O dia em que o Urubu espantou a Raposa
Historicamente, o Flamengo tem lembranças agradáveis contra o Cruzeiro. Foi em cima deles que metemos aqueles deliciosos 6×2 no famigerado Brasileirão de 2004, aqueles 5×1 da trupe de Ronaldinho e Thiago Neves, em 2011, e o gol do Elias na Copa do Brasil de 2013. Mas também temos lembranças desagradáveis contra o time celeste, em um passado recente, as quais não convém ser citadas.
O confronto pelas oitavas-de-final da Libertadores seria, com o trocadilho, uma “Liberta as Dores”, um tira-teima entre as boas e as más lembranças de Flamengo x Cruzeiro no século 21. Só que o Flamengo não é mais aquele time inocente de 2017 e 2018 nem aquele maltrapilho de 2003 e 2004. Já o Cruzeiro, por sua vez, passou por maus bocados nos últimos anos, a ponto até de esquecermos que ele existia.
Amigos, eu estava com uma confiança colossal para a partida. Em nenhum momento cogitei perder a vaga. E o 1º tempo confirmou isso: amassamos a Raposa. Foi espantosa a autoridade com que vencemos, ainda que tenhamos tomado uns sustinhos no início do 2º tempo. Também foi espantosa a qualidade técnica esbanjada em nossos dois gols. Que o Pedro desfila categoria, seja de peito ou de calcanhar, isso já sabemos. O improvável é sempre ele conseguir repetir, dentro dos mesmos 90 min., a genialidade de um toque refinado que deixa o companheiro na cara do gol. Arrascaeta e Samuel Lino apenas concluíram o que o Pedrão começou, o desmonte da defesa celeste. A torcida fica boquiaberta com nossa imposição tática c/c qualidade técnica, igual a cena do pânico mostrada no quadro de Edward Münch. Os antis também ficam boquiabertos, mas não têm a humildade de admitir isso. O que eles admitem é criar uma conclusão sobre um fato inconclusivo: eles têm certeza que aquela bola tirada pelo Jorginho em cima da linha entrou.
Ouso dizer que o Cruzeiro saiu satisfeito do Maracanã anteontem, o que é corroborado pela festa da torcida cruzeirense no estádio, após o apito final. Comemoraram uma derrota?! Acho que não. Mesmo sem saber, eles comemoraram não terem sido goleados, terem feito um golzinho bonitinho e saído da Libertadores eliminados por um time reconhecidamente superior e favorito, que, por sinal, também é o atual campeão.
Aos poucos – e ouvi dizer que isso pode ter partido dos próprios jogadores –, o time do Leonardo Jardim vai ficando a cara do time do Filipe Luís. Isto é muito bom, pois é assim que nosso DNA sabe jogar e é assim que fez 2025 lembrar 2019, quando conquistamos Libertadores e Brasileiro em efêmero espaço temporal.
Achamos a rota. Vamos seguir assim.
Data maxima venia
Data maxima venia, a goleada de 1×5 sobre o Mirassol mostrou quem é Flamengo e quem é Mirassol.
Mais do que isto: a vitória nos deixou como virtuais líderes do campeonato, cientes de que este jogo a menos, contra o mesmo Mirassol, salvo uma enorme hecatombe, tende a ser uma vitória do Mengo. Mas, até lá, com o jogo atrasado ainda sine die, outras rodadas virão.
A partida teve um nome: Jorge Carrascal. Um nome que vinha sendo criticado, por mim, inclusive, e não sem razão. Carrascal fez um gol e participou dos demais. Como sempre, também perdeu gol feito. Pedro, Luiz Araújo, Lino (que fez um golaço, porém estava impedido), Plata e etc., enfim, todo mundo foi bem, a meu ver, no último domingo.
E o que dizer da arbitragem? De início, achei que o lance da não-expulsão do jogador mirassolense era uma chance clara, mas não manifesta de gol. No mundo jusdesportivo, isto faz toda a diferença. Porém, revendo o lance, mudei de opinião: não tinha como o Carrascal não entrar cara a cara, por mais que ainda houvesse certa distância entre o local da falta e o gol. Na retaguarda, havia apenas dois adversários. Enfim… talvez coubesse, de fato, uma interpretação e aí a prudência indica que o VAR poderia ter dado ao árbitro uma chance de rever o lance no monitor, até mesmo porque esse mesmo juiz (de quem não gosto!) já havia dado cartão vermelho em jogada similar, noutra partida deste mesmo esporte e sob a mesma regra.
Vai entender… Se fosse o time de verde, com certeza o mirassolense (gostei deste gentílico) teria sido expulso!
Breve ausência
Estarei de férias na próxima semana, viajando com minha esposa. Mal sabe ela que programei essa viagem após as oitavas-de-final da Libertadores de propósito. Ou talvez até saiba, pois as mulheres são espertas.
De toda forma, não conseguirei acompanhar o Mengo com afinco nas duas próximas rodadas, como faço. Por isso, voltarei a escrever no dia 04/09.
Boa viagem para mim, bons jogos para nós!
Isto posto,
Saudações Rubro-Negras!

Ricardo Santoro Nogueira, 39 anos, casado, nascido em Brasília/DF, é advogado e exageradamente flamenguista. Herdou de seu pai este viciante hábito de ocupar 90 min. assistindo ao Mais Querido. É fã de Zico, Adriano, Arrascaeta e Bruno Henrique, entre outros que também mereceriam destaque. Quase morreu em 2019, mas passa bem.