Samuel Lino pode deixar o Flamengo para gerar receita com apostas em risco

Samuel Lino está na mira da diretoria do Flamengo para possível venda. A decisão parte de uma avaliação interna sobre como honrar compromissos financeiros caso a proibição das apostas no Brasil se confirme e impacte a arrecadação esperada pelo clube.

Segundo reportagem do Jornal O Globo, o atacante de 26 anos é o principal nome considerado para gerar receitas no mercado de transferências. Lucas Paquetá também entra na lista de ativos observados pela diretoria rubro-negra para possíveis negociações.

A situação reflete a pressão financeira gerada pela incerteza. O Mengão contava com recursos do setor de apostas para ajudar a equilibrar as contas. Com a possibilidade de perder essa fonte, a venda de jogadores passa a ser uma alternativa viável a curto e médio prazo.

Samuel Lino como principal opção de venda

Samuel Lino é visto internamente como o ativo com maior potencial de retorno. O atacante acumula 77 jogos, 16 gols e 16 assistências desde que chegou ao clube em 2025, totalizando 32 participações diretas em gols. Sua última convocação para a Seleção Brasileira, sob comando de Carlo Ancelotti na data FIFA de setembro/outubro, reforçou sua valorização no mercado.

O Flamengo desembolsou 25 milhões de euros ao Atlético de Madrid pela contratação do jogador, mas o valor investido foi ainda maior — o clube pagou um total de 31 milhões de euros na operação. O levantamento do CIES aponta o atacante como o 5º jogador mais valioso do Brasileirão em 2026, com valor de mercado estimado em 31,3 milhões de euros, equivalente a aproximadamente 185 milhões de reais.

Lino conquistou títulos importantes pelo Mais Querido desde sua chegada: a Copa Libertadores e o Campeonato Brasileiro em 2024, além do Campeonato Carioca em 2026. Seu contrato segue válido até dezembro de 2029.

O problema, porém, reside nas parcelas pendentes. O Flamengo ainda tem compromissos com o Atlético de Madrid vencendo até 2027. Uma possível venda do atacante ajudaria a aliviar a pressão no cronograma de pagamentos.

Lucas Paquetá também sob observação

Lucas Paquetá aparece como segunda opção importante na avaliação da diretoria. O jogador, aos 29 anos, custou 42 milhões de euros ao West Ham, mas apenas metade desse valor foi quitada. A outra metade segue vencendo até 2027, o que configura uma obrigação ainda maior que a de Samuel Lino.

A saída do meia-atacante configuraria uma compensação financeira significativa para o clube, permitindo equilibrar o fluxo de pagamentos diante da dificuldade de manter a arrecadação prevista caso a proibição das apostas impacte a receita.

José Boto alerta sobre risco de atrasos

O diretor de futebol José Boto deixou clara a dimensão do desafio. Em declaração direta, ele apontou que a questão não é apenas o custo salarial dos jogadores, mas a capacidade de honrar compromissos já assumidos com instituições estrangeiras.

“Quando o presidente diz ‘como é que eu vou pagar o Paquetá’, não é o salário do Paquetá. É como é que vamos pagar ao West Ham compromissos que assumimos.”

Boto relacionou o problema ao tipo de obrigação financeira contraída, não apenas aos gastos correntes. Esse alerta sinaliza que pagamentos podem atrasar se a receita esperada com apostas não se materializar.

O Flamengo segue liderando o Campeonato Brasileiro com 60 pontos na 28ª rodada, mas o desempenho em campo não ameniza a pressão orçamentária vivida nos bastidores da Gávea. A diretoria trabalha em cenários de ajuste financeiro, e as possíveis saídas de Samuel Lino e Lucas Paquetá fazem parte dessa estratégia de contingência.