Marcos Braz diz que corte de orçamento em 2020 impediu chegada de Leonardo Jardim

Marcos Braz afirmou que um corte orçamentário provocado pela pandemia em 2020 impediu a contratação de Leonardo Jardim como sucessor de Jorge Jesus, a ponto de o dirigente cancelar um almoço marcado com o treinador em Braga.

A declaração, dada em entrevista, é relevante para entender o desdobramento técnico que o Flamengo viveu após a saída de Jesus: segundo Braz, o orçamento inicialmente aprovado mudaria o rumo da escolha do treinador, e o recuo da diretoria 48 horas antes da viagem de busca forçou o clube a adotar alternativas que acabaram não dando certo.

O corte orçamentário e o almoço cancelado

Braz disse que já tinha o nome de Jardim como opção e que o valor disponível seria equivalente ao que o clube pagava a Jorge Jesus. Dois dias antes da viagem para oficializar o acerto, a diretoria informou que não seria possível manter o mesmo orçamento. Quem comunicou o recuo a Braz foi Bruno Spindel; na época, Rodrigo Tostes era o vice de Finanças.

Como consequência da mudança, Braz decidiu não seguir com o encontro agendado na casa do técnico em Braga.

“Eu pedi para marcar um almoço com ele em Braga e, quando vi que não ia ter orçamento, eu mesmo desmarquei. Não teria sentido eu ir lá. E isso eu já conversei com o Leonardo Jardim.”

Consequências: Torrent e a instabilidade técnica

Sem condições financeiras para avançar com Jardim naquele momento, o Flamengo optou por Domènec Torrent. A contratação de Torrent, segundo o relato de Braz, não trouxe os resultados esperados e marcou o início de um período de instabilidade técnica pós-Jesus.

O próprio relato de Braz traz elementos institucionais claros: a decisão foi informada por Bruno Spindel e envolveu avaliações do departamento financeiro, então sob a vice-presidência de Rodrigo Tostes. O episódio é apresentado pelo ex-vice como um corte que alterou o planejamento do clube para a comissão técnica.

O desfecho temporal da história aparece apenas agora: Leonardo Jardim assumiu o comando do Flamengo em 2026 e, até o momento da entrevista, acumulava três partidas, três vitórias — uma nos pênaltis — e nenhum gol sofrido.