Ancelotti e boto divergem sobre redução de estrangeiros

Carlo Ancelotti e José Boto divergem radicalmente sobre a redução de estrangeiros no Brasileirão. O técnico da Seleção Brasileira apoiou a decisão da CBF em coletiva nesta quinta-feira (24), enquanto o diretor de futebol do Mengão criticou a medida, alertando para o enfraquecimento da liga.

Em entrevista coletiva, Ancelotti defendeu a nova regulamentação com entusiasmo. Para o italiano, limitar o número de gringos é estratégico para o desenvolvimento do futebol nacional. “Eu acho que a redução de estrangeiros no futebol brasileiro é um aspecto muito importante para dar oportunidade ao talento brasileiro, que é muito, mas é também uma oportunidade para todo o Campeonato Brasileiro. Me parece que não é um demérito reduzir, ano após ano. É uma coisa muito positiva para o futebol”, declarou o treinador.

A posição de Ancelotti contrasta diretamente com a do Mais Querido, que votou contra a medida em assembleia da CBF. Apenas o Flamengo, Bahia e Londrina se opuseram à redução entre os 40 times das Séries A e B.

Boto critica enfraquecimento da liga

José Boto não poupou críticas. Em entrevista exclusiva, o diretor português argumentou que a decisão prejudicará a competitividade do Brasileirão a longo prazo. Para Boto, a medida ignora uma realidade: os melhores jogadores continuarão saindo para a Europa muito jovens.

“Como estrangeiro, que trabalho no Brasil, mas que já trabalhei em outras ligas, vou dar a minha opinião, embora respeite, como é óbvio, quem fez esses estudos. Não me parece que essa medida vá ajudar o futebol brasileiro, antes, pelo contrário, vai enfraquecê-lo, porque os jogadores vão continuar saindo”, afirmou Boto.

Segundo o dirigente, a saída de talentos para o exterior, combinada com a impossibilidade de reter jogadores estrangeiros de qualidade, criará um vazio. “Os melhores jogadores vão continuar a sair para a Europa muito novos, e os clubes não tendo a possibilidade de reter esses jogadores de valor, vão ter que jogar com jogadores com menos valia, e isso vai baixar a qualidade da liga brasileira”, completou.

Calendário de redução já está definido

A CBF estabeleceu um cronograma claro para a mudança. Atualmente, os times podem relacionar nove estrangeiros por partida. A partir de 2027, o número cairá para oito. Em 2028, será sete. Em 2029, seis. E de 2030 em diante, apenas cinco gringos poderão ser relacionados por jogo.

O Flamengo é um dos clubes mais afetados pela nova regra. O elenco rubro-negro conta com 11 jogadores estrangeiros: os uruguaios Arrascaeta, Varela, De La Cruz e Viña (emprestado); os argentinos Rossi e Freitas; os equatorianos Plata e Valencia; o chileno Pulgar; o colombiano Carrascal e o espanhol Saúl.

Jorginho não entra na contagem. O meia-atacante nasceu em Imbituba, Santa Catarina, e a CBF classifica como brasileiro todo jogador que nasceu no Brasil, independentemente de naturalização posterior por outra federação. Por essa regra, Jorginho é considerado nacional, apesar de sua longa carreira pela Seleção Italiana.

Com 11 estrangeiros no elenco, o Mengão terá que fazer cortes ou exclusões de relacionação a partir de 2027, quando a cota cair para oito. A situação se agravará progressivamente até 2030.

Posicionamentos divergentes em contexto maior

A posição de Boto reflete a estratégia de recrutamento do Flamengo, que desde a chegada do português, em janeiro de 2025, priorizou a contratação de jogadores experientes com passagem pela Europa. Essa política de investimento em gringos consolidados contrasta agora com a nova realidade regulatória.

Enquanto isso, Ancelotti segue preparando a Seleção Brasileira para o amistoso de sexta-feira (25) contra a Austrália, a partir das 7h. Jogadores rubro-negros como Samuel Lino e Pedro iniciarão no banco de reservas na partida.