Leonardo Jardim cobra controle emocional após nova expulsão do Flamengo

Leonardo Jardim colocou o controle emocional do elenco em destaque após a vitória do Flamengo por 2 a 1 sobre o Fluminense, no Maracanã, neste domingo (12). Em coletiva pós-jogo, o técnico fez duras críticas à expulsão de Jorge Carrascal aos 50 minutos do segundo tempo, quando o time ainda construía o resultado, e alertou para uma tendência preocupante que se repete há seis partidas consecutivas.

A expulsão de Carrascal — cartão vermelho direto por uma tesoura — deixou o Flamengo com dez homens em campo numa fase delicada do clássico, quando o Fluminense pressionava em busca do empate. Apesar do apuro, a equipe rubro-negra resistiu e sacramentou o triunfo. Porém, o lance voltou a acender o alerta sobre uma vulnerabilidade que Jardim vem enfrentando desde o retorno de jogos intensos.

— Algumas expulsões são atitudes irrefletidas. Acho que não tem necessidade do Jorge Carrascal entrar daquela forma, mas foi a ânsia de tirar. Se não fosse vermelho seria amarelo. O Martinelli fez uma falta parecida e levou amarelo — iniciou Jardim na coletiva, traçando uma comparação que ilustra o grau de impulsividade em campo.

O treinador português compreende o dilema entre pedir pegada e conviver com as consequências da falta de controle. Para ele, a solução passa justamente por essa consciência tática e emocional que o elenco precisa desenvolver. — É muito importante o controle emocional. Quando a gente pede mais pegada, as emoções ficam à flor da pele. Eu prefiro corrigir quando entram com essa pegada do que estarmos apáticos e sem essa pegada — concluiu o técnico, explicando sua postura pedagógica diante do impasse.

Os números reforçam a urgência do alerta. Nos últimos seis jogos, o Flamengo terminou três partidas com um jogador a menos em campo: contra o Corinthians (fora), contra o Red Bull Bragantino (fora) e agora contra o Fluminense, no clássico carioca. Essa sequência coloca em risco não apenas o resultado imediato das partidas, mas também a moral e a segurança tática da equipe em momentos críticos.

Apesar da cobrança sobre o comportamento, Jardim elogiou a forma como o Flamengo superou o adversário em volume de jogo. Pedro marcou duas vezes — aos 7 minutos com um golaço de longa distância e aos 35 do segundo tempo, num cabeceio em cruzamento de Samuel Lino — para confirmar a superioridade técnica do time durante grande parte da partida. Com o doblete, Pedro chegou a 163 gols pelo Flamengo, ultrapassando Gabigol (161) na artilharia do século 21 e consolidando seu status de artilheiro fundamental do elenco.

Samuel Lino, que forneceu a assistência para o segundo gol de Pedro, continua em trajetória ascendente em 2026. O lateral acumulou quatro gols e cinco assistências em apenas 19 partidas nesta temporada, igualando os números que havia alcançado em toda a temporada anterior com 31 jogos — demonstração de eficiência e ganho de rendimento no sistema de Jardim. Savarino descontou para o Fluminense aos 31 minutos da etapa final, mas o Rubro-Negro administrou bem a vantagem até o apito final.

A questão central para Jardim agora é recuperar a disciplina e o equilíbrio emocional antes do próximo compromisso de grande peso. Nesta quinta-feira (16), o Flamengo enfrenta o Independiente Medellín pela segunda rodada da fase de grupos da Copa Libertadores, no Maracanã, às 21h30 (horário de Brasília). O técnico precisará manter a intensidade ofensiva que caracterizou o duelo com o Fluminense, mas sem permitir que a ânsia de vitória resulte em decisões precipitadas que comprometam a equipe numericamente.

A cobrança de Jardim reflete a maturidade de um técnico que reconhece a dualidade do desafio: exigir pegada, agressividade e vontade coletiva para vencer, mas sem abrir mão da responsabilidade individual e do autocontrole que diferencia equipes campeãs de equipes que se autossabotam. Com três expulsões em seis jogos, a mensagem é clara: o Flamengo precisa aprender a ganhar sem perder homens no campo.