Erick Pulgar rebateu publicamente as críticas de Esteban Paredes, maior artilheiro da história do Campeonato Chileno, após ser acusado de ter a “mente frágil”. O volante do Mengão respondeu com irritação ao ídolo chileno, que o condenou por recusar convocações da Seleção Chilena para amistosos disputados durante o período da Copa do Mundo.
“Eu achei um pouco engraçado, principalmente porque o Esteban nunca falou comigo. Então ele conseguiu analisar minha força mental sem sequer me perguntar o que aconteceu”, disse Pulgar ao jornal O Globo. A resposta apontou o que o volante vê como uma falta de diálogo antes da crítica pública.
Durante participação no programa televisivo ‘Tipsters’, Paredes havia sido direto. Afirmou que não convocaria mais Pulgar se o problema fossem as críticas da torcida chilena e foi além: classificou a atitude do volante como fragilidade mental. “Se Pulgar não quiser ir para a seleção porque vai ser vaiado, eu nunca mais o convocaria”, disparou o ex-atacante.
A réplica de Pulgar e o histórico de pressão
Pulgar não deixou a provocação sem resposta. Argumentou que sua carreira já o colocou diante de pressões reais e decisivas. “Um diagnóstico bastante completo”, ironizou sobre a análise de Paredes. O volante então listou seu currículo: oito anos na Europa, partidas decisivas e uma final de Copa Libertadores.
“Jogo futebol profissional há anos. Passei oito anos na Europa. Disputei partidas decisivas e uma final de Copa Libertadores. Alguma pressão eu já tive que enfrentar”, retrucou. O argumento sugere que, para alguém com esse histórico, a fragilidade mental não seria seu problema.
A crítica de Pulgar extrapolou o mérito da questão. Tocou em um ponto que parece tê-lo incomodado profundamente: a falta de conversa. “Respeito muito o que o Esteban fez como jogador de futebol, mas, se ele queria saber o que estava acontecendo comigo, seria muito mais fácil me perguntar do que fazer uma análise psicológica pela televisão”, concluiu.
O contexto da recusa e as explicações oficiais
A decisão de Pulgar de não comparecer às convocações da Seleção Chilena não saiu do vazio. O técnico Nicolás Córdova divulgou publicamente o “não” do volante, tornando a situação embaraçosa. Córdova, inclusive, afirmou que queria Pulgar na seleção.
O presidente da Federação Chilena, Pablo Milad, foi mais adiante e detalhou a motivação real. De acordo com Milad, a decisão de Pulgar envolvia incômodo com a forma como o jogador e sua família foram tratados. Essa explicação diverge da narrativa que Paredes tentou construir sobre fragilidade mental frente a críticas.
A última vez que Pulgar vestiu a camisa da La Roja foi em outubro de 2024, pelas Eliminatórias Sul-Americanas. Na ocasião, foi titular nas derrotas para Bolívia e Colômbia, com placares de 2 a 1 e 4 a 0, respectivamente. Desde então, sua relação com a seleção chilena entrou em um período de turbulência.
No Flamengo, Pulgar segue em momento diferente. Consolidou-se como peça importante no meio de campo do Mengão e, em setembro deste ano, renovou contrato com o clube até dezembro de 2029. A permanência é vista como estratégica para os projetos do Mais Querido na Libertadores e no Campeonato Brasileiro.
Quanto à negação anterior de atrito com Córdova, Pulgar já havia se posicionado nas redes sociais. Afirmou que não havia conflito com o técnico chileno, sinalizando que a questão era mais ampla do que uma relação pessoal tensa. O volante também aproveitou para pedir mais visibilidade e apoio aos jovens convocados pela seleção, sugerindo que o tema ultrapassa sua situação individual.
A troca de farpas com Paredes reflete uma tensão maior: a dificuldade de a Seleção Chilena lidar com a recusa de um jogador em atividade e a impossibilidade de alguns ídolos chilenos compreenderem motivações que vão além de críticas da torcida. Para Pulgar, o recado foi claro: sua recusa tem raízes mais profundas, e análises superficiais sobre sua mentalidade não refletem a complexidade da situação.

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