Leonardo Jardim deixou clara a hierarquia do curto prazo no Flamengo: os quatro jogos do Campeonato Brasileiro antes das oitavas da Libertadores contra o Cruzeiro são tão importantes quanto o próprio mata-mata continental. O técnico do Mengão não vê a sequência nacional como interrupção ou simples passagem de tempo até o duelo mineiro.
“O jogo mais importante vai ser a Chapecoense, vai ser o São Paulo, porque nós vamos ter quatro jogos antes da Libertadores que podem defender muito bem o Campeonato Brasileiro”, afirmou Jardim ao reforçar que a equipe rubro-negra não abandonará a competição doméstica mesmo com os olhos voltados para a Copa Libertadores.
O retorno do Mais Querido aos gramados oficiais está marcado para 22 de julho, quando enfrenta a Chapecoense pela 19ª rodada do Brasileirão. Antes disso, a equipe realiza sua intertemporada em Portugal, no Algarve, onde disputa amistosos contra River Plate, Lausanne-Sport e Benfica. O período de preparação no continente europeu é fundamental para que o elenco chegue em condições ideais aos confrontos da sequência nacional.
Cruzeiro como referência no calendário acelerado
Jardim também exaltou a qualidade do adversário que aguarda nas oitavas. O técnico não subestimou o Cruzeiro, que se reforçou consideravelmente visando à Libertadores e à Copa do Brasil. “Flamengo e Cruzeiro é um confronto de grande importância para nós, contra uma equipa de qualidade. O Cruzeiro é um dos grandes protagonistas do futebol no Brasil, montou uma equipe boa, que tem como objetivo a Libertadores e a Copa do Brasil”, comentou o treinador.
A observação de Jardim sobre o Cruzeiro ter deixado o Campeonato Brasileiro “um pouco longe” reflete a estratégia que ele próprio adota com o Mengão: usar a sequência nacional como ferramenta de preparação sem abandonar a disputa pelo título. O desafio de manter o desempenho em ambas as frentes é o que define o curto prazo da Nação rubro-negra.
A delegação que viajou para Portugal leva consigo 12 jogadores testados da base, aproveitando o período de intertemporada para avaliação e desenvolvimento de talentos. Isso ocorre justamente porque nove atletas convocados para a Copa do Mundo — Arrascaeta, Varela, De La Cruz, Carrascal, Plata, Alex Sandro, Lucas Paquetá, Danilo e Léo Pereira — permanecem afastados do grupo durante a primeira fase da preparação.
A ausência de Paquetá muda o planejamento
O planejamento de Jardim para as oitavas enfrenta uma complicação relevante: Lucas Paquetá sofreu lesão na coxa durante a Copa do Mundo e não voltará a tempo para a Libertadores. A perda do meia representa impacto tático imediato, já que Paquetá é um dos principais criadores de jogo do elenco rubro-negro.
Além do aspecto esportivo, o Flamengo trata de questão contratual delicada. O clube busca junto à FIFA a remuneração do salário de Paquetá durante o período de afastamento por lesão de natureza internacional. Essa movimentação administrativa reflete a complexidade de um calendário que comprime competições globais com demandas contratuais e de saúde do atleta.
O meia não integrará as convocações para Chapecoense, São Paulo e os demais compromissos do Brasileiro antes da Libertadores. Jardim precisará reorganizar seu esquema criativo, apostando em alternativas já presentes no elenco ou em revelações do trabalho de base que está sendo desenvolvido em Portugal.
A preparação em Lagos e Estoi, nos próximos dias, será determinante para que o Flamengo chegue equilibrado aos quatro jogos da sequência nacional e posteriormente às oitavas contra o Cruzeiro. O técnico não esconde que a hierarquia tática passa pela valorização imediata da competição doméstica, um recado que reposiciona o clube como protagonista em duas frentes simultaneamente.

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