Lesa-majestade
Estou em falta com o Zico. Ainda não assisti ao filme-documentário “O Samurai de Quintino”. Então, o mínimo que Zico merece é que eu, tu, ele, nós, vós e eles o defendam sempre que algum “anti militante” tentar diminuí-lo. E, meu Deus, como o fazem! “Ah, perdeu pênalti contra a França”, “ah, não ganhou Copa do Mundo”. Se Zico não ganhou a Copa, azar da Copa. Se Zico errou pênalti em 1986, no tempo normal, Sócrates, Júlio César e até Platini também, na disputa de pênaltis. Dias desses, um desses clássicos “anti militante”, o jornalista Fábio Sormani, colocou Neymar acima do Zico e argumentou: “Maior artilheiro da Seleção”. O que esperar de quem disse que o Rodriguinho joga melhor que o Arrascaeta? Nada multiplicado por nada.
Ora, ao comparar Zico e Neymar, o debate ignora aspectos fundamentais do futebol, como visão de jogo, refinamento técnico, inteligência tática, capacidade de finalização e drible, para se limitar a um currículo de clubes e conquistas. Em suma: o “anti militante” trata o futebol por meio de “diplomas”, e não pelo talento exibido em campo e, também, fora de campo, em que Zico é exemplo de conduta. A ida do Zicão para a Udinese foi a maior transferência do futebol à época. O craque rubro-negro chegou com a promessa de um projeto ambicioso, sentindo-se, posteriormente, frustrado por não ter visto a equipe atingir o patamar prometido.
Assim, ao reduzir o esporte a números e resultados, Sormani encarna o que Nelson Rodrigues classificava como o “idiota da objetividade”, na lembrança do meu amigo Lemos. O futebol não é um processo burocrático, desprovido da arte e da capacidade de gerar emoção. E, no que tange à emoção, Zico é mais amado que Pelé, capaz de encher o Maracanã todo ano em um simples jogo beneficente.
Flamengo na Copa
São vários os flamenguistas na Copa do Mundo, desde aqueles que efetivamente atuam pelo Flamengo hoje até aqueles que são crias da Gávea.
A estreia da Seleção Brasileira foi decepcionante. Em meio a isso, nosso cria Vinicius Jr. fez o que se espera dele: ser o protagonista dessa Seleção, que, a meu ver, é o pior Brasil em muitos anos.
Já Lucas Paquetá, a meu ver, foi mais discreto contra o Marrocos, mas também teve boa atuação. Varela e Nico “De La SUS”, pelo Uruguai, especialmente o Nico, foram muito bem, a meu ver. Já faz algum tempo que venho defendendo até mesmo a titularidade do Nico no Flamengo. Não acompanhei a estreia do Equador para dar uma opinião sobre a atuação do Plata, a não ser que o Equador levou a máxima de que quem não faz toma.
Daqui a algumas horas, a Seleção enfrentará o Haiti e veremos se algum rubro-negro, cria ou do atual elenco, será titular ao lado do garoto de São Gonçalo.
Flamengo na Terrinha
A estadia do Flamengo em Portugal ganhou novidades. Diferente do que foi anteriormente divulgado, não enfrentaremos Falkirk FC nem Birmingham, mas, sim, River Plate, Lausanne-Sport e o já esperado Benfica, em preparação para a sequência da temporada. Evoluímos nos adversários.
Espero que esses jogos tenham transmissão, seja pela televisão ou pelo YouTube, na FlaTV. Alguém ouviu algo a respeito disto? Se sim, poste aqui nos comentários da coluna, por favor. Serão dois adversários interessantes e fortes, dentre os três, o que torna esses amistosos menos festivos e mais preparatórios.
Faz quase sete anos da última vez em que ouvi falar no River Plate, o “Vasco argentino”, e o desfecho me foi muito, muito feliz.
Isto posto,
Saudações Rubro-Negras!

Ricardo Santoro Nogueira, 39 anos, casado, nascido em Brasília/DF, é advogado e exageradamente flamenguista. Herdou de seu pai este viciante hábito de ocupar 90 min. assistindo ao Mais Querido. É fã de Zico, Adriano, Arrascaeta e Bruno Henrique, entre outros que também mereceriam destaque. Quase morreu em 2019, mas passa bem.