“Vai ser 1 a 0. Gol do Nunes.” — Zico, ao ser questionado pelo repórter Raul Quadros sobre o placar da decisão em Porto Alegre.
Em 13 de março de 1983 — decisão referente ao Campeonato Brasileiro de 1982 — o Flamengo conquistou seu segundo título brasileiro ao vencer o Grêmio por 1 a 0, no Estádio Olímpico Monumental.
Após o empate em 0 a 0 no Maracanã, o Mengão precisava de uma vitória simples fora de casa e conseguiu em uma partida marcada por muita raça, maturidade e talento. O gol do título foi marcado por Nunes, o eterno “João Danado”, decisivo mais uma vez em finais importantes, após bela assistência do Galo.
Comandado por Zico dentro de campo e contando com uma geração histórica formada por nomes como Júnior, Leandro, Andrade, Adílio e Raul Plassmann, o Flamengo suportou a pressão gremista e mostrou a força de um time que vivia sua era mais gloriosa.
A conquista consolidou nosso bicampeonato brasileiro e reforçou a hegemonia rubro-negra iniciada com os títulos da Libertadores e do Mundial de 1981. Foi mais uma demonstração de que aquela camisa pesava — e muito.
E ontem enfrentamos o Grêmio mais uma vez lá no Sul, casa deles.
O JOGO
O cenário era de mais uma rodada totalmente favorável, assim como na anterior. Fluminense e Palmeiras empataram, e o São Paulo perdeu. A diferença é que, dessa vez, fizemos a nossa parte. Estamos crescendo cada vez mais no retrovisor do “Clorofila”, pedindo passagem, e parece ser apenas uma questão de tempo mantermos esse ritmo.
O Grêmio veio com três zagueiros, o que naturalmente abre espaços para os nossos bons volantes. Começamos amassando o adversário. Jorginho perdeu uma chance incrível, com o gol escancarado, e Plata acertou uma bomba no travessão — como cresceu de produção e vem jogando bola esse rapaz.
Continuamos em cima deles. Everton Araújo teve duas oportunidades, Carrascal carimbou a trave mais uma vez, e Lino obrigou o goleiro a fazer um milagre. Depois, o arqueiro ainda fez boa defesa em um chute do Pedro.
A impressão que tive era de que o jogo parecia estar acontecendo no Maracanã. Mas não existe jogo fácil. Nós é que precisamos fazer prevalecer nossa superioridade técnica e, jogando com disposição, conseguimos tornar qualquer partida mais acessível aqui no Hemisfério Sul.
Veio o segundo tempo, e o Grêmio melhorou um pouco nos minutos iniciais. Aos poucos, porém, retomamos o controle e a superioridade técnica da partida. Inclusive, Lino perdeu um gol inacreditável, cara a cara com o goleiro e praticamente dentro da pequena área.
Seguimos desperdiçando chances incríveis. Nosso treinador precisa entender o momento e colocar o elenco para treinar finalização, porque não é possível perder tantos gols assim.
E, como diz o ditado: “água mole em pedra dura…”. Em uma bela trama entre Ortiz e Royal, Carrascal abriu o placar: Mengão 1 a 0. Ufa!
O que mais me impressionou positivamente nesse jogo, além da quantidade de chances reais criadas, foi nossa competitividade. O time demonstrou uma disposição impressionante e, se capricharmos mais nas finalizações, não tem para ninguém.
E fim de papo.
Ganhamos merecidamente. Jogamos bem, fomos superiores e vencemos mais uma partida na Região Sul do país, onde outrora costumávamos apanhar.
Por fim, festa na favela: colamos no Palmeiras e abrimos uma “gordurinha” em relação aos demais adversários.
PRÓXIMO JOGO: É HORA DE COMER AQUELE ACARAJÉ
Agora é virar a chave, porque, na quinta-feira, teremos um jogo decisivo contra o Vitória, na Bahia, pela Copa do Brasil.
Embora não seja nossa prioridade absoluta, eu quero ganhar essa competição também. Ninguém até hoje conquistou essa tríplice coroa — mas aqui é Flamengo, e temos elenco para isso.
Além disso, em caso de eliminação, alguns dizem: “É melhor assim, porque teremos mais tempo para treinar e descansar o time para o Brasileirão e a Libertadores”. Mas será mesmo?
No ano passado, a própria CBF, com a mudança do calendário, nos deu uma lição: a importância de também disputar seriamente a Copa do Brasil.
Como vencemos por 2 a 1 aqui, o empate nos classifica. Mas quem disse que o Flamengo joga para empatar?
Vamos jogar para ganhar lá também.
Por fim, vamos com tudo pelo hexa, na raça.
“MÃE É AMOR QUE AMPARA, ENSINA E PROTEGE SEMPRE”, DESEJO UM FELIZ DIA DAS MÃES ÀS TODAS HEROÍNAS EM NOSSO GRUPO!
SRN

Fabio da Silva Gonçalves, casado, pai da Lorena, mora atualmente em Rio das Ostras RJ, Pastor auxiliar da ADVEC, Engenheiro, Professor concursado da FAETEC, estudou na Universidade Estácio de Sá, UCAM e Fasul, Mestrando em Ciências da Educação na UAP, foi figura assídua do Maracanã e tem como um dos maiores orgulhos de sua vida ser colunista do MELHOR site sobre Flamengo da Internet. O Flamengo RJ.