A proibição das apostas esportivas no Brasil pode forçar o Flamengo a devolver cerca de R$ 70 milhões à Kaizen Gaming. O valor corresponde a três meses de pagamento antecipado e coloca o clube em situação ainda mais delicada financeiramente. Além disso, o Mengão se prepara para informar ao West Ham que não conseguirá pagar a segunda parcela da compra de Lucas Paquetá, negociada por R$ 260 milhões em três promissórias.
O cenário é consequência direta de uma cláusula contratual prevista no acordo entre o Flamengo e a Kaizen Gaming. O contrato garantia R$ 300 milhões anuais ao clube e incluía revisão ou rescisão em caso de ações externas que inviabilizassem as apostas no Brasil. Com o endurecimento das regras e a possível proibição, essa previsão passa a ter impacto imediato nas finanças rubro-negras.
O timing da proibição agrava ainda mais a situação. O Flamengo teve déficit contábil de R$ 33,8 milhões no primeiro semestre de 2026 e precisava antecipar receitas apenas para sustentar compromissos básicos. A antecipação de recebíveis com a Betano, que tem contrato master garantindo R$ 268 milhões por temporada até 2028, foi justamente uma manobra do clube para respirar financeiramente. Agora, há risco de que a Betano, que também atua no mercado de apostas, rescinda seu acordo.
A compra de Paquetá e o impasse com o West Ham
Lucas Paquetá foi adquirido em janeiro de 2026 por R$ 260 milhões, divididos em três promissórias. A estrutura previa pagamentos em janeiro de 2026, janeiro de 2027 e janeiro de 2028. A segunda parcela, no valor de aproximadamente R$ 100 milhões, vence em janeiro de 2027 — justamente em um período de baixa econômica para os clubes brasileiros.
O presidente Luiz Eduardo Baptista já estuda como comunicar ao West Ham a impossibilidade de cumprir com o pagamento. Em entrevistas anteriores, Bap reconheceu que a proibição das apostas pode comprometer diretamente o pagamento das parcelas do atacante. O dirigente foi enfático: o Mais Querido não tem um plano B para enfrentar a possível perda de até R$ 400 milhões em receitas caso a Medida Provisória restrinja ou proíba as apostas de forma integral.
O valor de R$ 400 milhões inclui efeitos diretos e indiretos. O clube estima impacto de até 20% de sua receita anual: 15% diretos pela perda dos contratos com Betano e Kaizen, e 5% por desdobramentos indiretos de uma eventual crise de caixa.
Manifestações e possível rompimento
Guilherme Figueiredo, diretor de Relações Institucionais e Governamentais da Kaizen Gaming, já teria se manifestado informalmente sobre o provável rompimento da parceria. Embora a movimentação não seja oficial, sinaliza que ambas as partes reconhecem a realidade do cenário. A Betano, por sua vez, também sinalizou informalmente a possibilidade de rescindir seu contrato master diante das restrições.
O governo confirmou que a Medida Provisória que endurece as regras para apostas será assinada nesta sexta-feira, trazendo propostas de restrições e limites à publicidade. Isso deve acelerar as conversas sobre rescisão de contratos e devolução de valores.
O Flamengo iniciou conversas com substitutos — Lubrax e Banco BRB foram citados internamente — mas os números não se aproximam dos R$ 268 milhões anuais da Betano ou dos R$ 300 milhões da Kaizen. A Nação rubro-negra acompanha de perto um cenário que pode reconfigurar completamente o orçamento do clube para 2027 e além.
A pressão por caixa se soma a compromissos já assumidos e pagamentos relevantes ao longo do calendário. Sem alternativas imediatas e com a segunda parcela de Paquetá vencendo em janeiro, a diretoria do Mengão trabalha contra o tempo para encontrar soluções que não passem apenas pela devolução de valores já gastos.

Edmilson Lani é o responsável editorial do Flamengo RJ. Atua na curadoria, revisão e publicação de conteúdos do site, acompanhando de perto o noticiário do clube, os bastidores, o mercado da bola, os jogos e as análises do dia a dia. O site também utiliza fluxos de automação e ferramentas de apoio editorial no processo de produção, sempre sob supervisão humana sobre o conteúdo publicado.