O jogo dos gols esquisitos
Uma vitória que deu pro gasto. Suficiente. Sem sustos (ou com poucos). Time fraco é para ser vencido, até porque Chapecó não é Bragança Paulista.
Apesar do jogo nada bestial, destacaram-se a forma como os gols foram surgindo. Achei a partida esquisita – a começar pelo uniforme do Flamengo, totalmente titular, com meiões brancos – e engraçada. O gol contra da Chapecoense foi uma das coisas mais bizarras que já vi no futebol. Sou adepto da teoria do Quico, personagem do Carlos Villagrán no seriado Chaves: “dou risada quando vejo coisas engraçadas”.
Mas nem só de graça teve o 1º tempo. Teve dúvidas e admiração também. O golaço do Pedro no primeiro gol faz questionar o que Pedrão não tem que Igor Thiago e afins têm, na cabeça de Carlo Ancelloti.
O terceiro gol flamenguista mostrou porque Lorran deve ter mais chances. Arrisco dizer que o Wallace Yan, de volta à América e ao Hemisfério Sul, erraria o terceiro gol, novamente em um lance esquisitíssimo, em um rebote de casados versus solteiros. E o quarto gol foi aquela bagaça: chute que vira passe, desvio que vira finalização, meio mundo achando que poderia estar impedido, mas impedimento passou longe ali.
O destaque negativo da partida foi, sem sombra de dúvidas, Ayrton Lucas. Errou tudo e mais um pouco e reconheceu a péssima partida. Só me preocupa o emocional do jogador, mas técnico existe também para isso: melhorar o cara e protegê-lo. Talvez a melhor forma de proteger o Ayrton Lucas seja admitir que seu ciclo no Ninho chegou ao fim. Em contrapartida, diante das constantes trocas e descansos dados ao Alex Sandro, por que não testar mais o Johnny ali na lateral-esquerda? O garoto fez boas partidas nos amistosos da intertemporada, em que pese ter defecado no segundo gol do Olímpia, sexta passada. Às vezes, a solução está em casa, e não fora.
Wuthering Heights
Falando em solução em casa ou fora, Thiago Almada pode estar vindo. Esse “chega-não-chega” é típico de contratações enroladas e que, vez ou outra, têm final feliz.
Vejo com bons olhos a contratação, pelos recentes serviços prestados pelo rapaz em solo brasileiro – ainda que em um solo historicamente infértil, que só rendeu frutos durante um ano. Longe de ser meu jogador favorito para a posição, mas penso que pode acrescentar muito. E tem canja, experiência de Copa do Mundo, na qual, felizmente, foi vice-campeão.
Mais do que a eterna e longeva busca pelo “substituto ideal” do Arrascaeta, Almada é versátil e certamente vai contribuir no nosso rodízio de jogadores. Ou será que tem gente que ainda não entendeu que o conceito de titular x reserva, no Flamengo, é diferente?!
Isto posto,
Saudações Rubro-Negras!

Ricardo Santoro Nogueira, 39 anos, casado, nascido em Brasília/DF, é advogado e exageradamente flamenguista. Herdou de seu pai este viciante hábito de ocupar 90 min. assistindo ao Mais Querido. É fã de Zico, Adriano, Arrascaeta e Bruno Henrique, entre outros que também mereceriam destaque. Quase morreu em 2019, mas passa bem.