Leonardo Jardim sabe exatamente qual tipo de atacante quer trazer para reforçar o elenco do Flamengo. Após a goleada de 3 a 0 sobre o Coritiba no Maracanã, neste sábado (30), o técnico português foi cristalino em sua entrevista coletiva: a prioridade não é um centroavante com as mesmas características de Pedro, mas um jogador versátil, capaz de jogar em diferentes funções no setor ofensivo.
“Se tivesse que escolher um atacante para a equipe, se essa fosse a prioridade, eu iria escolher um meio a meio entre Pedro e Bruno, para ficar com três soluções dentro da estrutura”, afirmou Jardim. A declaração marca o tom da busca do Mengão no mercado: flexibilidade ofensiva como resposta aos desafios deixados pela temporada anterior, quando o clube sofreu com a falta de opções no ataque.
O técnico também elogiou Samuel Lino, que foi determinante na vitória com dois gols e uma assistência. “É um pouco o que o Lino faz também. Foi muito bom esse jogo, para percebemos que temos mais uma solução como meia avançado ou segundo atacante”, completou. A performance de Lino contra o Coritiba ilustra justamente o tipo de jogador que Jardim valoriza — alguém que transita entre posições e agrega versatilidade ao ataque.
A necessidade de equilíbrio nos flancos
Jardim não parou na descrição do jogador ideal. Ele também diagnosticou um desequilíbrio estrutural no elenco que precisa ser corrigido. “Nosso lado esquerdo está sobrecarregado, temos muita gente que gosta de jogar daquele lado. No lado direito temos menos gente. Gosto de um plantel equilibrado”, explicou o português.
Essa observação revela um trabalho tático mais amplo do que apenas a contratação de um centroavante. O Mais Querido precisa repensar a distribuição de suas peças ofensivas entre os flancos, criando alternativas reais tanto pela esquerda quanto pela direita. Sem essa harmonia, qualquer reforço pontual pode não resolver o problema de mobilidade e criatividade que o clube enfrentou sob comando anterior.
A vitória sobre o Coritiba manteve o Flamengo em posição de força para essas negociações. Com 34 pontos, o rubro-negro mantém a segunda posição no Brasileirão, apenas quatro pontos atrás do Palmeiras, mas com m jogo a menos. Esse desempenho aumenta a credibilidade de Jardim junto à diretoria para justificar investimentos específicos no mercado.
O histórico de tentativas e a urgência por soluções
A busca por um centroavante não é nova. A diretoria trabalha nessa prioridade desde o início de 2026. No primeiro semestre, o clube demonstrou interesse em Kaio Jorge, do Cruzeiro, mas não conseguiu avançar devido a impasses financeiros. Além disso, em janeiro, Juninho foi negociado para o Pumas, do México, reduzindo ainda mais as opções para o setor ofensivo.
Essa combinação de fatores deixou Pedro como o único atacante de referência do elenco durante quase toda a temporada. Bruno Henrique frequentemente teve que atuar improvisado na função, o que afetou seu rendimento e não oferecia as soluções que o Mengão precisava em momentos críticos.
A próxima janela de transferências, que será aberta em 20 de julho e seguirá até 11 de setembro, representa a oportunidade do clube corrigir essa defasagem. Jardim já sinalizou claramente o que quer. Agora, cabe à diretoria executar a tarefa de encontrar no mercado um jogador que encaixe no padrão definido pelo técnico — versátil, capaz de jogar por dentro ou pelos lados, e que não simplifique as movimentações ofensivas do Flamengo.
A vitória sobre o Coritiba, construída com Samuel Lino em evidência e o time funcionando taticamente, funcionou como validação prática das ideias de Jardim. O técnico conseguiu extrair o melhor de seus jogadores, demonstrando que a questão não é apenas talento individual, mas ajuste estrutural e versatilidade ofensiva — exatamente o que ele vai buscar reforçar na próxima janela.

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