Samuel Lino surpreendeu-se com Leonardo Jardim — e não era para esconder isso. O atacante esperava um técnico português fechado, introspectivo, mas encontrou exatamente o oposto. Na zona mista após a vitória sobre o Independiente Medellín, na Copa Libertadores, no Maracanã, Lino detalhou como o comandante desconstruiu preconceitos e transformou o ambiente do vestiário rubro-negro em pouco mais de um mês.
“O impacto do Leonardo Jardim foi muito bom, forte, mostrou coragem, personalidade. Por ser português, a gente achou que ele era fechado, mas não, ele é totalmente diferente. Isso nos deixou leve, o ambiente leve, e isso ajudou muito no começo”, revelou o jogador. Essa leveza não é detalhe menor. Em um vestiário que atravessava incertezas, a postura transparente da nova comissão técnica desde o primeiro dia funcionou como catalisador para a performance coletiva melhorar nos números.
A Simplicidade Tática que Funciona
Jardim não encheu a cabeça dos jogadores com teorias complexas ou sessões infindáveis de vídeo. Pelo contrário. Diante de um calendário congestionado — como é 2026 para qualquer grande clube brasileiro —, o treinador optou por clareza absoluta nas orientações. Samuel Lino explicou: “A informação que o Jardim passa para a gente é bem simples, ele não gosta de encher a nossa cabeça. A gente tenta trabalhar em cima das vulnerabilidades do adversário”.
Esse pragmatismo reflete-se nos resultados. Desde a chegada de Jardim, o Flamengo acumula quatro vitórias, dois empates e uma derrota em sete jogos — uma recuperação sensível após o período anterior. A mais recente delas, a vitória por 4 a 0 sobre o Atlético-MG na Arena MRV, exemplificou como o sistema está afinado: Gonzalo Plata, que havia perdido espaço, retomou o protagonismo e marcou na goleada, ratificando que talentos individuais florescem quando o coletivo respira aliviado.
A metodologia do técnico português prioriza entregar mensagens diretas, evitando a sobrecarga de informações que poderia prejudicar atletas já exaustos por um calendário brutal. Lino destacou exatamente isso: o foco em vulnerabilidades do adversário, não em conceitos abstratos. É trabalho objetivo, orientado para resultado — o oposto de academicismo vazio.
Mobilidade e Liberdade Individual
Para Lino pessoalmente, a chegada de Jardim trouxe ganho tático concreto. Com a comissão anterior, o atacante jogava mais aberto em duelos individuais, às vezes prejudicado pela marcação individual fechada. Sob o novo comando, recebeu mais mobilidade e liberdade para atuar por dentro, consolidando-se como pilar do sistema ofensivo. Regularizado como titular, o atacante agora executa com mais segurança as orientações diretas que Jardim transmite.
Essa flexibilidade tática — permitir que cada jogador execute seu potencial dentro de um plano coletivo claro — é marca registrada da abordagem de Jardim. Não é rigor cego nem permissividade. É equilíbrio. E Lino percebeu que essa equilibração psicológica e tática mudou o tom de todo vestiário.
A conexão imediata que Jardim estabeleceu no Ninho do Urubu não foi acidental. Transparência, coragem em mostrar personalidade, e métodos diretos criam confiança rápida. Samuel Lino resumiu bem: o ambiente ficou leve, e um ambiente leve produz jogadores mais soltos, mais criativos, mais dispostos a executar.
O Flamengo segue seu caminho em 2026 com essa fórmula: técnico que ouve, vestiário que respira e jogadores que retomam protagonismo. Lino já sente na pele.

Edmilson Lani é o responsável editorial do Flamengo RJ. Atua na curadoria, revisão e publicação de conteúdos do site, acompanhando de perto o noticiário do clube, os bastidores, o mercado da bola, os jogos e as análises do dia a dia. O site também utiliza fluxos de automação e ferramentas de apoio editorial no processo de produção, sempre sob supervisão humana sobre o conteúdo publicado.