Do Ninho ao mundo
Toda regra tem sua exceção. E a exceção que confirma a regra é sempre um contrassenso. No caso, é a Seleção Brasileira ainda deixando a desejar com uma de nossas crias sendo protagonista. Convenhamos 01: se tem Flamengo, é para ter 100% de qualidade. Convenhamos 02: o que seria da Seleção Brasileira nessa Copa do Mundo se não fosse o Flamengo ter concebido ao mundo o garoto de São Gonçalo, Vinicius Jr.?! Do Ninho à Europa, da Europa à Seleção, da Seleção à Copa, da Copa ao mundo.
Não posso deixar de destacar a solidez defensiva do Danilo, que, aliás, está atuando na lateral-direita, o que nunca aconteceu, s.m.j., pelo Flamengo. Experiência, segurança e boas subidas ao ataque têm sido a marca do Danilo nestes três primeiros jogos na Copa.
Danilo e Vini Jr. à parte, outra grande alegria nessa semana de Copa do Mundo foi o Plata, que fez o gol da histórica vitória do Equador contra a Alemanha, garantindo a classificação de sua equipe. Nosso ranzinza flamenguista Mauro Cézar queimou a língua: Gonzalo Plata não é um Enner Valencia.
Ainda sobre o Ninho
Ora, pois, não é que voltou o papo do estádio do Flamengo?! Segundo o GE, o Flamengo projeta concluir, em 2027, o miniestádio em construção no Ninho do Urubu, destinado principalmente aos jogos das categorias sub-20 e do futebol feminino. O espaço teria capacidade para 4,5 mil torcedores, iluminação para partidas noturnas, vestiários novos, sala de controle de doping, áreas administrativas, camarotes e uma torre para transmissão, placar e etc. Só faltariam um fórum e uma igreja para o Ninho se tornar um município. Embora o Flamengo aguarde a liberação de aproximadamente R$ 8,36 milhões por meio da Lei Estadual de Incentivo ao Esporte para finalizar a obra, a diretoria admite utilizar recursos próprios caso o repasse não seja aprovado ainda em 2026. Veremos.
Penso que esse novo Ninho poderia receber outros jogos de menor apelo do time principal, como, por exemplo, no Campeonato Carioca, contra os Bonsucessos da vida, até como forma de atrair torcedores, turistas e transeuntes ao CT. O mesmo se fosse a Gávea rediviva, mas aí a encrenca com a associação de moradores do Leblon estaria instalada.
Em razão disto, confesso que nunca fui o maior entusiasta da ideia de termos um estádio próprio. Sei que sou uma exceção. Explico o motivo: até que ponto precisamos?! Nossas principais glórias vieram na segunda metade do século 20, quando, curiosamente, o Maracanã foi inaugurado, em 1950 (ressalva-se, claro, o fato de os principais campeonatos terem sido criados nesta segunda metade). Meu sonho não é um Estádio Arthur Antunes Coimbra, mas, sim, que o Maracanã se torne o “Zicão”. Sei que tem aquele papo de concessão versus privatização, de interesse público (?!?), de colocar o Fluminense na jogada (??!??) e outros blá-blá-blás. Mas, entre brigar pelo Maracanã e pelo Ninho ou pela Gávea, eu compro a briga maior.
O sorriso da vida
Ainda falando sobre regras e exceções, dizia Nelson Rodrigues que toda unanimidade é burra. Talvez esta regra também tenha sua exceção. Após a notícia da última terça-feira de que o Aston Villa fez proposta de R$ 53,2 milhões ao Flamengo por Emerson Royal (ontem, li que a oferta aumentou para R$ 60 milhões e que as partes já estariam praticamente acertadas), nunca vi a Magnética em um consenso geral como este: aceita logo, Flamengo!
Tá vendo, Nelson?! Nem toda unanimidade é burra!
Isto posto,
Saudações Rubro-Negras!

Ricardo Santoro Nogueira, 39 anos, casado, nascido em Brasília/DF, é advogado e exageradamente flamenguista. Herdou de seu pai este viciante hábito de ocupar 90 min. assistindo ao Mais Querido. É fã de Zico, Adriano, Arrascaeta e Bruno Henrique, entre outros que também mereceriam destaque. Quase morreu em 2019, mas passa bem.