Luxemburgo sugere Paquetá como volante; jogador prefere centralizado

Vanderlei Luxemburgo entrou no debate sobre a melhor posição para Lucas Paquetá no Flamengo e sugeriu que o meia deve atuar recuado como segundo volante. Para o ex-técnico, essa mudança transformaria o camisa 20 em uma peça de alto nível — não como organizador de jogo, mas como protetor da defesa e inteligência tática a partir de trás.

A sugestão de Luxemburgo ganha relevância justamente agora, quando Leonardo Jardim enfrenta uma necessidade prática: com Jorginho e Erick Pulgar fora, a escalação do Flamengo para enfrentar o Cusco nesta quarta-feira (8 de abril) às 21h30, em Cusco, carece de volantes puros. Paquetá, que entrou como segundo volante na vitória sobre o Santos, surge naturalmente como opção viável, embora admita preferir o centro do campo.

Em suas redes sociais, Luxemburgo foi direto e crítico sobre a contratação: “Estava olhando o Paquetá desde antigamente… Ele não é o cara que contrataram para o Flamengo para ser meia, finalizador, organizador e goleador. Ele não é esse cara. Esse é o Arrascaeta.” O recado disparado contra a expectativa inicial de que o jogador funcionasse como meia criador deixou clara a visão do ex-treinador sobre o perfil real de Paquetá.

A análise de Luxemburgo não é arbitrária. Ele comparou Paquetá ao modelo de Danilo, que atualmente joga no Botafogo e foi integrado à Seleção Brasileira: “Se ele jogar como volante, com a condição física que ele tem, com a habilidade, com o mesmo posicionamento do Danilo… acho que ele vai se tornar de alto nível.” Luxemburgo ressaltou que a força, técnica e habilidade de Paquetá funcionariam melhor quando “chegando por trás, conseguindo ver tudo o que está acontecendo”.

O ex-técnico detalhou como Paquetá operaria nessa função: “Jogando com dois em linha ou ‘um e dois’, um quase losango, ele na direita ou na esquerda. Ele vai funcionar muito bem. Ele pode ser uma grande contratação, não para frente, para organizar, mas por trás.”

Paquetá, no entanto, deixou claro sua preferência em coletiva após a vitória sobre o Santos. Questionado sobre qual posição prefere, o meia não titubeou: “Cara, eu procuro sempre me colocar à disposição, deixar à vontade para que o treinador decida, mas a gente conversa bastante. Ele sabe que atuar pelo centro do campo é uma situação que me deixa mais confortável.” O jogador, porém, reconheceu a versatilidade exigida e lembrou sua experiência: “Segundo volante é uma função que eu já fiz na Copa do Mundo, a maior parte da carreira foi assim.”

Paquetá finalizou afirmando estar preparado para qualquer missão: “Estou à disposição para fazer o meu melhor e ajudar o Flamengo.” A mensagem, embora amigável, revelou que o meia entende a necessidade mas mantém sua convicção sobre o lugar onde mais contribui.

No contexto imediato do jogo contra o Cusco, a escalação do Flamengo toma forma com limitações reais. Evertton Araújo é apontado como favorito para a marcação na formação, enquanto Paquetá e De La Cruz disputam a vaga de segundo volante. A ausência de Jorginho, Erick Pulgar, Saúl Ñíguez, Alex Sandro e Everton Cebolinha deixa poucos caminhos para Jardim.

O desafio adicional é a altitude de 3.350 metros do Estádio Inca Garcilaso de la Vega, em Cusco. A orientação técnica focou em dosar ritmo, posicionamento e concentração para que o elenco resistisse ao fator climático. Danilo foi confirmado como titular na defesa, enquanto o time busca equilíbrio ofensivo e defensivo diante de um adversário que recebe em casa com vantagem clara de aclimatação.

A transmissão do jogo pela TV Globo (aberto), GETV (YouTube) e Paramount+ (streaming) cobrirá essa decisão técnica — e talvez ela já se resolva antes do apito inicial: com ou sem Paquetá como volante, o Flamengo terá que impor seu ritmo em altitude, em seus primeiros passos pela Libertadores 2026.