Leonardo Jardim saiu do estádio de La Plata com críticas contundentes. O técnico do Flamengo culpou a arbitragem pela dinâmica do jogo de ida da semifinal da Libertadores, que terminou em 0 a 0 contra o Estudiantes, e cobrou mudanças para o confronto de volta no Maracanã. Para o rubro-negro, o árbitro paraguaio Juan Gabriel Benítez não controlou as faltas cometidas pelo time argentino, afetando o ritmo e a capacidade criativa do Mengão.
“O árbitro não deixou jogar”, disparou Jardim. Na avaliação do treinador, essa condução interferiu no desenvolvimento tático do time. O Estudiantes adotou uma marcação extremamente agressiva e conseguiu impedir que o Flamengo criasse espaços para finalizar. O resultado foi o que ninguém esperava: zero remates ao gol do Mais Querido em toda a partida.
A partida refletiu um Flamengo abaixo de seu potencial. Erros individuais e perda de posse de bola em momentos decisivos reduziram a produção ofensiva. O time argentino, por sua vez, construiu uma barreira defensiva que frustrou as tentativas de construção rubro-negra. Sem conseguir finalizar, sem conseguir criar perigo real, o Mengão deixou a decisão da vaga para uma semana depois.
Demora nas mudanças e falta de criatividade no ataque
Além da questão arbitral, Jardim também foi questionado sobre suas escolhas táticas durante o jogo. O técnico demorou a realizar as primeiras substituições, o que limitou a capacidade do time de reverter o panorama em La Plata. Quando as mudanças vieram, o cenário já estava consolidado: um empate sem gols que frustra quem sonha com a final.
O treinador reconheceu a dificuldade imposta pelo Estudiantes. “Fizemos um jogo inteligente… extremamente agressivo”, admitiu, referindo-se à postura defensiva e à intensidade do adversário. Mas o ponto crucial está na falta de resposta criativa do Flamengo. O time não conseguiu romper a organização ofensiva do time argentino e acabou refém de uma partida de transição que não favorecia ninguém.
A questão é que, em uma semifinal de Libertadores, um time do porte do Mengão precisa sair vitorioso quando joga fora de casa. Empatar é bom apenas se o objetivo for levar o duelo para casa. Mas exigir vitória na volta é cobrar do Flamengo o que ele não conseguiu fazer na Argentina: produzir ofensivamente contra uma defesa organizada.
Maracanã como última chance e promessa de competência
A vaga na final fica aberta. O Flamengo terá uma última oportunidade no Maracanã, na próxima quinta-feira, para definir quem segue na competição. Perdendo, fica eliminado. Empatando novamente, iremos pro sofrimento dos penalts. Apenas a vitória garante a presença direta na decisão da Libertadores.
Jardim não escondeu a responsabilidade. “A luta continua no Maracanã e queremos ser mais competentes”, afirmou. A palavra “competentes” carrega peso: é o reconhecimento de que o desempenho em La Plata ficou abaixo do esperado. Não é questão de derrota, mas de falta de competência na execução daquilo que o time deveria fazer bem.
A arbitragem será um ponto de atenção também para o confronto de volta. Se a Conmebol colocar um árbitro mais permissivo, o Flamengo pode ganhar margem para jogar seu futebol. Mas Jardim não quer depender disso. O técnico sabe que precisa de ajustes internos: decisões mais rápidas nas mudanças, melhor administração da posse de bola e, acima de tudo, produção ofensiva real.
Enquanto isso, a outra semifinal já tem rumo definido. O Palmeiras venceu o Fluminense por 2 a 1 e carrega vantagem para o segundo jogo.
Para o Mais Querido, portanto, a pressão é máxima: corrigir o plano de jogo, cobrar competência tática e garantir a presença na decisão continental.

Edmilson Lani é o responsável editorial do Flamengo RJ. Atua na curadoria, revisão e publicação de conteúdos do site, acompanhando de perto o noticiário do clube, os bastidores, o mercado da bola, os jogos e as análises do dia a dia. O site também utiliza fluxos de automação e ferramentas de apoio editorial no processo de produção, sempre sob supervisão humana sobre o conteúdo publicado.