O Ministério Público do Rio de Janeiro (MPRJ) abriu investigação para apurar possíveis casos de superlotação em setores do Maracanã durante partidas de Flamengo e Fluminense. O órgão notificou os dois clubes, além de outras instituições envolvidas na operação do estádio, para prestar esclarecimentos sobre a quantidade de ingressos disponibilizados.
A apuração considera partidas realizadas entre dezembro de 2025 e agosto de 2026. Flamengo e Fluminense, que administram o Maracanã por meio da Fla-Flu Serviços S.A., terão 15 dias para apresentar informações ao Ministério Público. O órgão identificou indícios de que a quantidade de ingressos emitidos para determinados setores pode ter ultrapassado a capacidade permitida para essas áreas.
Além dos dois clubes cariocas, a notificação foi enviada à Federação de Futebol do Estado do Rio de Janeiro (Ferj), ao Batalhão Especializado de Policiamento em Estádios (Bepe) e às empresas FutebolCard e Cognitive Ruptix Solution, responsáveis por serviços de comercialização e logística de ingressos. A preocupação principal do Ministério Público está relacionada à segurança dos torcedores.
O que o Ministério Público quer investigar
O MPRJ pretende comparar o número de entradas disponibilizadas com a quantidade efetiva de torcedores presentes em cada setor do estádio. A investigação vai considerar ingressos vendidos, cortesias e gratuidades. O objetivo é verificar se houve situações em que o Maracanã recebeu um número de pessoas superior ao limite estabelecido para determinadas áreas.
Dessa forma, o Ministério Público busca entender a discrepância entre o que foi disponibilizado e o que realmente ocupou os espaços. Os dados solicitados servirão para análise comparativa da capacidade autorizada de cada setor frente aos números de entrada.
Públicos recentes do Mengão no estádio
O maior público do Flamengo como mandante na temporada aconteceu em partida de grande importância. Na vitória por 2 a 1 sobre o Cruzeiro, pelas oitavas de final da Libertadores, 72.481 torcedores estiveram presentes no Maracanã. Desse total, 68.510 pessoas foram contabilizadas como pagantes. O número está entre os maiores públicos registrados pelo Rubro-Negro no estádio em 2026.
Esse público é referência para a investigação, uma vez que representa um dos eventos com maior concentração de torcedores no período analisado pelo Ministério Público. A própria dinâmica de um jogo da Libertadores, com grande interesse da Nação rubro-negra, resulta em ocupação elevada das dependências do estádio.
O Mais Querido avançou às quartas da Libertadores após eliminar o Cruzeiro por 3 a 1 no agregado, o que mantém o clube em busca por títulos internacionais e garante mais partidas no Maracanã nos próximos meses.
No entanto, o Ministério Público não investigava apenas partidas isoladas de grande público. A apuração abrange todo o período entre dezembro de 2025 e agosto de 2026, o que inclui jogos de diferentes magnitudes e públicos variados. Isso permite ao órgão verificar se havia um padrão de superlotação ou se os casos foram pontuais.
Situação atual e próximos passos
A investigação ainda está em fase de apuração. Não há, até o momento, conclusão sobre eventual irregularidade cometida pelo Flamengo ou pelo Fluminense. O Ministério Público pretende receber os dados solicitados para fazer a análise das diferenças entre a quantidade de ingressos disponibilizados e a capacidade autorizada de cada setor.
O prazo de 15 dias começou a contar da notificação oficial. Flamengo e Fluminense precisam compilar informações detalhadas sobre ingressos, incluindo dados de vendas, cortesias concedidas e entradas gratuitas, além de documentação relacionada à capacidade de cada setor.
A resposta do Flamengo ao Ministério Público será fundamental para esclarecer a gestão de ingressos durante o período. O clube terá oportunidade de apresentar sua versão dos fatos e justificar, se for o caso, qualquer diferença entre ingressos emitidos e presença efetiva de torcedores no Maracanã.

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