vinha se acumulando entre Mengão e Palmeiras. O técnico palmeirense havia declarado, após o embate contra a Jacuipense, que se sentia prejudicado por decisões externas, sugerindo movimento coordenado contra seu trabalho. Boto aproveitou a deixa para rebater, deixando claro o tom de desaprovação do Flamengo diante das reclamações sistemáticas do rival.

Não era apenas uma troca de palavras isolada. O episódio fazia parte de uma escalada maior de tensão entre as duas instituições. Semanas antes, Leila Pereira, presidente do Palmeiras, havia chamado o Flamengo de “Real Madrid da Shopee” em tom debochado. O Mengão responderia através de seus dirigentes com críticas afiadas, intensificando o atrito.

Bap entra na briga e critica relação entre Vasco e Palmeiras

A tensão não ficou restrita ao duelo Flamengo x Palmeiras. Luiz Eduardo Baptista, presidente do Flamengo, também entrou na disputa. Durante evento em Campinas, Bap criticou duramente a possível venda da SAF do Vasco para o enteado de Leila Pereira, o empresário Marcos Lamacchia. O cartola do Mengão questionou a legalidade e a ética da operação, destacando que instituições financeiras não emprestam dinheiro a clubes com conflito de interesse.

“Qual instituição financeira vai emprestar dinheiro para vocês e pedir como garantia o título da sua dívida?”, perguntou Bap retoricamente. Ele apontou o precedente do empréstimo de R$ 80 milhões que o Palmeiras havia feito ao Vasco no ano anterior, vésperas de partida entre os clubes no Allianz Parque.

Pedrinho, presidente do Vasco, respondeu com ironia própria. Em publicação no story do Instagram, o mandatário cruzmaltino questionou: “Quem é o presidente do Flamengo para saber com quem eu pego empréstimo?”. A resposta escancarava o incômodo com as interferências do Mengão em assuntos internos do Colado.

Gramados sintéticos viram arma de disputa

A briga transbordou para terreno institucional. O Flamengo protocolou na CBF pedido para proibir o uso de gramados sintéticos em competições nacionais até 2027. A medida tinha claro recado ao Palmeiras, que mantém seu estádio Allianz Parque com grama artificial — campo onde o time tem aproveitamento perfeito.

O Palmeiras contra-atacou chamando Boto de “chorão profissional” em resposta às críticas sobre arbitragem. A frase ecoava a própria acusação que Boto havia feito contra Abel, criando um ciclo de provocações onde cada palavra disparada recebia retorno imediato e mordaz.

Enquanto isso, os dois times seguiam suas campanhas dentro de campo com trajetórias bem distintas. O Flamengo mantinha ritmo consistente, com 83,3% de aproveitamento nos dez últimos jogos e 68,1% no geral na temporada. O Palmeiras oscilava mais, com 50% de aproveitamento na sequência recente, frequentemente dividido entre vitórias contundentes e derrotas que alimentavam exatamente as explicações que Abel oferecia sobre arbitragem e condições adversas.

O tom das declarações de Boto refletia mais que simples provocação. Era o Flamengo deixando claro que não aceitaria mais as narrativas construídas pelo técnico palmeirense — narrativas que, segundo o Mengão, buscavam transferir responsabilidades e criar clima para justificar resultados. A ironia portuguesa, o “muito choro” repetido, era maneira deliberada de desqualificar não apenas as palavras de Abel, mas a própria estratégia de comunicação que o Palmeiras vinha adotando.

As farpas entre os clubes continuariam ecoando nos bastidores, alimentadas por presidentes, diretores e técnicos em um ciclo que misturava futebol, negócios e vaidade institucional em doses crescentes.